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Após a Traição, Ela Reivindicou Seu Império
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Após a Traição, Ela Reivindicou Seu Império

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Em Após a Traição, Ela Reivindicou Seu Império, Serena abandona um casamento cruel para renascer. Três anos após o divórcio, ela retorna ao mundo dos billionaire romance novels como uma mulher poderosa, pronta para confrontar o ex-marido que a humilhou nesta intensa romance novel.

Capítulo 1 de Após a Traição, Ela Reivindicou Seu Império

A chuva em Manhattan não lavava as coisas. Apenas deixava a sujeira mais escorregadia.

Serena Vance saiu do táxi amarelo, seu salto afundando imediatamente em uma poça de lama acinzentada. A água infiltrou-se pelo couro barato de seu sapato, encharcando sua meia, congelando sua pele. Ela não vacilou. Estava acostumada com o frio.

Ela agarrou a caixa de bolo de veludo contra o peito como um escudo. Era feito sob encomenda. Red velvet. O favorito de Julian. Ou, pelo menos, o favorito do homem que ele era antes de se tornar seu marido.

Ela ergueu o olhar para a imponente fachada preta do 'Obsidian', o clube privado exclusivo para membros no Upper East Side. O prédio parecia uma fortaleza projetada para manter pessoas como ela do lado de fora.

Ela ajeitou o casaco. Era um número maior, comprado para esconder o peso que ganhara nos últimos dois anos. O distúrbio metabólico transformara seu corpo em uma prisão de carne macia e retenção de líquidos. Seu rosto, antes apenas sem graça, agora estava inchado, marcado por uma erupção teimosa ao longo da mandíbula que nenhuma quantidade de base de farmácia conseguia cobrir.

— Nome? — O porteiro não olhou para o rosto dela. Olhou para seus sapatos.

— Sra. Sterling — disse Serena. Sua voz tremeu um pouco. Sempre tremia quando ela usava aquele nome. Parecia que o estava roubando.

O porteiro fez uma pausa. Olhou para sua lista, depois para ela. Seu lábio se curvou. Foi um movimento sutil, uma microagressão que ela se tornara especialista em catalogar. Ele sabia quem ela era. Todos sabiam quem ela era. O erro Vance. A vergonha.

— O Sr. Sterling está na suíte VIP — disse o porteiro, com o tom de voz neutro. — Ele deixou instruções para não ser incomodado.

— É nosso aniversário — disse Serena. As palavras pairaram no ar úmido, patéticas e pequenas. — Eu... eu tenho uma entrega.

Ela ergueu a caixa um pouco.

O porteiro suspirou, uma nuvem de vapor branco no ar frio. Ele soltou a corda de veludo. Não abriu a porta para ela.

Serena empurrou as pesadas portas de carvalho. O barulho da chuva desapareceu, substituído pelo zumbido baixo de jazz e pelo cheiro de couro envelhecido e charutos caros. Ela caminhou pelo corredor mal iluminado. Seu casaco molhado pingava no luxuoso tapete persa. Pingo. Pingo. Pingo. Um rastro de evidência de que ela não pertencia àquele lugar.

Ela chegou ao final do corredor. A porta da suíte VIP era de mogno maciço. Ela levantou a mão para bater, mas seus nós dos dedos pairaram a centímetros da madeira.

Risadas. Risadas masculinas, altas e estridentes.

— Qual é, Jules — uma voz bradou. Era Oliver, o amigo de faculdade de Julian. — Não me diga que você vai para casa para aquela criatura hoje à noite. Mal é meia-noite.

Serena congelou. Seu coração martelava contra suas costelas, um ritmo doloroso e irregular.

— Tenho que fazer uma aparição — a voz de Julian cortou o barulho. Era fria. Distante. A voz que ele usava quando falava com seus advogados. — É o terceiro aniversário. O contrato estipula que devo estar fisicamente presente na residência conjugal em datas significativas para manter os desembolsos do fundo fiduciário ativos.

— As coisas que você faz por dinheiro — Oliver riu. — Eu a vi, cara. Ela parece que comeu a antiga Serena. E aquela pele... é contagiosa?

Serena sentiu a bile subir em sua garganta. Ela apertou os olhos com força.

— Não importa a aparência dela — disse Julian. A indiferença em seu tom era pior que a zombaria. — Ela é uma assinatura em um pedaço de papel. Nada mais. A única mulher nesta cidade que eu respeito é a Elena. Ela sabe o seu lugar. Não exige coisas que não merece.

— À Elena! — alguém brindou. Taças tilintaram.

Serena olhou para a caixa de bolo. Seus dedos estavam brancos, agarrando o papelão com tanta força que ele começara a amassar.

Ela passara três dias planejando isso. Ela mesma o assara porque as confeitarias eram muito intimidadoras. Pensou que talvez, apenas talvez, se lhe mostrasse que se lembrava das pequenas coisas, ele pudesse olhá-la com algo além de nojo.

Mas ele nem mesmo a via. Para ele, ela não era uma esposa. Não era nem mesmo uma pessoa. Era uma cláusula no testamento de um avô.

Uma dor aguda e física cortou seu peito. Não era um coração partido. Coração partido era poético. Isso era uma ruptura. Era a sensação de um membro sendo arrancado sem anestesia.

Ela se abaixou. Seus joelhos estalaram. Colocou a caixa de bolo gentilmente no chão, do lado de fora da porta.

Ela não bateu.

Ela se levantou. Olhou para a porta uma última vez. Não chorou. As lágrimas estavam presas em algum lugar profundo em seu peito, congeladas.

Ela se virou. Seus movimentos eram robóticos. Pé esquerdo. Pé direito.

Ela voltou pelo corredor. O porteiro a observava, um sorriso de escárnio brincando em seus lábios. Ele esperava que ela fosse expulsa. Esperava uma cena.

Serena passou por ele sem piscar. Empurrou as pesadas portas e voltou para a chuva.

A água fria atingiu seu rosto, misturando-se com o calor de sua vergonha. Ela não chamou um táxi. Ela andou. Andou até seus pés ficarem dormentes. Andou até o Obsidian Club ser apenas uma mancha preta à distância.

Ela tirou o celular do bolso. Seus dedos tremiam, mas sua mente estava cristalina.

Ela discou um número.

— Sterling Family Legal Counsel — uma voz cansada atendeu.

— Aqui é a Serena — disse ela. Sua voz não tremeu desta vez. — Quero assinar os papéis.

— Sra. Sterling? A esta hora? Tem certeza? — A voz cansada soou surpresa, mas não totalmente chocada. — O Sr. Sterling os preparou há algum tempo. Posso enviá-los pela manhã para sua assinatura.

Ela desligou antes que ele pudesse argumentar.

Ela voltou para a cobertura. Estava escura. Cheirava a lustra-móveis de limão e a vazio. Julian raramente dormia aqui. Ele mantinha um apartamento separado na cidade, um que ela não tinha permissão para visitar.

Ela entrou no quarto principal. A cama estava feita, os lençóis impecáveis e intocados. Ela foi até o cofre na parede. Digitou o código — o aniversário de Julian. Ele era narcisista a esse ponto.

Dentro estava a caixa de veludo contendo o colar de diamantes que ele lhe dera no dia do casamento. Ele o chamara de "um adereço para as fotos". Ela nunca mais o usara.

Ela o tirou. Colocou-o na mesa de cabeceira.

Ela girou a aliança de ouro em seu dedo anelar esquerdo. Estava apertada. Seus dedos estavam inchados por causa do remédio que vinha tomando secretamente, o remédio que não estava funcionando. Ela a puxou com força. A pele se rasgou. Uma gota de sangue manchou o ouro quando a aliança saiu.

Ela colocou a aliança ao lado do colar.

Ela foi até o armário. Puxou uma única mala surrada. A que trouxera da propriedade dos Vance três anos atrás.

Ela guardou suas roupas velhas. As camisas de algodão baratas. Os jeans gastos. Deixou para trás a seda, a caxemira, as grifes que a assistente de Julian comprara para suas aparições públicas.

Ela foi até o espelho da penteadeira. Olhou para si mesma.

Pálida. Inchada. Olhos avermelhados. Uma cicatriz descendo por sua bochecha esquerda, inflamada e irritada.

— Você é feia — ela sussurrou para seu reflexo. — Você é fraca.

Ela pegou um frasco pesado de perfume — Chanel No. 5, um presente da mãe de Julian que Serena odiava.

CRASH.

Ela o arremessou. O espelho se estilhaçou. Cacos de vidro explodiram para fora, chovendo sobre a bancada de mármore. As rachaduras em teia de aranha distorceram seu reflexo, quebrando seu rosto em mil pedaços irregulares.

Bom.

Ela pegou um pedaço de papel de carta. Escreveu duas linhas.

O fundo fiduciário é seu. Minha vida é minha.

Ela colocou a chave da casa em cima do bilhete.

Ela fechou o zíper da mala. Estava leve. Três anos de casamento, e ela não tinha nada para mostrar além de uma mala leve e um coração pesado.

Ela pegou um segundo celular. Um descartável. Ela o mantivera carregado por três anos, escondido no fundo de sua gaveta de meias.

Ela discou um número que não era chamado há uma década.

Tocou uma vez.

— Alô? — Uma voz idosa e britânica.

Serena fechou os olhos. — Padrinho — ela sussurrou. — Estou pronta para voltar para casa.

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