A Estrela (Duologia Fama Livro 2)

Emir viu o menino pegar a bola e correr pela área arborizada da mansão. Aquela criança era o seu desejo mais oculto, uma parte viva do amor que lhe inundava quando o assunto era a ex-esposa.

A criança parecia muito com ele, e nem isso fez com que Zeynep o incluísse na vida do filho. O desprezo que ela sentia por ele foi maior do que o bem-estar da criança. O choro veio como uma tempestade a molhar a terra seca, o menino parou e se aproximou do pai.

— Moço, por que está chorando? — O pequeno secou as lágrimas do pai.

Emir não conseguia esconder a emoção de ver o filho ali ao seu lado.

— Um cisco entrou no meu olho.

Emir limpou as lágrimas quando viu Zeynep se aproximando.

— Moço, quer brincar comigo? Meu tio Serkan brinca de bola comigo, só que ele trabalha muito.

Emir encarou Zeynep com a raiva estampada no olhar ao saber que o cara que foi responsável pela separação deles esteve presente na vida do filho todo esse tempo.

— Çağlar, coloca uma roupa bem bonita, nós vamos passear com a avó Jülide.

— Passear?

O menino passou correndo pela mãe e entrou na casa.

— Passear, ou como dizem os cristãos só o bom samaritano pode fazer boas ações sem que alguém espere?

— Não é isso... Ele acabou de te conhecer...

— Não me diga, de quem foi a culpa mesmo? Ah, já sei. Zeynep escolheu ter a companhia de Serkan, a sombra dela na gravidez, quando o filho deu os primeiros passos e quando o primeiro dentinho nasceu. É claro, não é mesmo? Ele só aceita suas migalhas...

— Nunca tive nada com Serkan e...

— Eu não dou a mínima se você transa ou não transa com ele, eu só quero meu filho.

— Emir, precisamos conversar, por favor.

— Agora Zeynep quer conversar? Que bonito, mas não estou interessado.

— Por favor, não fale nada, não agora. Eu vou marcar um encontro, nós três juntos... Eu ainda preciso contar para minha mãe, me dá só mais um tempo, liguei e ela não estava.

— São seus problemas! Ligue para o Serkan vir segurar sua mão... Com licença, meu filho me espera.

Emir caminhou até o menino, que voltava, pegou-o no colo e foi embora, deixando Zeynep calada.

***

Ömer jogava sinuca na mansão dos Ozkurt em frente a um Nihat que engolia em seco.

— Seu filho mais velho tem um filho! Você é avô! Quando ele te contar finja surpresa.

— Ömer, você enlouqueceu? Emir está solteiro, não há filhos.

— Eu estou bem, meu pai, é o mais velho que não anda muito bem. Mas também, pudera, Zeynep é linda, por isso que ele endoidou... Ela hoje estava com um vestido...

— Ömer! Respeite o vosso pai.

— Está certo, me desculpe.

Nihat deixou o filho sozinho, precisava fazer alguns telefonemas.

***

— Moço, sabia que minha mãe não me deixa sair sozinho? Ela diz que é perigoso e não posso sair. Eu estava querendo vê-la e me escondi no carro.

O filho conversava como um adulto, era maduro para a idade e muito inteligente.

— Foi perigoso, você viu?

— Mas eu não ia me machucar. Posso contar um segredo?

— Somos amigos, pode contar.

— Sabia que minha mamãe fica chorando sempre que eu pergunto do meu papai? — O rosto do menino ficou sério. — Ela fala que meu papai me ama muito, mas que não posso vê-lo. Ela diz que nós três vamos ficar juntos e aí não vou morar mais com a vovó Rüya.

— Vovó?

— Sim, a minha vovó. Eu moro com minha vovó e minha mamãe. A tia Zehra e o tio Serkan não moram, não.

Por que o menino chamava Rüya de vovó?

O filho era sua cópia e entendeu que Zeynep o escondeu dele por vingança pessoal.

Mas ficou se perguntando porque Zeynep não contou para a própria mãe a respeito do filho e, no entanto, deixou a amiga ser chamada de vovó.

***

Elif ouvia o que Nihat estava lhe dizendo. Era inacreditável que, depois de anos, Rüya estivesse mais presente do que nunca!

— Emir é meu filho, portanto quero a criança bem próxima de mim. Rüya é uma mundana, não quero um Ozkurt sob a influência dela.

— Você está certa, Elif. Se esse menino for filho dele, moverei céus e terra para que a criança venha para nós.

***

Zeynep ligava novamente para a mãe; a ideia de que Emir estava com Fazilet a torturava. O menino era seu bem mais precioso, e ela o perdera assim que colocou os pés na Turquia.

O celular tocou assim que a chamada para a mãe caiu novamente na caixa postal. Ela atendeu e ouviu a voz aflita de Serkan.

— Zeynep! Estamos indo para a Turquia e...

— É tarde demais, é tarde demais.

Ela desligou o aparelho enquanto entrava em outra crise de choro. O mundo desabava sobre a sua cabeça.

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