Miguel Belucy...
Ainda bem a operação tinha sido um sucesso, os enfermeiros a levaram para seu quarto sabia que não demoraria muito para que ela acordasse e estava mais que ansioso por isso. Toda essa ansiedade não deveria fazer parte de mim, do médico sim. Mas não dessa maneira pessoal.
– Boa noite. – Desejei parando enfrente aos familiares.
– Como foi? Ela está bem? – Perguntou a mãe aflita.
– Ocorreu tudo bem, sua filha é uma garota muito forte. – Respondi a acalmando visivelmente. Como se tivesse tirado um grande peso de suas costas.
– Após a norte do pai, ela aprendeu a ser ainda mais! – Exclama. Perder quem se ama, não é fácil.
– Imagino. – Concordei.
– Posso vê-la? – Pergunta.
– Claro. – Assinto.
Seguimos para o quarto onde a Maia se encontrava seus cabelos castanhos estavam em puro desalinho, sua pele estava pálida mais ainda assim tão deslumbrante pra mim. Continuei a fazer companhia para sua mãe até que precisei fazer minha ronda noturna, ver alguns pacientes, atender outros. Meus plantões sempre foram calmos mais hoje passava disso estava tudo muito quieto. Seguir para minha sala olhando para o relógio que marcavam uma da manhã, encostei na cadeira e tentando dormir um pouco. São praticamente dias seguidos sem um descanso de verdade.
Assim que acordei fui avisar que daqui a uma hora estava de volta, fui ate o estacionamento indo até minha BMW, liguei automóvel para as ruas calmas. Cheguei em casa, precisava de um banho urgentemente.
– Chegou cedo Miguel. – Falou a França, minha segunda mãe.
– Bom dia. – Cumprimentei indo até ele.
– Nem vem me agarrar. Você esta cheirando a hospital menino! – Exclamou me fazendo sorrir.
– Não sabia que hospital tinha cheiro! – Exclamo rindo.
– Pois saiba que tem. Agora vá tomar banho e venha comer. – Mandou como sempre fazia. E eu sempre obedecia. Manda quem pode, obedece quem tem juízo! Tirei a roupa suja a jogando no cesto. Não sei o que seria de mim sem a França ela era a babá da nossa casa sempre nos tratou com um imenso carinho se tornando da família. Quando crescemos fui o mais experto de roubá-la para mim quando decidir morar sozinho. Ela nunca apoiou muito meu casamento, mas respeitava minha decisão, ela dizia que a Ana não era a mulher certa. Ela nunca esteve tão certa. Acho que ela enxergou o que eu não conseguia ver.
Sair do banho indo até o closet peguei uma calça jeans escura, sapatos italianos e uma camisa social rosa penteei os cabelos. Não podia demorar demais tinha que estar logo no hospital, queria muito encontrar a Maia. Desci para tomar meu café com uma das mulheres que mais amo. E de fato o que seria de mim sem ela?
Seguir para o hospital e sentia de novo a merda da ansiedade e nervosismo. Não sei bem ao certo quanto tempo demorei para chegar no hospital, olhei para o relógio e não passava das oito. Fui direto para o quarto da Bittencourt , sua mãe estava deitada no sofá e já devia ter providenciado uma outra cama para esse quarto. A Maia fazia o mesmo se bem que já devia ter acordado. Meu celular começou a vibrar o tirei do bolso atendendo.
– Oi, Sophia. – Atendo.
– Maninho encontrei a mulher ideal pra você! – Exclamou e pelo seu tom de voz parecia muito animada.
– Não quero conhecer ninguém, sou capacitado pra isso. – Afirmo convicto.
– Eu sei que é, mas fazer o que se sou mais rápida que essa sua capacidade. E você vai gostar da Megan. – Fala animada. Animação era seu segundo nome.
– Sophia não quero conhecer ninguém. – Tento convencê-la, mesmo sabendo da sua insistência.
– Mas vai. Só conhecer se você não gostar eu te deixo em paz, eu prometo. – Acrescenta. Eu sei bem que não vai, mas estou com pressa demais para descarregar com ela nesse momento. Tenho que fazer a checagem da Maia.
– Ok...
– Onde eu estou? – Perguntou uma voz fraca atrás de mim, virei encontrando a Maia acordada ela olhava para mão onde tinha algumas injeções perfurando sua pele. Sorrir ao vê-la. Desliguei o celular esquecendo da Soph.
– No hospital, você desmaiou não lembra? – Perguntei aproximando-me da sua cama, olhei para seus olhos castanhos. De fato uma pintura.
– Não muito bem. – Falou ela se esforçando para ficar sentada. E ainda não podia.
– Como seu médico suponho que não faça esforço. – Digo tentando sorrir responsável e não um idiota encantado.
– Preciso sentar. – Insiste. Teimosa, isso eu já havia percebido
– Maia para seu bem permaneça deitada, passou por uma cirurgia delicada. – Alertei. Como se tivesse falando com uma menina de oito anos insubordinada.
– Ok, mas não usa esse tom de responsável como se uma fosse uma garotinha insolente. – Sibilou ainda com a voz fraca.
– Mas não é assim que você está se comportando? – Pergunto.
– Não. Mas entendi. Não posso sentar, cirurgia delicada, tudo anotado. – Acrescenta com ironia.
– Pode deixar dona idosa. Vou encaminhá-la para ala correta. – Respondi reclinando um pouco a cama para seu tronco ficar um pouco mais a vontade. Ela sorriu e amei o contorno que seus lábios formavam. Tinha um belo sorriso.
– Não seria uma má ideia. – Brincou. – Minha mãe dormiu aqui? - Perguntou a notando no sofá.
– Sim, ela te ama muito. Não saiu daqui. – Falei olhando para mesma direção.
– Eu sei, mas junta o amor com exagero e dá nisso. – Contou. A porta foi aberta revelando a Luiza ela olhou para minha paciente e depois para mim. Voltando a olhar para Maia vindo em nossa direção.
– Como se sente? – Perguntou gentil.
– Horrível. – Afirmou.
– Estou começando a achar que o exagero é hereditário. – Comentei. Ela sorriu novamente sem graça.
– O paciente do quarto oitenta e oito quer alta e não sei mais o que fazer. – Informa a Luiza.
– Estou indo, enquanto a você idosa pode deitar e ficar quietinha. Vou te fazer algumas perguntas. – Aviso. Ela parecia não muito feliz com a sua atual situação.
– Como se eu tivesse outras escolhas. – Rebate. Insolente.
– Custa fingir empolgação? – Perguntei ironicamente.
– Ebaaa! – Exclamou em puro sarcástico.
Sorrir saindo do quarto e indo para ala onde o senhor Johnson estava. E por incrível que pareça tinha plena noção que estava com um sorriso bobo nos lábios. Todos esses sinais não eram adequado.
– Bom dia. – Desejo me preparando.
– Bom dia coisa nenhuma, estou bem quero ir para minha chácara. - Afirmou.
– O senhor irá assim que estiver melhor por enquanto você irá ficar aqui. São só mais dois dias. – Explico, como sempre fazia com ele.
– Estou me dando alta, quem conhece o meu corpo sou eu. – Falou convicto. Era quase impossível não sorrir com seu jeito meio bravo.
– O médico aqui sou eu, e não aprovo então aguente mais dois dias. – Retruco usando o mesmo tom.
– Dois dias. – Resmungou aceitando. Voltando a deitar na cama nada satisfeito.
– Nenhum dia a mais. – Friso.





