Meu Ex-Marido, Meu Inimigo: A Justiça de Lia

O cheiro de desinfetante inundou o meu nariz, misturado com o aroma metálico de sangue.

O meu corpo inteiro doía, mas a dor mais aguda vinha do meu coração.

Eu tinha acabado de perder o meu filho.

Um filho que esperei por três longos anos.

Ao meu lado, o meu marido, Pedro, segurava a mão da minha meia-irmã, Sofia, com uma expressão de preocupação.

"Leo, o médico disse que a Sofia só deslocou o pulso, mas a queda assustou-a muito. Ela precisa de descansar."

A voz dele era suave, cheia de um cuidado que ele nunca me mostrou.

Olhei para o braço dela, depois para o meu ventre, agora vazio.

Um riso amargo escapou dos meus lábios.

"Pedro, vamos divorciar-nos."

A minha voz saiu rouca, quase um sussurro, mas cada palavra era clara e firme.

Pedro franziu a testa, a sua impaciência a transparecer. "Lia, para com o drama. A Sofia caiu das escadas por tua causa. Em vez de pedires desculpa, estás a pedir o divórcio? Onde está a tua sensatez?"

Por minha causa?

Foi ela que se atirou sobre mim, fazendo-me cair.

Eu estava grávida de sete meses.

A queda custou-me o meu bebé.

"Ela caiu por minha causa?", repeti, a incredulidade a transformar-se em raiva fria. "Eu estava a descer as escadas e ela correu na minha direção. Tu viste, Pedro. Estavas lá."

Sofia começou a soluçar, o seu corpo a tremer. "Lia, eu sei que nunca gostaste de mim. Eu só queria ajudar-te com a mala, não queria que isto acontecesse. Por favor, não culpes o Pedro, a culpa é toda minha."

Ela olhou para ele com os olhos cheios de lágrimas, a personificação da inocência ferida.

O coração do Pedro derreteu-se visivelmente. Ele abraçou-a com mais força.

"Não digas isso, Sofia. Não foi culpa tua. A Lia está apenas perturbada por causa do bebé. Ela não quer dizer o que diz."

Ele nem sequer olhou para mim.

Eu era a sua esposa. Eu tinha acabado de perder o filho dele.

E ele estava a consolar a mulher que o causou.

A porta do quarto do hospital abriu-se e a minha sogra, a mãe do Pedro, entrou a correr. Ela ignorou-me completamente e foi direta para a Sofia.

"Oh, minha querida Sofia! Estás bem? Ouvi dizer que te magoaste. Deixa-me ver."

Ela examinou o pulso da Sofia com uma preocupação maternal, clocando a língua em desaprovação.

"Esta Lia é tão descuidada. Grávida e ainda assim a causar problemas. Agora magoou-te."

Finalmente, ela virou-se para mim, o seu olhar frio como gelo.

"E tu, para de criar problemas. Um bebé pode ser concebido outra vez. A Sofia é frágil, não a podes perturbar."

Eu senti o meu mundo a desmoronar-se.

Estas eram as pessoas que eu chamava de família.

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