Te Amo, Mais De Cem Anos

Nina colocou o cinto de segurança e mordeu seu lábio ao tentar absorver os acontecimentos. "Você é minha!"

Ela olhou Bobby enquanto ele dirigia, notando o olhar de raiva daquele homem. Ela duvidava seriamente que tivesse batido a cabeça antes do acidente, Bobby estava presente em diversas plataformas há anos. Ela sempre sonhou em viver aquilo, e até mesmo em ouvir coisas como as que ela ouviu. Ela não acreditava ter ouvido aquilo!

Mas naquele caso ela não tinha opção, afinal tudo ali fora ideia de Daisy. Pensando bem, já que ela precisaria se submeter a tudo aquilo, era melhor que fosse com alguém como Bobby, e não com qualquer estranho. Afinal, ele era muito bonito. Ela só estava preocupada em estar bonita, pois nem em um milhão de anos ela esperava tamanha reviravolta.

Quando aceitou aquela proposta, ela imaginou que fosse apenas uma noite. Não esperava ver a pessoa novamente, e muito menos que aquela pessoa fosse seu ídolo.

'De jeito nenhum! Eu não consigo fazer isso!', ela disse a si mesma. Mesmo assim ela olhou para ele. "Senhor Bobby, sobre o que você disse antes..."

"O quê? Acha que não posso calcular o preço?", Bobby perguntou friamente, olhando para frente, enquanto Nina sentia borboletas em seu estômago. Então ela mordeu o lábio e tomou forças novamente: 'Não, ele não deve pagar! Você vai se sentir mal quando se lembrar disso no futuro? Acho que não!', a garota ponderou.

"Marquei um encontro com outra pessoa, não devo perder o compromisso." Era só uma desculpa esfarrapada, e ela sabia muito bem, Bobby virou-se com ódio em seu olhar. "Vai fingir ser profissional agora?", ele retrucou.

"O quê?", Nina respondeu, confusa. Antes de ver qualquer outra coisa sentiu um zumbido, alterando o clima silencioso em que estava até então. Ela percebeu a mão do homem levantar antes de ficar com visão turva, sucumbindo à escuridão em pouco tempo. Seu cinto de segurança era a única coisa que a mantinha firme no momento, Bobby colocou a mão em seu pescoço antes de fazê-la se apoiar no encosto de cabeça. Com seus olhos fechados, a garota parecia tímida e submissa, então ele retirou as mãos de onde estavam e colocou em seu fone de ouvido. "Adiante."

Nina ficou surpresa ao sentir que a água a cobria por inteiro, o som do líquido tomando seus ouvidos era suficiente para lhe despertar de seu sono profundo. Ela abriu os olhos, apenas para imediatamente fechá-los pela pressão da água.

"Socorro! Alguém me ajude!", a garota gritou desesperadamente. Então colocou a mão à frente de seu rosto, tentando de proteger dos jatos de água. Quando se acalmou, ela percebeu a presença de um homem sorrindo ao lado da banheira.

"Ajuda? Acha que vou te comer?"

Aquela voz grave era magnética como sempre, o que a fez lembrar de entrevistas que aquele homem já havia dado. Naquela hora a voz geralmente calmante não fez nada para aliviar a ira que sentia. Ela tentou, mas não conseguiu, lembrar-se como acabou naquela banheira. E agora ela estava encharcada!

Inconscientemente, Nina cobriu os seios, encolhendo os ombros sob o olhar intenso do homem, seu vestido branco totalmente translúcido por conta da água. Ela sentia o olhar penetrante de Bobby em sua pele úmida.

"Pegue!" Bobby jogou uma esponja em Nina. "Lave-se antes de sair, vou esperar lá fora." Ele seguiu para deitar-se na cama; havia apenas uma fina e translúcida parede que separava o banheiro do quarto.

Seu coração batia cada vez mais forte, engoliu em seco tentando acalmar-se. "Como vou tomar banho com você me olhando do quarto?"

Ela nunca se sentiu tão exposta como naquele momento, e olhou que ela já havia passado por poucas e boas. Ela se orgulhava em ser forte, mas com certeza teve sorte em estar ali. Afinal ela passaria a noite com um homem bonito, não alguém feio e vulgar. Era apenas que... aquele banheiro de vidro a deixava sem jeito.

"O que tanto pensa? Quer ajuda?" A voz de Bobby cortou a linha de pensamento de Nina, então ela finalmente abriu o chuveiro, tomando um susto quando a água entrou em contato com sua pele. As lágrimas rolaram pelo seu rosto, pensando que aquela reação fora a gota d'água.

Bobby piscou e pegou o controle da televisão para mudar de canal.

Com sua visão periférica, ele notou que Nina estava no canto da banheira parecendo um gato molhado. Então os seus lábios se contraíram. "Você ainda está com aquele vestido? Estou impressionado."

Ao ouvir aquilo, algo mudou dentro de Nina, a fazendo levantar-se e despir-se. Ela respirou fundo se preparando para a noite que estava por vir, enquanto os dedos de Bobby apertavam o controle remoto com ainda mais firmeza. Não conseguindo controlar seus desejos, largou o controle remoto e seguiu ao bar para tomar uma taça de vinho tinto.

Em seguida, caminhou à janela francesa com a taça em mãos. O horizonte da cidade brilhava feito diamantes. Tudo era belo aos seus olhos frios e insensíveis.

Enfim Bobby ouviu a porta do banheiro abrir, então virou a cabeça e viu Nina enrolada nas toalhas, como se os tecidos fossem protegê-la do que estava por vir.

A intuição de Bobby o fez perguntar. "É a sua primeira vez?"

Nina ficou vermelha, concordando envergonhada.

Então, apontando para a taça de vinho no bar, Bobby respondeu: "O vinho ajuda a acalmar os nervos, beba alguma coisa."

Nina o ouviu e notou o vinho. "Eu não bebo nada alcoólico", confessou.

Então Bobby sorriu com a resposta inocente da garota e deixou sua taça de lado. Ele então se aproximou e retirou a toalha envolta dos cabelos dela.

Nina estava morrendo de medo, seus músculos contraíam em pavor. Um pouco mais e ela cairia no choro.

"Não sou do seu gosto? Por que está tão tensa?" Só as palavras dele já a deixaram sem forças. "Não, não é isso! É só que…"

"O quê?", ele chegou mais perto dela.

"Eu não estou pronta…"

Nina notou o corpo de Bobby enrijecer de surpresa, mas antes de mais nada ela sentiu a mão dele tocar seu rosto. Ele tirou alguns fios de cabelo do rosto dela e gentilmente enxugou suas lágrimas. Ele a olhou com seus intensos olhos verde-acinzentados. "Você quer que eu te libere, não é?"

Sua voz era tenra, ela queria responder com um sim, mas ela se lembrou das razões que a levaram a estar ali. Ela engoliu seus medos ao sentir algo mudar dentro de si, e com voz trêmula respondeu: "Não, eu só peço que seja gentil."

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