Não Há Razão No Amor...

Meu celular voltou a vibrar, e até já sabia quem era tinha desligado o telefonema sem nem da a mínima importância para o que ela estava dizendo. Sair do quarto do Elano indo para minha sala. Fiquei impressionado com a insistência dela se bem que já devia ter me acostumado. Era sempre assim. O mal foi ter aceitado esse seu mal costume.

– Sophia, normalmente as pessoas trabalham, sabia? – Indago.

– Eu sei muito bem disso. Já marquei com a Megan para o sábado à noite. – Conta, mas seriam em meus termos.

– Vou conhecer essa sua amiga e se eu não me interessar não adianta insistir, entendeu? – E sabia que não iria me interessar.

– Você vai gostar. – Confirmou convencidamente.

– Temos um acordo? – Pergunto.

– Temos chato. – Concordou. Respiro aliviado. Tínhamos um acordo. 

– Preciso trabalhar. – Respondi desligando o aparelho.

Sair da minha sala indo ver alguns pacientes antes que esse hospital realmente começasse a ficar uma loucura. Nem percebi o dia passar, estava tão focado que perdi a hora, tinha que ver a Maia.

Já tinha aceitado que a Bittencourt tinha mexido comigo, por alguma obra do destino me sentir atraído por ela desde o primeiro momento, eu reconheço é insano, mas essa vontade de ficar perto dela já é maior que qualquer coisa. Essa preocupação exagerada.  Cheguei perto da porta quando escuto risadas, ela estava com alguém e ao invés de entrar diretamente fiquei escutando a conversa. Nada ético para um médico. Mas era meu nome que eu havia escutado.

– Você é uma sortuda! – Falou uma garota devia ser a irmã dela.

– Claro, estou em um hospital usando esse lindo traje, meus cabelos parecem o mesmo de uma vassoura usada, estou com essa agulha no pulso e ate há pouco tempo estava com um tubo. Sortuda deve ser pouco! – Comentou ironicamente.

– Estou falando do seu medico, Miguel Belucy. – Disse.

– Thoebe! – Exclamou em tom repreendendo.

– Ele é um gostoso, viu aqueles olhos? O cabelo claro? E o corpo físico! Ele parece um dos atores daquele filme 300. E você é uma sortuda sim. – Afirmou. Esperava que a Maia pensasse a mesma coisa. Era a opinião dela que eu queria saber.

– Sim ele é lindo concordo e deve ter uma namorada. – Responde.

– Tenho certeza que não tem. – Comenta segura.

– Ah é? E como tem tanta certeza? – Perguntou.

– Se ele tivesse uma namorada ela estaria aqui cortando as asinhas das assanhadas! –  Exclamou fazendo a Maia cair na risada e esse som fez com que fizesse o mesmo. Sorrir como um idiota encantado.

– Das assanhas iguais a você né! –Rebateu.

– Que seja! Como você pode ser minha irmã em? – Perguntou.

– Já me fiz muito essa pergunta. – Brincou.

– O babaca do meu cunhado perguntou se você esta bem. – Informou a Thoebe. Como assim a Maia tinha namorado?

– Não sei por que ele me traiu. – Resmungou. Pelo visto não. – Você tem sorte ficou com o irmão certo o Evans é um cara ótimo. Já o Jheremy não vale nada. – Completa. Pelo visto não sou o único que teve decepções no ramo relacionamento.

– Eu sei meu namorado é incrível mesmo. – Concordou.

– Modesta você. – Mencionou.

– Mas falando serio ainda gosta do Jheremy? - Perguntou. Gostava? Fiquei ainda mais atento.

– Isso é serio? Você sabe que não. Quem ama não trai nunca. –Esclareceu.

– Sabia, aliás nunca achei que você realmente o amasse. - Ressaltou. - Nunca demonstrou, nem sofrer você sofreu. – Completa. Nem todo sofrimento é mostrado, tem pessoas que sentem tanto, mas não aparentam.

– Existe um sentimento chamado amor próprio. - Lembrou. E estava certa.

– Por que não investe no medico? – Perguntou Thoebe. Ótimo conselho.

– Enlouqueceu? – Perguntou.

– Você gostou dele que eu sei. – Afirmou com humor na voz e não escondendo a animação.

– De fato você enlouqueceu. – Conclui.

–  Está vendo você fica toda nervosinha. Agora só resta saber se é recíproco! – Exclamou. Sorrir com a conversa e já estava na hora de interferir antes que a Maia se irritasse mesmo. Abrir a porta esperando alguma resposta dela e como imaginei tudo que tinha ali era silêncio.

– Como esta se sentindo? – Perguntei acabando com o Silêncio.

– Vou melhorar assim que tirarem isso de mim. – Falou mostrando a mão com as injeções. Incomodava mesmo, muitos pacientes reclamavam que coça bastante.

– Doutor Belucy quem cala consente não é? – Perguntou Thoebe. Percebi seu olhar em sua irmã, ela a estava provocando.

– Obviamente. – Respondi olhando para Maia.

– Não concordo o silencio é a melhor resposta para alguns tipos de perguntas. – Explicou.

– Ou  talvez a pessoa concorde e só não queira admitir. – Insinuo.

– Concordo com isso.– Disse minha futura cunhada.

– Isso é uma conspiração? – Perguntou contrariada. Com certeza a paciente mais linda do mundo.

– Por quê? Qual é o assunto? – Perguntei a encarando.

– É que... bom. É porque...

– É por que eu perguntei se você tinha namorada, ela acha que sim e eu acho que não! – Exclamou direta. Encaro a Maia que está sem graça.

–  Compreendo. – Admito.

– E quem esta certa? – Perguntou Thoebe. No mesmo instante o celular dela começou a tocar, ela saiu do quarto deixando-me sozinho com a Maia.

– Vou te fazer algumas perguntas. –  Aviso parando ao seu lado.

– Tudo bem. – Concorda.

– Quando os sintomas começaram? – Pergunto.

– Eu sempre sentir dor, nessa região acho que tem alguns meses. Mas achei que iria passar, achei que era estresse. –  Respondo.

– Essa massa se movimentava? – Indago.

–  Não. Nunca senti. – Diz.

–  Sentia desconforto ao urinar e defecar? – Perguntei novamente.

– Só na hora de urinar, ardia. – Informou.

– Tem alguma coisa que parecia diminuir o desconforto? – Pergunto.

– Era repentino não contínuo. – Explica.

– Ok, era só isso. – Precisava saber dessas informações para inserir em sua ficha.

– Não vou voltar a sentir essa dor? – Perguntou ela.

- Nunca mais. - Confirmei. A cirurgia tinha sido um sucesso.

– Então já posso ir pra casa? – Perguntou.

– Não felizmente você terá que ficar em observação, por causa da cirurgia recente. – Falei. Ela balançou a cabeça em consentimento.

– Felizmente? – Perguntou surpresa. A porta foi aberta e de novo interrompidos, a mãe dela entrou trazendo uma pequena mala de rodinhas e uma bolsa. Claro que não daria em cima dela aqui, é a minha paciente, mas deixaria claro que gosto de tê-la aqui e bem.

– Demorou dona Mariah. – Reclamou fingindo aborrecimento.

– Nem tanto dona impaciente. – Respondeu.

– E a Thoebe? – Perguntou a Maia.

– Disse que vinha mais tarde. Aliás doutor Miguel não tem problema ela trocar de roupa? – Perguntou.

– Com tanto que sejam roupas leves. Ela vai ficar alguns dias em observação. – Comento. Nada de roupas apertadas e que não fossem respiráveis.

– Quantos dias? – Perguntou minha paciente.

– Aproximadamente uns dez dias. – Respondo, percebendo que detestou saber disso, sei que ninguém quer ficar todo esse tempo em um hospital. Se perguntar a qualquer um aqui, o desejo é irem para casa.

– É muito tempo eu tenho uma prova no vestibular. –Falou ela. Então essa era sua urgência.

– Quando vai ser essa sua prova? – Pergunto.

– Quarta- feira. – Respondeu.

– Teria como remarcar? – Perguntei preocupado. Sei como o vestibular é importante.

– Não. – Afirmou aflita.

– Acompanharei você no dia da sua prova. – Não era o ideal, mas não tinha outro jeito.

– Obrigada. – Seu olhar atento no meu.

– Disponha. – Respondi a olhando. Ela sorriu mais uma vez sem graça.

– Mãe preciso de um banho. – Retrucou.

– Vou chamar a enfermeira para te ajudar. – Respondi, antes que saísse tinha que responder uma pergunta. – Diz pra Thoebe que ela tinha razão. - Disse piscando pra ela e saindo.

                                          ...

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