Nº 3
Eulalie Bradford.
Não Holloway. Nunca mais Holloway.
Ela pousou a caneta, o metal frio contra sua pele febril. Lentamente, estendeu a mão para a aliança. O solitário de diamante de quatro quilates parecia um grilhão. Ela o girou. Ele prendeu por um momento no nó do dedo, resistindo, antes de deslizar para fora.
A pele por baixo estava pálida, marcada. A sombra de um anel.
Ela o ergueu contra a luz. A inscrição interna — "C&E Para Sempre" — brilhou zombeteiramente. Ela deixou o anel cair no envelope grosso junto com os papéis. Fez um baque surdo ao atingir o fundo.
Ela pegou um marcador preto e escreveu na frente do envelope em letras de forma: "PARA CADEN - URGENTE".
Às 22h30, o Maybach dos Holloway parou silenciosamente junto ao meio-fio. Carter, o assistente de Caden, abriu a porta traseira e soltou o cinto de Elara, que dormia em sua cadeirinha. Ele carregou o corpo pequeno e quente para dentro do prédio e a entregou para Martha.
"O Sr. Holloway e a Sra. Pennington foram a um clube privado", disse Carter suavemente. "Ele voltará muito tarde."
Martha assentiu, com uma expressão séria, e levou a criança escada acima. Carter se foi com o carro vazio, desaparecendo na noite.
A porta da frente apitou. 2h15 da manhã.
Eulalie enrijeceu. Ela desligou a lâmpada, pegando o envelope. Saiu do escritório no exato momento em que Caden entrou cambaleando no hall de entrada.
Ele fedia a gim caro e ao perfume enjoativo de Adalynn. Sua gravata estava desfeita, pendendo solta em seu pescoço. Ele piscou para ela, com os olhos turvos.
"Ainda acordada?", ele arrastou um pouco as palavras, apoiando-se na parede para tirar os sapatos. "Não comece, Eulalie. Estou exausto."
Eulalie permaneceu a três metros de distância. Não se moveu para pegar seu casaco. Não perguntou se ele queria água.
Ela colocou o envelope sobre o aparador de mármore perto da porta. "Caden. Tenho algo para você."
Ele acenou com a mão em desdém, passando por ela em direção às escadas. "Seja o que for, pode esperar. Estou com dor de cabeça."
"É importante", disse ela, com a voz firme, cortando a névoa dele. "É sobre o nosso futuro."
Caden parou, com um pé no primeiro degrau. Ele se virou, um sorriso de escárnio curvando seu lábio. "Futuro? Desde que você pare de se lamentar e aja como uma esposa, seu futuro está ótimo. Eu cuido de tudo, não cuido?"
Ele nem sequer olhou para a mesa. Pensou que ela estava lhe entregando um folheto de férias ou uma conta da mensalidade de Elara.
"Boa noite, Caden", disse ela.
"É, é", ele murmurou, arrastando-se escada acima.
Eulalie foi para o quarto de hóspedes. Não dormiu. Às 5h da manhã, estava de pé. Fez duas malas. Sem vestidos de grife. Sem joias que Caden havia comprado. Apenas seus jeans, seus moletons e um pequeno disco rígido (HD) fortemente criptografado que ela mantinha escondido no fundo de sua gaveta de roupas íntimas. Ela verificou a trava biométrica do disco. Piscou em verde. Este era seu salva-vidas, a única coisa nesta casa que era verdadeiramente sua.
Martha estava na cozinha, preparando o café. Ela deu um pulo quando Eulalie entrou com as malas.
"Sra. Holloway?"
Eulalie caminhou até o hall de entrada e apontou para o envelope na mesa. "Martha. Quando o Sr. Holloway acordar, entregue isto a ele. Coloque na mão dele. Diga a ele que eu fui embora."
Os olhos de Martha se arregalaram. "Foi embora? Mas... para onde? A menina Elara vai perguntar por você."
O sorriso de Eulalie era frágil. "Ela não vai. Se perguntar... diga a ela que eu quero que ela seja feliz."
Ela saiu pela porta. O trinco estalou ao fechar. Um som final, metálico, de encerramento.
Duas horas depois.
Caden acordou com a cabeça latejando. Ele gemeu, virando-se na cama. O outro lado estava frio.
"Eulalie?", ele disse com a voz rouca. Nenhuma resposta. "Ótimo. Emburrada."
Ele se arrastou escada abaixo. Martha estava tirando o pó do corredor, com uma aparência apavorada. Ela o viu e correu, pegando o envelope da mesa.
"Sr. Holloway... A Sra. Holloway deixou isto. Ela... ela levou as malas."
Caden esfregou as têmporas, semicerrando os olhos para o envelope. "Rainha do drama", ele murmurou. Ele estendeu a mão para pegá-lo.
Seu telefone tocou estridentemente do balcão da cozinha. Adalynn.
Ele recuou a mão. "Espere um pouco." Ele atendeu o telefone. "Adalynn?"
"Caden!", Adalynn estava soluçando teatralmente. "A imprensa... eles estão dizendo que eu parecia gorda nas fotos de ontem à noite! Você tem que acabar com a matéria! Não consigo respirar!"
O rosto de Caden endureceu. "Acalme-se, já estou cuidando disso." Ele pegou o casaco, ignorando Martha. "Preciso ir."
"Mas senhor, a carta...", Martha tentou empurrá-la em sua direção.
Caden afastou a mão dela. O envelope escorregou de seus dedos e deslizou pela lateral do sofá do hall, encaixando-se entre a almofada e o braço do sofá.
"Guarde isso, Martha! Não tenho tempo para os chiliques dela agora!", ele gritou, saindo porta afora furiosamente.
Martha ficou tremendo no corredor vazio. Ela olhou para o sofá. O envelope mal era visível. Ela se abaixou para recuperá-lo, mas a voz ríspida de Caden ecoou do elevador aberto.
"Deixe aí! Eu lido com as besteiras dela mais tarde!"
Assustada, Martha puxou a mão de volta. Ela suspirou, pensando que era apenas mais uma carta de reclamação sobre as noitadas de Caden. Com muito medo de desobedecer a sua ordem direta, ela deixou o envelope encaixado na fenda escura.
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