Uma Babá Para o Prez

JAYLAH

— Você tem que me levar para conseguir roupas, — eu digo, seguindo Mack em direção à cozinha, seu bebê embrulhado firmemente em meus braços. — Eu não posso cuidar do bebê e pegar as minhas coisas ao mesmo tempo. Eu não tenho lugar. Você vai ter que cuidar dele, enquanto eu vou e....

— Não.

— Sério? — eu choro. — Você queria que eu começasse imediatamente e eu vou, mas eu preciso de todas as minhas coisas e...

Ele vira e olha pra mim. — Então vá e pegue essas porras. Leve o bebê; arranje uma cadeirinha pra bebês. Eu não me importo, apenas faça isso.

O bebê? Nada do nome dele. Não o meu filho. Eu estreito meus olhos e vejo quando ele balança a porta da geladeira aberta e pega uma cerveja, então ele se vira de volta com olhos castanhos queimando através de mim.

— Você é sempre tão mal-humorado? Se for assim, eu acho que nós precisamos de algum tipo de código... então eu saberei quando você não está acessível.

Ele olha para mim, lábios se curvaram em desgosto. — Código?

— Você sabe, como uma chamada de ave. Ka-Kaw! Ka-Kaw2! Ele pisca. — Você é louca porra?

— Não. — eu estreito meus olhos, desconfiada. — Você é?

Ele me dá um olhar insondável, um que diz que não tem ideia de como lidar comigo. — Você é a única a fazer barulhos de pássaros de

2 Aparentemente, nos EUA eles usam muito isso como para dizer algum ―código‖. Não encontrei nenhuma palavra que se igualava ao sentido aqui no Brasil.

merda - não, risque isso. Nenhum fodido pássaro faz barulhos como esse.

— Eles fazem, — eu digo sobre o assunto com naturalidade. — Eu já ouvi.

Ele olha para o teto como se buscando calma.

— Bem... — eu incentivo, batendo o pé contra os azulejos.

Ele murmura algumas maldições e olha de volta para mim. — Eu não faço ruídos de pássaros e nem códigos. Fique longe de mim; eu vou ficar longe de você. Tome cuidado com o bebê. Eu estou no clube metade do tempo, então você não vai precisar se preocupar com nada além disso.

— Será que o bebê tem um nome? — murmuro sarcasticamente.

— Diesel.

— E a mãe dele?

— Não é da sua maldita conta.

— Isso é evidente, — murmuro.

Ele atira adagas em minha direção. — Faça o seu trabalho e nós vamos ficar bem.

Eu rolo meus olhos e olho fixamente para o pacote em meus braços. Ele é definitivamente como seu pai. Todos os cabelos escuros, olhos castanhos e pele morena linda. Meu palpite, ele tem apenas cerca de dois meses. Ele é pequeno, mole e adorável. Eu não sou uma grande fã de bebês ou crianças, mas este... ele é fofo.

— Seu pai é um arrogante, — murmuro, achando que é melhor não xingar na frente de uma criança. — Mas você e eu vamos conviver muito bem.

Mack grunhe. — Eu estou questionando sua sanidade.

Me viro e olho para ele. — Me desculpe, motoqueiro, mas você é a pessoa que me contratou, sem fazer perguntas.

Ele cruza os braços. Eu empurro meu queixo para cima.

— Basta fazer a porra do seu trabalho.

— Jesus, você é um homem mandão. Estou surpresa que alguém decidiu cruzar com você antes. Yeesh.

Um grunhido gutural baixo deixa a garganta dele, mas eu ignoro. Eu ando em direção ao quarto que Santana disse me pertencia ao bebê antes de todos eles nos deixarem sozinhos. — Vamos lá, bonitão. Seu pai precisa de terapia. A culpa não é dele, ele provavelmente nasceu assim...

— Puta merda, — Mack murmura da cozinha. — Eu acabei de contratar uma doida.

Eu sorrio, entrando na sala. Coloco Diesel na mesinha que contém todas as suas fraldas e o desembrulho. Deus, tão pequeno. Suas perninhas chutam o ar. Eu não faço ideia. Nenhuma. Zero. Eu nem sei como usar uma fralda. Pego meu celular e rolo para baixo até encontrar o nome da minha mãe.

— Olá? — ela responde.

— Ei, mamãe, é Jay.

— Jay, — ela canta. — Eu não ouvi de você em semanas. Como você está, querida?

— Eu estou bem, — eu digo, colocando a mão na barriga de Diesel. Eu não sei se ele vai rolar diretamente para fora da mesa. Eu nem sei se ele pode rolar...

— Você parece cansada. O que está acontecendo?

— Bem, — eu hesito, — Eu consegui um emprego.

— Oh, que maravilhoso. O que é? Aqui vai. — Eu sou uma babá. Silêncio.

Silêncio mortal.

— Você está brincando, certo?

— Não, — eu zombo. — É um ótimo trabalho. Dormir na própria casa. Esse pequeno bebê, ele tem cerca de dois meses e o nome dele é Diesel.

Mais silêncio.

— Oh Deus, como você conseguiu um trabalho como esse? Alguém tem de ajudar o bebê, agora mesmo! Você precisa me chamar alguém... a polícia talvez?

— Jesus, mãe, — eu gemo. — Eu não vou matar a criança.

— Você se lembra o que você fez para a sua prima Lucy?

Eu jogo a cabeça para trás e gemo. — Foi um erro, não fui culpada. Na época, parecia que iria funcionar... Ela estava chorando muito.

— Você amarrou uma cesta nas pilhas de roupas e a colocou lá, então você virou e ela caiu para fora.

— Eu tinha doze anos. Meus instintos maternais não tinham aflorado, — eu protesto.

— Coitada da criança, coitada. Ela nunca mais foi a mesma.

— Ela estava bem! — eu choro. — Houve apenas um machucado na cabeça dela.

— Oh, Deus. Você deve parar. Agora mesmo.

— Bem, eu não vou desistir. Então, eu preciso de sua ajuda.

— Você vai para a prisão.

— O quê? Mamãe!

— Você vai fazer coisa pior. Esse pobre bebê. Ele é jovem demais para morrer.

Eu rolo meus olhos e suspiro. Diesel começa a coaxar sobre a mesa, se contorcendo desconfortavelmente. — Mãe, preste atenção. Eu preciso saber como cuidar de um bebê.

— Você não pode simplesmente tomar conta de um bebê! Não há instruções. É, oh Deus é tão difícil... Havia uma época em que você comeu ameixas...

— Mãe, — eu choro. — Foco.

— Certo, — ela diz com firmeza. — Eu não posso acreditar que eu estou ajudando com isso. A morte dele estará em mim.

— Jesus, mãe, eu não vou matar a criança.

Ela fica em silêncio e eu sei que ela está sacudindo a cabeça, não acreditando em uma palavra que eu digo.

— Você disse que ele tem dois meses?

— Em torno disso.

— Então ele vai precisar de uma mamadeira a cada três horas.

— A cada três horas!

Ela suspira. — Faça um favor ao mundo e deixe que outra pessoa faça o trabalho.

Eu adoraria, mas o dinheiro é bom demais para deixar passar e eu preciso dele. Me chame de egoísta, mas eu não posso mudar o que precisa ser feito.

— Não, está tudo bem. Três horas está bem.

Adeus dormir, eu vou sentir sua falta. Foi muito bom conhecer você.

— Ele também vai precisar que sua fralda seja trocada e muito. Você precisa verificar a cada poucas horas. Certifique-se de limpar suas, ah, partes corretamente. Você não quer uma infecção. Ah, e não se esqueça do creme para assadura.

— Creme para assaduras?

— É pra ajudar a prevenir as assaduras nas bundinhas deles, pobres pintinhos.

Deus, minha mãe apenas chamam as crianças de... pintinhos.

— Certo. Mamadeira, fraldas, creme para assadura. O que mais?

— Gases! — ela grita. — Gases vão deixar ele irritado. Você precisa dar um tapinha das costas até que ele arrote depois de comer.

Deus.

— Você precisa mantê-lo quente e agradável; está frio lá fora. Envolva ele à noite, isso vai ajudá-lo a dormir. Não coloque ele em seu estômago. Ele poderia parar de respirar.

Oh, cara. Eu não quero que isso aconteça. Talvez eu não sirva para isso. Diesel começa a chorar ao meu lado e eu olho para ele.

— Oh, — mamãe canta. — É ele?

— Sim, ele está chorando. O que eu faço?

— Talvez ele esteja com fome. Você precisa tentar dar comida. Se ele não está com fome, você precisa trocar a fralda. Se isso não funcionar, dê uns tapinhas leves nas costas dele. Ele pode ter gases. Se ainda não funcionar, talvez ele esteja cansado. Dê a ele uma chupeta e mamadeira para dormir.

Meu Deus. Essa coisa de bebê é tenso.

— Tudo bem, — eu digo, quando os gritos de Diesel ficam mais

altos.

— Se você está cuidando de um bebê, não fale ao telefone! — uma

voz late.

Me viro para ver Mack em pé na porta. Ele tem seus braços cruzados e ele está olhando para mim.

— Eu estou recebendo conselhos, — eu indico.

— Eu pensei que você fosse uma babá porra?

— Quem é esse? — minha mãe grita. — E diga a ele para parar de usar esse tipo de linguagem vulgar. Esse não é o pai do bebê, não é? Meu Deus, não...

Eu tiro o telefone do meu ouvido.

— Agora você deixou minha mãe preocupada. Eu sou uma babá, eu só estou recebendo conselhos sobre padrões... ah... de sono.

Ele me dá um olhar cético. — Bem, impeça ele de chorar enquanto você está nisso.

— Você sempre pode vir, eu não sei, pegar ele. Ele é o seu filho. Ele se vira e vai embora.

E sai.

— Jaylah!

Eu suspiro e pressiono o telefone de volta para o meu ouvido. —

Desculpe, mãe, está tudo bem.

— O que está acontecendo? Quem é este homem para quem você está trabalhando?

— Está tudo bem, ele é um pai solteiro.

— Isso não é bom. Nunca é bom.

— Eu vou desligar agora, mãe, — eu digo, porque os gritos da Diesel estão ficando mais altos. — Eu te amo.

Eu desligo antes que ela possa responder. Eu levanto o bebê em meus braços e caminho para a cozinha. Existem algumas mamadeiras na pia, e uma lata de leite em pó ao lado deles. Certo, eu posso fazer isso. Eu giro a lata, lendo a parte de trás. Não parece tão difícil. Eu prendo Diesel em uma mão e abro a lata, lançando uma garrafa e escavo um pouco do pó dentro dele. Eu perco metade do conteúdo sobre o balcão, mas não é ruim para a minha primeira tentativa.

Então eu despejo um pouco de água da chaleira, achando que fervida deve ser melhor. Está muito frio. Merda. Me lembro de minha mãe testar a temperatura em seu pulso, mas como diabos ela sabia o ponto? Acho um copo e o encho com água quente, colocando a mamadeira lá dentro. Eu tenho certeza que eu não deveria usar o microondas. Certo?

Após dez minutos de gritos de Diesel, a garrafa está quente. Eu mexo mais uma vez e corro para o sofá, ajustando ele sem jeito quando eu pressiono a garrafa nos lábios dele. Ele se agarra como um soldado e começa a chupar com uma força que eu nunca vi vindo de algo tão pequeno. Suas pequenas mãos estão fechadas em punhos e seus olhos castanhos estão nos meus.

Meu peito se sente alegre... Este pequeno calor se arrasta através de mim.

Ele é bonitinho.

Enquanto ele está se alimentando, eu puxo o meu telefone e o equilibro em uma das mãos, mandando uma mensagem com um dedo.

Jaylah - Hey Jos! Eu preciso de um favor...

Josie - O que você fez? Você matou o bebê? Você foi sequestrada?

Eu rio e respondo.

Jaylah - Não, ainda não, de qualquer maneira. Eu preciso das minhas coisas. Consegui o emprego, Ebaaa. Poderia ser boazinha e arrumar o básico para mim?

Josie - Porque você não pode vir buscar?

Jaylah - Bem, o pai é uma espécie de mal-humorado. É uma longa história; você vai ver quando você vir.

Josie - Eu acho que não tenho uma escolha. Te vejo logo!

Eu mando mensagem para ela com o endereço e uma lista do que eu quero, então eu solto o telefone no sofá ao meu lado. Diesel está quase terminando sua mamadeira e seus olhos estão se inclinando.

— Uh-uh, amiguinho, — eu digo, cutucando seu rosto suavemente. — Não é hora de dormir ainda.

Ele não responde. Os olhos dele se fecham e ele para de chupar. Ótimo. Eu nem sequer dei banho nele. Me levanto, tirando a mamadeira dos lábios dele. Ele faz alguns movimentos de sucção, em seguida, sua boca instala e faz um som chiado. Então, ele está dormindo. Droga. Eu gostaria de poder dormir tão facilmente.

Eu o levo para o banheiro. Hmmm. Isso é uma grande, grande banheira. Vai ser impossível dar banho nele nisso. Me viro e caminho para fora, chegando ao corredor. Eu não tenho certeza que o quarto pertence ao Capitão Mal-humorado, mas só há alguns então não vai ser difícil de encontrar. Estou certa; é no segundo quarto à direita. Ele está sentado em sua cama, tocando seu violão suavemente.

Oh Deus, ele troca a porra de um violão.

Eu acho que acabei de fazer um pouco de xixi nas calças. Isso é quente.

— Ah, — eu começo e ele encaixa a cabeça para cima, olhando para mim. — Onde eu dou banho nele?

Ele parece confuso. — Onde você costuma tomar banho?

— A banheira é muito funda.

Ele aperta os olhos. — Então, segure ele.

— Eu vou quebrar minhas costas se eu me inclinar sobre isso.

Ele ergue uma sobrancelha.

— Sério? — eu estalo. — Alguma ajuda seria bom.

— Quem está sendo pago aqui?

— Jesus, não importa.

Me viro e começo a andar. Quando passo pela lavanderia, eu vejo um tanque não muito grande lá. Isso vai ser perfeito. Sorrindo alegremente, eu pego uma toalha, encontro um pouco de sabonete para bebê e abro. Eu coloco uma toalha sobre a máquina de lavar roupa e abaixo Diesel. Eu começo a despi-lo, mas paro quando eu começo a tentar tirar a pequena camisa sobre a cabeça.

Merda.

Eu começo a puxar, mas não passa da cabeça.

Merda. A cabeça dele é grande demais para este pequeno buraco.

Quem inventou essa roupa?

Eu franzo os lábios e uso os dedos para esticá-la tanto quanto eu posso, deslizando-a sobre a cabeça dele. Ele acorda e começa a chorar, suas pequenas pernas se debatendo. — Sinto muito! — eu grito, erguendo o corpo do bebê nu em meus braços. Ahim, ele é tão pequeno, tão pequenininho. — Eu não tive a intenção de te machucar. É a camisa...

Eu estou falando com um bebê. Perdi a cabeça.

Eu ponho um dedo na água. Está quente, então eu gentilmente abaixo Diesel. Seu corpo rapidamente se torna escorregadio e eu tenho que usar minhas duas mãos para me certificar de que ele não afunde. Eu viro o corpinho dele gentilmente, deixando a água correr. Ele para de chorar e começa a fazer sons para mim. Oh Deus.

— Está tudo bem, homenzinho, — eu digo, sorrindo. — Você vai crescer e ser um super cara.

Ele murmura e meu coração se derrete um pouco mais. Quem iria imaginar que os bebês eram tão fofos? Eu o lavo o melhor que posso e, em seguida, o levanto para fora da água. Os gritos começam de novo; alguém não gosta de ser tirado do banho. Eu rapidamente envolvo ele em uma toalha e o levo em seu quarto, colocando-o sobre essa mesa

novamente. Eu tenho certeza que há um nome para isso; eu só não sei o que é.

Eu coloco a mão em sua barriga e me inclino para baixo, pegando uma fralda e uma roupa quente. Quando me levanto, alguma coisa cai no meu olho... meu Deus... o bebê está fazendo xixi no meu olho! Eu grito bem alto, querendo saltar para trás, mas não querendo que ele caia da mesa. Ele continua a jorrar em mim, e meus gritos se tornam mais altos enquanto a urina quente é espirrada sobre o meu rosto.

— Que porra é essa?

— Ele está fazendo xixi em mim! — eu grito. — Seu filho está fazendo xixi em mim. Segure ele, oh meu Deus, meu olho!

Silêncio.

Em seguida, uma risada alta.

— Você é horrível... horrível... horrível... Ele ri mais alto.

— Você vai segurar ele? Eu estou ficando cega!

— Você tem que aprender. Divirta-se com isso.

Então eu ouço seus passos pesados quando ele sai. Sério? Sério?

— Você vai pagar por isso, — eu grito. — Haverá uma doce, doce vingança."

Mais risos.

— Doce vingança. Oh Deus, me ajude.

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