Renascer das Cinzas, Encontrar um Amor

Ponto de Vista de Alina Oliveira:

Eu recuei instintivamente. "Não posso. Sou alérgica a álcool."

Era verdade. Uma alergia severa. Um gole poderia me levar a um choque anafilático. Caio sabia disso melhor do que ninguém.

O rosto de Fabiana se contorceu em uma máscara de tristeza teatral. "Oh, céus. Estou te deixando desconfortável de novo? Talvez eu devesse ir embora", ela fungou, virando-se para Caio com olhos grandes e suplicantes.

O rosto dele escureceu de raiva. Os olhos de seus pais, da minha mãe e dos convidados estavam todos em nós. "Alina, não faça uma cena", ele rosnou, sua voz um grunhido baixo que só eu podia ouvir. "Apenas beba."

Uma memória emergiu, nítida e amarga. Anos atrás, em uma festa da faculdade, um playboy bêbado tentou forçar uma cerveja na minha mão. Caio o derrubou com um soco sem pensar duas vezes, sua voz ecoando com fúria protetora. "Ela disse não. Você é surdo?" Ele me abraçou a noite toda, sussurrando como nunca deixaria ninguém me machucar.

A ironia era uma dor física no meu peito.

Com as mãos trêmulas, peguei a taça de Fabiana. Fechei os olhos, pensei no rosto sorridente da minha mãe e bebi o líquido borbulhante de uma só vez. O gosto era ácido, um prenúncio do veneno se espalhando pelas minhas veias.

Levou menos de cinco minutos. Primeiro veio a coceira, depois as urticárias vermelhas e raivosas florescendo na minha pele. Minha garganta começou a fechar, minhas respirações se tornando ofegantes e superficiais.

O pânico brilhou em meus olhos, mas eu não podia chamar uma ambulância. Não podia arriscar que minha mãe me visse assim, não podia arriscar o choque em seu coração frágil.

Caio, vendo a gravidade da minha reação, finalmente agiu. Ele me pegou nos braços e me levou para o carro, seu rosto uma máscara de preocupação forçada.

Enquanto ele acelerava em direção ao hospital, ele não se desculpou. Ele a defendeu. "A Fabiana não sabia, Alina. Ela se sente péssima. Ela é apenas uma pessoa muito direta, não quer fazer mal."

Eu estava caída contra a porta do passageiro, fraca demais para discutir, o som de sua voz irritando meus nervos à flor da pele. Eu queria gritar, rir do absurdo de tudo aquilo. Em vez disso, não disse nada, um silêncio amargo preenchendo o espaço entre nós.

No hospital, eles me colocaram em um soro intravenoso. Os anti-histamínicos fizeram sua mágica, e o aperto sufocante no meu peito lentamente aliviou. Exausta, caí em um sono agitado.

Acordei no meio da noite com uma dor aguda e ardente nas costas da mão. Meus olhos se abriram. O quarto estava escuro e vazio. Caio tinha ido embora. Olhei para a minha linha de soro; sangue vermelho escuro estava fluindo de volta pelo tubo. O soro tinha acabado.

Tateei em busca do botão de chamada da enfermeira preso ao meu travesseiro. Pressionei-o repetidamente, mas ninguém veio. Um pavor frio me invadiu. Estava quebrado.

Com um gemido, forcei meu corpo fraco a sair da cama, o suporte do soro balançando ao meu lado. Eu tinha que conseguir ajuda. Tropecei até a porta e empurrei, mas ela não se moveu. Algo a estava bloqueando do lado de fora.

O pânico arranhou minha garganta. Bati na porta, minha voz rouca. "Olá? Tem alguém aí? Socorro!"

Meus gritos foram respondidos não por uma enfermeira, mas por um som do quarto ao lado. O gemido ofegante de uma mulher, seguido pelo grunhido baixo de um homem.

Os sons eram nauseantemente familiares.

Caio. E Fabiana.

Eles estavam no quarto ao lado. Ele me deixou, com meu soro correndo ao contrário e o botão de chamada quebrado, para ficar com ela. Ele me trancou.

Caí no chão, de costas para a porta, e escutei. Chamei por ajuda a noite toda, minha garganta ficando em carne viva, meus punhos se machucando contra a madeira inflexível. E a noite toda, os sons do quarto ao lado continuaram, uma trilha sonora grotesca para minha desolação absoluta.

Assim que os primeiros raios do amanhecer pintaram o céu, a obstrução do lado de fora da minha porta foi movida. Caio entrou, parecendo revigorado e satisfeito, uma presunção em seus olhos que ele não se preocupou em esconder.

Então ele viu o sangue nas costas da minha mão, as trilhas de lágrimas secas no meu rosto. Sua expressão mudou instantaneamente para uma de profunda preocupação. "Alina! Meu Deus, o que aconteceu? Por que você não chamou uma enfermeira?"

Eu apenas o encarei, meu coração uma coisa morta e pesada no meu peito. Eu não tinha mais energia para sentir raiva, apenas um vazio profundo e oco.

Enquanto ele se inclinava sobre mim, fingindo preocupação, senti o cheiro dela nele — o mesmo perfume caro e enjoativo que Fabiana sempre usava. O cheiro encheu meus pulmões, e eu vomitei, virando a cabeça para ter ânsias secas no chão frio de linóleo.

Ignorando meu óbvio desconforto, ele se apressou, chamando por médicos, interpretando o papel do noivo devotado com uma perfeição doentia.

Assim que uma enfermeira chegou, meu celular, que estava na mesa de cabeceira, começou a tocar. Era o síndico do prédio da minha mãe. Sua voz estava frenética.

"Sra. Oliveira? Você precisa vir aqui imediatamente. É a sua mãe. Houve um acidente."

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