Ponto de Vista de Alina Oliveira:
"Eu não toquei nela", tentei explicar, minha voz tremendo com uma mistura de raiva e incredulidade. Mas ele me interrompeu, seus dedos cravando no meu pulso até eu gemer de dor.
"Não minta para mim, Alina."
Ele me arrastou pelo tapete da sala, forçando-me a ficar na frente de Fabiana, que agora soluçava delicadamente em suas mãos. "Peça desculpas", ele rosnou, sua mandíbula tensa.
Foi isso. Aquele foi o momento. A última brasa de calor que eu guardava por ele em meu coração se extinguiu, não deixando nada além de cinzas frias e mortas. Oito anos de amor, de sacrifício, de acreditar nele — tudo se foi.
"Por quê?", sussurrei, minha voz falhando. "Por que você não acredita em mim? Caio, sou eu. Fui eu por oito anos. Você sabe que eu não faria isso."
A dor crua na minha voz o fez hesitar por um momento. Por uma fração de segundo, vi um lampejo do homem que eu costumava amar em seus olhos — uma breve hesitação.
Mas desapareceu tão rápido quanto apareceu. Fabiana, uma manipuladora mestre, aproveitou a oportunidade. Ela deu outro tapa no próprio rosto, ainda mais forte desta vez. "A culpa é minha", ela chorou, sua voz embargada de falsa culpa. "Eu não deveria ter ficado entre vocês. Caio, eu vou... eu vou arrumar minhas coisas e me mudar. Não quero ser um fardo."
A ameaça era clara. O investimento dela, a startup dele, todo o seu futuro — tudo estava ligado a ela.
A hesitação de Caio evaporou, substituída por uma nova onda de fúria dirigida inteiramente a mim. "Veja o que você fez?", ele rugiu.
Com um empurrão violento, ele chutou a pequena mesa de centro entre nós. Ela deslizou pelo piso de madeira e bateu na parede. O porta-retrato em cima — nossa primeira foto juntos, tirada há oito anos, o braço dele em volta de mim, seus olhos brilhando com o que eu confundi com amor — caiu no chão, o vidro se estilhaçando em mil pedaços.
Eu encarei a imagem quebrada no chão. O rosto sorridente dele, agora fraturado além do reparo. O simbolismo era tão dolorosamente óbvio que parecia uma cena de um filme ruim.
Lentamente, enxuguei as lágrimas das minhas bochechas. Olhei para o vidro quebrado, depois para ele. Sem outra palavra, passei por cima da bagunça e saí da sala. Eu cansei de tentar colar os pedaços de algo que estava tão completa e irrevogavelmente quebrado.
Na noite seguinte, meu celular vibrou com uma mensagem dele. "Jantar em família na casa dos meus pais hoje à noite. Esteja lá."
Antes que eu pudesse digitar uma recusa, outra mensagem chegou. "Sua mãe já está aqui."
Meu sangue gelou. Minha mãe, Dona Elza, tinha uma condição cardíaca grave. Qualquer estresse, qualquer sinal de problema entre Caio e eu, poderia ser catastrófico. Ele sabia disso. Ele a estava usando como uma arma.
Engolindo meu orgulho e minha dor, coloquei uma máscara de coragem e dirigi até a casa dos pais dele. No momento em que vi minha mãe, seu rosto se iluminou com um sorriso amoroso que quase me quebrou. "Alina, meu bem! Aí está você. Onde está o Caio? Pensei que vocês viriam juntos."
Antes que eu pudesse formular uma mentira, ele apareceu na porta. E não estava sozinho. Fabiana estava agarrada ao seu braço, vestida com um elegante vestido de noite. Ela sorriu para minha mãe. "Elza, você está maravilhosa esta noite!"
Minha mãe, abençoado coração inocente, sorriu de volta. "Fabiana, que bom te ver. Alina, eu não sabia que sua amiga vinha."
O sorriso de Caio era tenso, falso. "Fabiana é mais do que uma amiga, ela é praticamente da família", disse ele, seus olhos fixos nos meus com uma ameaça silenciosa. "Na verdade, a Alina deve a ela um pedido de desculpas por um mal-entendido ontem."
Ele me puxou de lado, seu aperto no meu cotovelo me machucando. "Faça", ele sibilou, sua voz baixa e ameaçadora. "Peça desculpas a ela na frente de todo mundo, ou eu juro por Deus, eu vou dizer à sua mãe que o casamento está cancelado. Aqui mesmo, agora."
O mundo girou. Olhei para minha mãe, rindo e conversando com o pai de Caio, completamente alheia. A ideia dela desmaiar, do pior acontecer por minha causa... era insuportável.
Meu orgulho era um preço pequeno a pagar pela vida dela.
Caminhei até Fabiana, meu corpo se movendo como se estivesse debaixo d'água. "Fabiana", eu disse, o nome com gosto de veneno. "Me desculpe."
Seu sorriso era triunfante. Ela pegou uma taça de champanhe de uma bandeja que passava e a estendeu para mim. "Desculpas aceitas, querida. Vamos beber para selar."





