Após a Traição, Ela Reivindicou Seu Império

A luz da manhã na cobertura era agressiva. Inundava através das janelas que iam do chão ao teto, iluminando partículas de poeira que dançavam no ar estagnado.

Julian Sterling entrou às 8:00 da manhã. Ele estava de ressaca. Sua cabeça latejava com uma dor surda e rítmica, uma lembrança do uísque no Obsidian. Ele afrouxou a gravata, puxando-a para fora do colarinho com um gemido.

Ele esperava o cheiro. Aquele aroma enjoativo das velas baratas de baunilha que Serena insistia em queimar. Ele esperava o som de seus pés se arrastando, o pigarro nervoso enquanto ela tentava avaliar seu humor.

Silêncio.

O apartamento estava em silêncio mortal.

"Serena?", ele chamou. Sua voz estava rouca. Ele não a estava chamando porque se importava; ele precisava do seu café. Ela sempre o deixava pronto. Puro, com duas colheres de açúcar.

Nenhuma resposta.

Ele franziu a testa. A irritação pinicou sua pele. "Serena, não brinque. Tenho uma reunião em uma hora."

Ele entrou na cozinha. O balcão estava vazio. A cafeteira estava fria.

Ele caminhou pelo corredor até o quarto principal. A porta estava entreaberta.

Ele a empurrou para abri-la.

A primeira coisa que ele viu foi a luz refletindo nos cacos de vidro no chão.

Julian parou. Ele encarou a penteadeira. O espelho estava destruído. Um buraco irregular se abria no centro, cercado por uma teia de rachaduras. O cheiro de Chanel No. 5 era avassalador, misturando-se com o odor metálico da destruição.

"Que diabos..."

Ele entrou no quarto, seus sapatos rangendo sobre o vidro.

Ele viu a mesa de cabeceira.

O colar de diamantes enrolado como uma cobra. A aliança de casamento, manchada com uma partícula de sangue seco. E o bilhete.

Ele pegou o papel. A caligrafia era limpa, pequena. *O fundo fiduciário é seu. Minha vida é minha.*

Ele leu duas vezes. Então riu. Uma risada curta e seca, como um latido.

"Dramática", ele murmurou. "Ela está negociando."

Ele jogou o bilhete de volta na mesa. Ela provavelmente tinha ido para a casa do pai. Ou para algum hotel barato para esperar que ele ligasse e implorasse para ela voltar. Ela fazia isso às vezes — pequenos atos de rebelião que duravam menos de vinte e quatro horas.

Ele pegou o celular e ligou para seu advogado.

"Onde está a minuta do divórcio?", Julian perguntou, esfregando as têmporas. "Ela está fazendo birra. Quero atingi-la com os papéis enquanto ela está vulnerável."

Houve uma pausa do outro lado da linha. Um silêncio longo e desconfortável.

"Sr. Sterling", disse o advogado lentamente. "A Sra. Sterling... Serena... ela assinou a renúncia digital às 4:03 da manhã."

Julian congelou. Sua mão parou de massagear sua têmpora. "Ela o quê?"

"Ela iniciou o processo. Foi uma renúncia incontestada. Ela renunciou a todos os direitos de pensão alimentícia, apoio conjugal e aos bens matrimoniais. Ela assinou um acordo de confidencialidade completo. Ela fez a parte dela, senhor."

Julian sentiu o chão inclinar-se ligeiramente. "Ela renunciou aos bens?"

"Tudo. Ela não pegou um centavo. Ela até transferiu a metade dela da conta conjunta de volta para você. Só precisamos da sua contra-assinatura para protocolar no tribunal."

Julian abaixou o telefone. Ele olhou ao redor do quarto. A porta do closet estava aberta. Ele se aproximou.

O lado dela do closet estava vazio dos trapos que ela usava pela casa. Mas as fileiras de vestidos de grife, os casacos de pele, as bolsas que ele mandou seu assistente comprar para torná-la apresentável para as galas — estavam todos lá. Com as etiquetas ainda presas.

Ela não levou nada.

Por quê?

Serena Vance era um caso de caridade. O pai dela a odiava. Ela não tinha dinheiro, nem emprego, nem perspectivas. Ela precisava dele. Ela precisava do nome Sterling para sobreviver nesta cidade.

Ele sentiu uma sensação súbita e oca no estômago. Perda de controle. Ele odiava perder o controle.

"Suspenda o processo", disse Julian ao telefone.

"Senhor? Mas você queria—"

"Eu disse para suspender!", Julian esbravejou. "Não protocole nada até eu encontrá-la. Preciso saber que jogo ela está jogando antes de eu assinar."

Ele desligou. Se ela estava tentando manipulá-lo ao ir embora, ela aprenderia que ele era o mestre deste jogo. Ele não lhe daria a satisfação de uma liberação rápida até que a olhasse nos olhos e visse o arrependimento.

Ele discou para o celular dela.

"O número para o qual você ligou não está mais em serviço."

Ele encarou a tela.

Seu telefone vibrou. Era Elena.

"Julian, querido", a voz de Elena soou chorosa. "Meu carro está fazendo aquele barulho de novo. E eu vi a pulseira mais fofa na Cartier. Você pode me encontrar para almoçar?"

Pela primeira vez em três anos, Julian sentiu um lampejo de irritação ao som da voz dela.

"Agora não, Elena", ele retrucou.

"Como é que é?"

"Eu disse agora não." Ele desligou.

Ele ligou para seu assistente pessoal. "Rastreie o cartão de crédito da Serena. O Amex preto. Diga-me onde ela está."

Dois minutos depois, o assistente retornou a ligação. "Senhor, o cartão foi destruído. A última transação foi uma corrida de táxi para Midtown às 23:30. Desde então, nada. Nenhuma reserva de hotel, nenhum voo em seu nome, nenhum saque em caixa eletrônico."

Julian andava de um lado para o outro no quarto. O ranger do vidro sob seus pés era o único som.

Ela tinha sumido. Sem deixar vestígios.

Aeroporto Internacional JFK. Terminal 4.

A sala VIP estava silenciosa, um santuário de couro bege e ar filtrado.

Serena sentou-se em uma poltrona no canto. Ela usava óculos de sol grandes que cobriam metade de seu rosto e um sobretudo preto com cinto bem apertado na cintura.

Um homem alto e idoso em um terno impecável se aproximou dela. Ele carregava uma pasta de couro. Ele não parecia um servo; parecia um estadista.

"Senhorita Kensington", ele disse suavemente.

Serena ergueu o olhar. Foi a primeira vez em três anos que alguém a chamou pelo nome de solteira de sua mãe. O nome que tinha mais peso na Europa do que Sterling tinha em New York.

"Alfred", disse ela. Sua voz estava firme, embora suas mãos estivessem frias.

"O jato está abastecido e pronto para Zurich", disse Alfred. Ele colocou um novo passaporte na mesa à sua frente. A capa era azul-escura. Britânico.

"E os preparativos?"

"A clínica na Suíça está esperando por você. O Dr. Gauthier é o melhor especialista em metabolismo do mundo. Ele diz que o dano é reversível, mas será doloroso."

"Eu não me importo com a dor", disse Serena.

"E a consulta para a cirurgia plástica?"

"Não", disse Serena bruscamente. Ela tocou sua bochecha. "Nenhuma cirurgia plástica. Quero curar a pele, não mudar o rosto. Quero parecer comigo mesma. A versão de mim que eles tentaram matar."

Alfred assentiu, com um brilho de respeito em seus olhos. "Muito bem, senhorita."

Ele estendeu a mão. "Seu telefone, por favor."

Serena entregou-lhe o celular descartável.

"E o outro?"

"Deixado em uma lata de lixo na 5th Avenue."

Alfred pegou o celular descartável. "Vou descartar isso com segurança." Ele gesticulou para uma equipe de segurança próxima. Dois homens de terno se adiantaram. Um pegou sua mala surrada.

"Nós cuidaremos da bagagem, senhorita. Você não precisará dessas roupas para onde está indo. Tudo já foi providenciado."

Serena olhou para a mala enquanto o segurança a levava. Ela continha os últimos resquícios de Serena Vance, a filha indesejada, a esposa não amada.

Ela se levantou.

Ela se virou e caminhou em direção ao portão. Ela não olhou para trás, para a mala. Ela não olhou para trás, para o horizonte de New York visível através das janelas enormes.

Ela caminhou para a pista de decolagem. O vento açoitava seu cabelo, mas a chuva havia parado.

Ela embarcou no Gulfstream G650. O interior era creme e dourado.

Ela se sentou em um assento na janela. Enquanto o avião começava a taxiar, ela sentiu a vibração dos motores em seus ossos.

Julian provavelmente estava acordando agora. Ele provavelmente estava com raiva. Ele provavelmente estava procurando alguém para culpar. Mas ele não protocolaria os papéis imediatamente. Ela o conhecia. Ele era possessivo. Ele iria querer encontrá-la primeiro, para vencer.

Deixe-o procurar. Quando ele percebesse que ela realmente tinha partido, ela seria um fantasma.

O avião rugiu, ganhando velocidade. A força a empurrou de volta para o assento.

Ela observou o chão se afastar. Os carros se tornaram formigas. Os prédios se tornaram brinquedos. A cobertura era apenas um grão de poeira em uma cidade suja.

"Adeus, Julian Sterling", ela sussurrou contra o vidro frio. "Você não vai me reconhecer da próxima vez."

O avião inclinou-se bruscamente para a direita, desaparecendo nas nuvens.

Capítulos
Personalizar
Próximo Capítulo

Você pode gostar

Logo
Seu guia para os melhores dramas curtos online. Prévias gratuitas, informações completas do elenco e links para plataformas oficiais — tudo em um só lugar.
©2026 PinesDramas Todos os direitos reservados