Meu Ex-Marido, Meu Inimigo: A Justiça de Lia

"Eu não quero outro bebé," disse eu, a minha voz a ganhar força. "Eu quero o divórcio."

A minha sogra bufou. "Divórcio? Não sejas ridícula. A família Costa não se divorcia. Vais envergonhar-nos a todos."

"Eu já não me importo com a vergonha," respondi, olhando diretamente para o Pedro. "Eu não posso continuar casada com um homem que não me vê, que não me protege."

Pedro finalmente me olhou, mas os seus olhos estavam cheios de fúria.

"Proteger-te? Eu protejo esta família! A Sofia precisava de mim! Tu estavas no hospital, com médicos! O que mais querias que eu fizesse?"

"Eu queria o meu marido," disse eu, a voz a quebrar. "Eu queria que estivesses ao meu lado quando o médico me disse que o nosso filho tinha morrido. Não a consolar a ela por um pulso deslocado."

"Chega, Lia!" gritou ele. "Estás a ser egoísta. A Sofia está a sofrer!"

O absurdo da situação atingiu-me com a força de uma onda.

Eu ri. Um riso oco e sem alegria.

"Sim, estou a ver o quanto ela está a sofrer."

Peguei no meu telemóvel da mesa de cabeceira. As minhas mãos tremiam, mas a minha determinação era de aço.

Encontrei o número do meu advogado e disquei.

"Dr. Almeida? É a Lia. Quero iniciar o processo de divórcio imediatamente."

O silêncio no quarto era total. Pedro olhava para mim como se eu fosse uma estranha. A sua mãe parecia que ia explodir.

Sofia, no entanto, tinha um pequeno e quase impercetível sorriso nos lábios.

Ela tinha ganhado.

O meu advogado foi rápido e eficiente. No dia seguinte, os papéis do divórcio foram entregues ao Pedro no seu escritório.

Ele ligou-me, furioso.

"O que pensas que estás a fazer? Estás a tentar destruir a minha reputação?"

"Não," respondi calmamente. "Estou a salvar-me."

"Vais arrepender-te disto, Lia. Não vais receber um único cêntimo de mim."

"Eu não quero o teu dinheiro, Pedro. Eu só quero a minha liberdade."

Desliguei o telefone antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa.

Senti um alívio imenso, como se um peso tivesse sido tirado dos meus ombros.

A minha mãe veio visitar-me no hospital. Ela tinha estado a viajar e só soube do que aconteceu quando aterrou.

Ela abraçou-me com força e chorou comigo.

"Oh, minha filha. Sinto muito, tanto."

A minha mãe, Clara, nunca gostou do Pedro nem da sua família. Ela sempre disse que eles eram frios e calculistas.

Eu não a ouvi. Estava apaixonada.

"Tu tinhas razão, mãe. Eu devia ter-te ouvido."

"Não importa agora," disse ela, limpando as minhas lágrimas. "O que importa é que vais sair disto. Nós vamos sair disto juntas."

O apoio dela era o único bálsamo para a minha alma ferida.

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