Nº 2
De pé, junto à janela que ia do chão ao teto, ela observava a silhueta pequena e elegante do Maybach se afastar no trânsito da Fifth Avenue. Eles tinham partido.
Martha, a governanta, apareceu na porta, torcendo as mãos no avental. "Sra. Holloway? Eu... o Sr. Holloway disse para não esperar para o jantar."
Eulalie assentiu, com os olhos fixos na mala Rimowa fechada perto do armário. Parecia um objeto estranho, um intruso no quarto impecável. "Tudo bem, Martha. Pode ir."
"Mas-"
"Vá", disse Eulalie suavemente.
Quando o apartamento ficou verdadeiramente vazio, o ar pareceu rarefeito demais. Eulalie se levantou, ofegante. Precisava sair. Não conseguia respirar naquele mausoléu de seda bege e indiferença.
Ela pegou o casaco e saiu, sem esperar pelo elevador, descendo os trinta andares pela escada de serviço. Suas pernas ardiam, uma distração bem-vinda para a dor em seu peito.
Ela caminhou sem rumo por quarteirões, o vento frio cortando suas bochechas. Seus pés a levaram no piloto automático em direção à fileira de restaurantes do Upper East Side. Ela se viu parada do outro lado da rua do Le Jardin, um bistrô francês com estrelas Michelin e janelas do chão ao teto.
Era o lugar favorito de Elara para comer suflê.
Eulalie se escondeu atrás do tronco grosso de um plátano, levantando a gola do casaco. Através do vidro, o restaurante brilhava como uma lanterna dourada e quente na noite escura.
E lá estavam eles.
Mesa 4. A melhor mesa.
Caden estava cortando um bife, seus movimentos precisos, elegantes. Em frente a ele, sentava-se Adalynn. Ela usava um vestido da cor de sangue fresco, com lantejoulas que capturavam a luz das velas. Ela jogou a cabeça para trás, rindo de algo que Caden disse, sua mão se estendendo sobre a mesa para tocar o pulso dele.
Elara sentava-se entre eles, uma pequena rainha em seu trono.
Eulalie observou enquanto Adalynn pegava uma colherada enorme de mousse de chocolate e a oferecia a Elara. Elara abriu a boca, aceitando-a avidamente, o chocolate manchando seu queixo. Adalynn limpou com um guardanapo, com uma voz melosa.
Era um quadro perfeito. Uma mãe, um pai, uma filha.
Exceto que a mãe era a mulher errada.
O celular de Eulalie vibrou em seu bolso. Uma notificação. *Adalynn Pennington acabou de adicionar ao seu story.*
Seus dedos tremeram enquanto ela desbloqueava a tela. Ela tocou no anel colorido ao redor da foto de perfil de Adalynn.
O vídeo começou. Foi filmado da perspectiva de Adalynn na mesa. A câmera focou em Elara, que estava abraçando o pescoço de Adalynn.
"Diga para a câmera, Elara", a voz de Adalynn ronronou dos alto-falantes do celular. "Quem é a sua favorita?"
Elara sorriu, seus dentes cobertos de chocolate. "É a Adalynn! Tia Adalynn é um milhão de vezes melhor que a mamãe. A mamãe é má. Ela me faz comer brócolis. Você é a melhor!"
A câmera se moveu para Caden. Ele estava girando o vinho em sua taça, olhando para elas com um sorriso relaxado e indulgente. "Coma, garota. Não há sargentos instrutores aqui esta noite."
O vídeo terminou.
Eulalie abaixou o celular. O mundo girou em seu eixo.
Má.
Ela pensou nas horas que passou pesquisando sobre nutrição. Pensou nas noites em que ficou acordada segurando a mão de Elara durante febres enquanto Caden estava "em uma conferência". Pensou na disciplina que impôs para que sua filha não se tornasse uma pirralha mimada.
Para Elara, aquilo não era amor. Era opressão. A negligência açucarada de Adalynn era amor.
Uma rajada de vento atravessou seu casaco, gelando-a até os ossos. Ela sentiu náuseas. Virou-se, afastando-se da janela, tropeçando às cegas. Seu ombro bateu com força em um transeunte.
"Olha por onde anda!", o homem rosnou.
"Desculpe", ela ofegou, começando a correr. Correu até seus pulmões arderem, fugindo da imagem daquela família feliz e roubada.
De volta à cobertura, Eulalie não acendeu as luzes. Ela foi direto para o escritório de Caden. O cheiro de seus charutos pairava no ar, antes reconfortante, agora sufocante.
Ela se ajoelhou diante do cofre de parede escondido atrás de uma pintura de paisagem. Seus dedos discaram a combinação. 10-14-05. Seu aniversário. Caden a havia definido anos atrás porque disse que nunca a esqueceria.
A ironia tinha gosto de bile.
A pesada porta de aço se abriu com um clique. Dentro, empilhado sob escrituras e títulos, havia um envelope pardo. Ela o puxou para fora.
O Acordo de Divórcio. Redigido há seis meses, depois que Caden perdeu o aniversário deles para ir à festa no iate de Adalynn. Ela nunca o havia mostrado a ele. Tinha tido medo. Medo de perder Elara.
Ela levou os papéis para a escrivaninha e acendeu a luminária de latão. A luz se concentrou nas páginas brancas e austeras.
Ela folheou até a seção de custódia. Parágrafo 4, Cláusula B. *Guarda compartilhada solicitada, com residência primária para a Mãe.*
Eulalie destampou uma caneta-tinteiro. A tinta era preta, permanente.
Ela se lembrou da voz de Elara. "Um milhão de vezes melhor que a mamãe."
Se ela lutasse pela guarda agora, sem emprego, sem casa própria e com o exército de advogados de Caden, ela perderia. E mesmo que ganhasse, Elara a odiaria. Ela seria a vilã que a afastou da tia divertida e do pai rico.
A mão de Eulalie pairou sobre o papel. Uma lágrima finalmente escapou, quente e ardente, caindo na página.
Então, ela traçou uma linha preta e nítida através da cláusula de custódia.
Ela riscou o pedido de pensão alimentícia. Riscou o pedido da casa.
Ela não estava levando nada. Estava deixando-os um para o outro. Era a única maneira de se salvar.
Ela entrou no quarto de Elara. O chão estava coberto de brinquedos de plástico que piscavam e apitavam — presentes de Caden. No canto, acumulando poeira, estavam os kits LEGO Mindstorms que Eulalie havia comprado para ensiná-la a programar.
Ela pegou a caixa do novo robô programável que havia comprado para esta noite. Caminhou até o duto de lixo no corredor e o empurrou para dentro.
Clang. Clang. Clang.
O som dele batendo no fundo ecoou pelo duto.
Ela voltou para a sala de estar. Seu celular vibrou novamente. Uma mensagem direta de Adalynn.
"Melhor festa de lançamento de todas com minhas pessoas favoritas! Obrigada por me deixar roubar a cena no seu aniversário. Espero que esteja se divertindo muito sozinha, maninha."
Eulalie encarou a tela. Não digitou uma resposta. Segurou o botão de ligar/desligar.
"Deslize para desligar."
A tela ficou preta. Seu reflexo no vidro escuro a encarava de volta — olhos secos, mandíbula cerrada. A mulher chorosa da rua havia desaparecido.
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