Te Amo, Mais De Cem Anos

"Ser gentil", Bobby repetiu e Nina balançou a cabeça em acordo. Ele tentou dar um sorriso adorável mas falhou miseravelmente, afinal ainda não demonstrava nenhuma emoção. "Sinto muito mas isso não posso prometer."

De repente, ele se aproximou do ombro dela com seus olhos brilhantes. Então ele sentiu seu aroma. "Não há nenhum vestígio daquele perfume enjoativo."

Nina sentiu-se desconfortável com a aproximação dele. Ela queria gritar e puxá-lo para longe, mas seus motivos em estar ali falavam mais alto. Então, ela suprimiu aquele desejo. Além disso, ela não fazia ideia do que causara o mau humor dele. Aquela era a primeira vez que ela lidou com alguém de classe alta, então não conseguia prever as reações dele. Ela apenas sabia que não deveria contrariar o homem, afinal o futuro de seu irmãozinho estava nas mãos dele.

Nina não sabia muita coisa sobre sexo, só sabia que deveria obedecer e deixá-lo fazer o que desejasse com ela.

Ela tinha como referência cenas de filmes e livros; a realidade não poderia ser lá muito diferente.

Rapidamente Nina notou que o álcool estava afetando sua habilidade de pensar. Ela não tinha muita tolerância ao álcool, e ainda não entendia a razão pela qual Bobby a olhava com aquele olhar frio.

Ela estava confusa. Inconscientemente, ela franziu a testa, causando Bobby a se afastar. Nina estava com os nervos à flor da pele, com seus nervos e coração a mil. Bobby levantou as sobrancelhas ao notar um tecido lilás sob a toalha. "Você vestiu novamente?", ele perguntou com raiva.

Ela mordeu o lábio em sinal de apreensão, afinal não sabia o que diria. Ela sabia que não era necessário vestir-se novamente, mas sem as roupas saberia que não teria coragem de deixar o banheiro.

"Esta toda molhada. Não é desconfortável?"

"Não", disse Nina ficando cada vez mais vermelha de vergonha.

"Então, aquele homem iria te pagar quanto, afinal?", ele perguntou.

"Trezentos mil", não totalmente focada por conta de toda aquela tensão no ar. Ela esperou uma reação de Bobby, mas ele apenas deu um sorrisinho forçado. Porém ele não revelou o que fez sorrir. Ele parecia uma criança travessa zombando dela.

Ele arqueou a sobrancelha e pressionou um botão que ficava ao lado da cama. As cortinas rapidamente se fecharam, deixando o quarto em completa escuridão, exceto pelas luzes neon do topo das janelas.

Nina certamente nunca teve tanta dor em seu corpo quando a que sentiu na manhã seguinte. Fechou os olhos com força após retirar os cobertores de cima de seu corpo.

Embora tivesse acordado, ela não atrevia abrir os olhos. Ela sequer se lembrava do que teria acontecido na noite anterior. Apenas se lembrava de ter dado um gole em uma taça de vinho tinto, o que não era uma boa ideia, afinal tinha pouca resistência a álcool.

Bip! Bip! Bip! Com seu celular tocando seria impossível continuar a fingir que dormia. Ela empurrou a colcha para o lado e buscou seu celular dentro de sua bolsa.

Envergonhada, ela notou que era apenas seu despertador. Ela não sabia se tinha ou não incomodado Bobby com o barulho. No entanto, ela finalmente percebeu que ele não estava na cama.

Nina se ajustou.

Suspirou, sentindo-se aliviada. Ela olhou por todo o quarto para se certificar que ele realmente não estaria lá e só depois retornou para a cama.

'Ele foi embora...'

Ela não sabia se ficava feliz ou desapontada com a situação.

Ela pressionou as têmporas doloridas pelo álcool que consumira até que se lembrou de algo. Ela correu para acama e levantou os cobertores, vendo sangue nos forros.

Ela ficou atordoada em ver a macha, e resolveu tocá-la como se para ter certeza que estava lá. Sem perceber, as lágrimas já estavam escorrendo por seu rosto.

"Por qual motivo está chorando? Você que decidiu. Ele pelo menos é um homem de palavra, certo?" Nina secou as lágrimas ao se lembrar do que receberia em troca por aquela noite. Ela levantou novamente e olhou à sua volta. Desta vez ela notou um papel e uma caneta na mesinha de cabeceira; era um cheque e um cartão de visitas. No cartão o nome de Bobby e outras duas palavras: seu pagamento.

Pagamento.

Nina ficou apreensiva ao pegar o cheque em suas mãos. O que ela leu escrito naquele pedacinho de papel não fazia nenhum sentido.

"Um milhão?"

Ela passou a mão pelos cabelos e olhou o cartão de visitas. Ela hesitou por alguns instantes antes de enviar uma mensagem para o número de celular impresso naquele cartão. "O valor é trezentos mil. Você pagou mais do que deveria."

Após um minuto ela recebeu a resposta. "É tudo seu."

Nina leu múltiplas vezes até entender. "Obrigada. Você é uma boa pessoa."

Bobby leu a mensagem e não compreendeu. 'Uma pessoa boa? É sinceridade ou sarcasmo?

Ele suspirou e deixou seu celular de lado. Então ele pegou o telescópio de alta potência com as mãos enluvadas e olhou para longe. A cortina permanecia fechada na sala oposta.

Ele sorriu discretamente. Foi quando Bobby largou o telescópio, deu poucos passos para trás e abriu uma válvula de gás, saindo da sala e deixando dois corpos para dormirem eternamente.

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