O Veneno na Paella

Estava grávida de cinco meses, o meu ventre, uma promessa.

Um jantar de família, a paella de marisco que a minha sogra insistiu que provasse.

Acordei num quarto de hospital, o cheiro a antisséptico sufocante.

O vazio no meu útero era o que me dilacerava.

O meu bebé tinha-se ido.

A enfermeira confirmou o choque anafilático.

Procurei Marcos. A sua voz, irritada, ao telefone: "Estou ocupado, a Sofia não está bem."

Ele estava a consolar a mulher que me envenenou intencionalmente.

Um camarão no meu prato, apesar da minha alergia mortal.

"Um acidente?", ele disse.

Mas Sofia olhou-me nos olhos enquanto eu lutava para respirar.

A minha sogra assistiu, sorrindo.

Eles mentiram, negaram. Quando pedi o divórcio, tentaram destruir-me.

A difamação queria pintar-me como louca, apagar-me.

Como podiam ser tão cruéis?

No meu desespero, uma fúria fria acendeu-se.

Não seria vítima.

Gravei a ameaça de Marcos.

Uma testemunha inesperada apareceu.

Eles subestimaram-me.

A sua guerra acendeu a minha.

Isto não era apenas um divórcio, era justiça.

A verdadeira batalha ia começar.

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