JAYLAH
— Você não pode estar falando sério, Jaylah!
Me viro de cara feia para a minha melhor amiga, Josie. Ela está encostada no meu balcão da cozinha, com o rosto amassado, seu lindo narizinho empinado. Eu olho para os braços dela, que estão cruzados com raiva através de seu amplo peito. Ela é pequena, peituda e atrevida. É por isso que eu adoro ela.
— É um trabalho, isso me deixa longe de casa. Se eu estiver longe de casa, eu não serei tão facilmente rastreada, — eu indico, estalando um pedaço de cenoura em minha boca e mastigando ruidosamente. Josie olha pra mim.
— Ele vai encontrar você, não importa onde você esteja!
Eu balancei minha cabeça, abanando o dedo para ela. — Foi apenas alguns dias; eu ainda tenho uma semana ou mais sobrando. Eu não sei se eu vou ter todo o dinheiro antes disso, por isso estar longe é mais seguro.
— Ele vai vir aqui...
— E eu não vou estar aqui.
— E se ele vier atrás de mim? Ou alguém que você gosta?
Dou a ela um olhar de ―sério?‖ — Meus pais moram a seis horas de distância e o sobrenome deles é completamente diferente do meu, uma vez que eu mudei. Ele não iria encontrá-los facilmente. Além disso, eu vou dizer ao meu pai e ele estará pronto. Você vive há duas horas daqui; não creio que ele vai ir atrás de você. A pessoa que ele provavelmente iria atrás é Samuel, e, pessoalmente, eu não vou reclamar se Samuel levar um chute no traseiro.
Ela deixa cair a cabeça em suas mãos e suspira alto. — Mesmo se você se afastar... você está esquecendo uma peça vital de informação. — ela levanta a cabeça. — Você não é a porra de uma babá!
Eu bufo, engasgada com um pedaço de cenoura e me jogo em um acesso de tosse. Quando eu termino, eu me endireito, batendo no meu peito e dizendo, — Quão difícil pode ser? Trocar fraldas, alimentar... é fácil.
— É uma criança... — ela estala. — Você sabe, não um cão!
Eu aceno uma mão. — É pra morar lá, é um bom salário, e é apenas um bebê.
— Os bebês fazem cocô, e choram, e vomitam...
— Assim como cães, — eu indico.
— Jesus, Jay. Tem sempre algo mais.
Dou um passo mais perto. — Eu tenho Gregor atrás da minha bunda. Ele não jogo bonito. Eu preciso de algum lugar que ele não pode me encontrar. Ele não vai me encontrar lá; é longe. Posso pagar ele, e então tudo estará terminado. É mil dólares por semana, incluindo comida e um quarto! Tudo para cuidar de um bebê.
Josie suspira e balança a cabeça. — Eu posso ver que não adianta falar com você. Pelo menos vá e tenha certeza que é o que você quer antes de dizer sim.
Eu sorrio. — Boa notícia, estou indo agora para atender a criança e o pai.
— Oh, Deus, — Josie geme.
— Vai ficar tudo bem. — eu aceno minha mão, pegando minhas chaves com a outra. — Você vai ver.
* * * * * *
Não é bom.
Ah, não. Está longe de ser bom.
Estou de pé na frente do que é possivelmente o homem mais deslumbrante que eu já vi na minha vida. Ele é nativo americano, disso eu tenho certeza. Ele tem esses olhos de chocolate e cabelo escuro, eu não vou mentir, me dá vontade de tocá-lo. Ele é tão bonito. Cabelo longo e grosso, que flui ao redor de seus ombros. Ele é alto e musculoso, vestindo um colete de couro por cima, uma camiseta apertada escura.
Oh cara. Oh cara. Oh cara.
— Ah... é você, hum, Mack?
Ele me olha para cima e para baixo, devagar. — Sim.
Deus. Sua voz. Mel derretido, misturado com creme... oh, cara.
— Ah, bom. Eu sou Jaylah. Estou aqui para o, ah, a vaga de
babá.
Ele ergue sua sobrancelha. — Você é uma babá?
Minha coluna se endireita e eu coloco minhas mãos em meus
quadris. — Com licença, amigo, mas eu vou fazer você saber que eu sou a melhor babá maldita que existe.
Ele olha para mim, sem expressão. Ele é um homem duro; você pode ver isso em seus olhos e sua expressão firme que parece determinado em seu rosto.
— O que você esperava? — eu dou um passo a frente. — Senhora Doubtfire?
Seus lábios se contorcem, mas ele não sorri.
— Você está disponível durante todo o dia, todos os dias?
Eu inclino minha cabeça para o lado. — Eu não recebo nenhum dia de folga?
— Não.
Eu arqueio a minha sobrancelha. — Você quer que eu seja babá... todos os dias?
Ele olha para mim, como que já fosse óbvio.
— O que você é, um homem de negócios sexuais ou algo assim?
Eu já sei que é uma piada antes que isso saia de meus lábios, mas eu digo isso de qualquer maneira. Ele me dá um olhar de ―sério?‖ e eu percebo que realmente era uma pergunta estúpida.
— Ok, bem, é evidente que você não é um homem de negócios. — eu rio timidamente. — Mas o que poderia te manter tão ocupado que precisa de mim para cuidar de seu filho sete dias por semana?
— Não é da sua maldita conta, — ele se encaixa.
— Vá com calma, — eu me irrito. — Eu só estava perguntando.
— Ou você quer o trabalho, — diz ele, com a voz baixa e profunda,
— ou você não quer.
— Eu quero, — eu indico. — Mas eu tenho uma vida, você sabe.
Amigos e outras coisas.
— Você pode visitá-los, com o bebê.
— Sério?
Ele faz isso olhando firme novamente.
— Só mil dólares por semana? Para ser basicamente a mãe... da criança?
— Um e meio se você começar agora.
— Mil e quinhentos? — eu respiro.
— Mil e quinhentos fodidos dólares. Oh, um espertalhão. Ótimo.
— E eu moro... aqui?
Ele balança a cabeça bruscamente.
— E... Você mora aqui?
Parece que ele quer dar um tapa em minha estupidez para longe de mim.
— Ok, eu aceito.
Ele balança a cabeça. — Entre.
— Espere, você não vai me fazer algumas perguntas de babá? Assim como, o que você vai fazer se o seu filho correr para a rua e for atropelado por um carro?
Ele me dá uma expressão estranha. — Ele é um bebê. Entre.
— Que tal se ele engasgar?
— Bebês... — ele range. — Bebem fodido leite.
— Subir em uma janela? — eu digo, seguindo-o para dentro. Ele resmunga.
— Brincar com o seu secador de cabelo?
Ele para, gira, e me dá uma expressão mortificada.
— O quê? — eu digo, encolhendo os ombros. — Você tem um cabelo bonito... é apenas uma suposição.
Ok, agora parece que ele quer me dar um soco, ou me estrangular.
— Quero dizer, sério... você não vai me perguntar alguma coisa? Ele rosna. — Você é uma assassina?
— O quê? Não.
— Estupradora?
Eu bocejo. — Eca. Não.
— Você cozinha?
— Isso depende.
Ele aperta os olhos. — Sim ou não?
— Ah, mais ou menos.
Ele balança a cabeça e continua, como se isso fosse uma resposta aceitável. — Você é capaz de aquecer uma mamadeira?
— Sim.
— Se levantar quando ele chorar? Concordo com a cabeça.
— Então você está contratada. Agora se mova. Mandão.
Nós entramos em um lugar realmente agradável, realmente moderno. O piso frio é agradável contra os meus pés enquanto eu o sigo até a sala de estar. Eu derrapo a um impasse quando vejo todas as pessoas na sala. Há algumas garotas realmente bonitas, mas o resto são do sexo masculino. Grandes homens corpulentos que parecem ter caído do céu e enrolados em couro. Eles são lindos.
Eles também são... oh, não.
Oh não, não, não.
Mack acena para uma das meninas e ela se levanta, caminhando para mim, um bebê embrulhado em seus braços. Ela o estende para mim com um sorriso. Deus, ela é bonita, como uma mini Pocahontas ou algo assim. Seus olhos brilham com humor com a minha expressão. Eu estendo a mão, pego o bebê e o mantenho perto. Eu nunca segurei um bebê... merda... onde está a cabeça dele?
— Eu sou Santana. — ela sorri, calorosamente. — Bem-vinda.
Me viro de volta para o grupo, que estão todos olhando para mim, e eu tenho certeza que estou prestes a desmaiar.
Eu sei quem são. Eu vi a notícia. Moto clube. O maior na cidade. Joker‘s Wrath.
Oh Deus. Eu sou uma babá de um motoqueiro. Isso deve ser interessante.
Capítulo dois





