O Amor Que a Morte Não Apagou

Eu segurava o relatório médico, cada palavra um prego no meu caixão.

Um tumor cerebral terminal. Três meses, na melhor das hipóteses.

Nesse mesmo dia, o jornal anunciava o noivado de Leonel Contreras com Sofia.

Ele, o meu ex-namorado. O meu meio-irmão. O homem que eu amava mais que a própria vida.

Amassei o papel. Se a morte se aproximava, eu não a passaria num hospital.

Iria lutar para ter de volta o que era meu.

Eu sabia que ele me desprezava, que me via como uma manipuladora, a filha da mulher que destruiu a sua família.

O ódio nos seus olhos era um espelho do meu próprio desespero.

Mas a verdade era que eu estava a morrer.

E ele, o único que eu queria ao meu lado, escolheu humilhar-me, rejeitar-me, e expor a minha intimidade para o país inteiro.

Um dia, ele atendeu o telefone e ouviu a marcha nupcial. Eu estava a morrer, esfaqueada num armazém escuro, e ele estava no altar.

Mas o destino tinha outros planos.

O monitor cardíaco na igreja parou, e a minha morte revelou uma trama de mentiras e traições.

Anos mais tarde, numa nova cidade, com um novo nome, senti um inexplicável regresso a casa ao entrar numa sala de reuniões.

E à cabeceira da mesa, estava ele, com os mesmos olhos.

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