O Despertar de Sofia

O rosto do meu filho Leo estava a inchar.

Os seus lábios, antes rosados, estavam agora roxos e inchados, e a sua respiração saía em silvos agudos e aterrorizantes.

Ele tinha apenas cinco anos.

Peguei no telefone, as minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia marcar o número do meu marido, Miguel. Ele era médico no hospital central, a pessoa que eu mais precisava naquele momento.

A chamada foi atendida ao terceiro toque.

"O que foi, Sofia? Estou ocupado."

A sua voz era cortante, cheia de impaciência.

"Miguel, é o Leo! Ele não consegue respirar! Comeu um bolo na festa da escola, acho que tinha nozes. Ele é alérgico!"

O pânico engasgava-me a voz.

Houve um silêncio do outro lado, seguido de um suspiro irritado.

"Já lhe deste o anti-histamínico?"

"Sim, mas não está a resultar! Ele está a piorar, Miguel! Por favor, vem para casa! Ou encontra-nos no hospital!"

"Não posso agora," disse ele, a sua voz fria como gelo. "A Clara torceu o tornozelo a descer as escadas. Estou a caminho da casa dela para ver se é grave."

Clara. A sua irmã mais nova.

"O quê? Uma torção no tornozelo? Miguel, o nosso filho não consegue respirar! Ele pode morrer!"

Eu estava a gritar agora, o desespero a tomar conta de mim.

"Não sejas dramática, Sofia. Leva-o tu mesma ao hospital de urgência. Fica a dez minutos de casa. Liga-me quando chegares lá."

E antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele desligou.

O som da chamada terminada ecoou no silêncio do meu pânico. Olhei para o meu filho, o seu peito a subir e a descer com um esforço terrível.

Não havia tempo para chorar. Não havia tempo para sentir a traição.

Peguei no Leo ao colo, agarrei nas chaves do carro e corri para fora de casa.

Eu estava sozinha nisto.

Capítulos
Personalizar
Próximo Capítulo

Você pode gostar

Logo
Seu guia para os melhores dramas curtos online. Prévias gratuitas, informações completas do elenco e links para plataformas oficiais — tudo em um só lugar.
©2026 PinesDramas Todos os direitos reservados