A Estrela (Duologia Fama Livro 2)

Zehra olhava para Zeynep, que tremia. O choro convulsionado mostrava que a moça estava prestes a sofrer um ataque de nervos.

— Calma, minha amiga, desse jeito você vai acabar passando mal de tanto nervoso. Çağlar está com o pai dele, as mentiras estão sendo enterradas e você não precisa mais se esconder.

— Eu morri para ele. Você não entende, não é? Você não entende...

Zeynep andava de um lado para o outro. Emir a odiava, e quando soubesse a verdade sobre a sua própria mãe, provavelmente tiraria a criança dela.

Zeynep desabou no chão, imersa em lembranças.

Se envolvera em uma teia de mentiras, colocando outras pessoas no meio e agora não sabia como se livrar daquele pesadelo; estava presa.

Não podia entregar Rüya, ela era uma mulher preciosa demais para Zeynep colocar no fogo cruzado. Passou a mão pelo ventre, sentindo a lembrança de Çağlar ali; ela sentiu tanto medo, tanta falta de Emir, mas já estava perdida naquela época. O mundo que a sugou a transformou em uma mulher muito invejada, rica, poderosa.

E pobre o suficiente para não ter direito a um abraço sem pedir.

— Emir não fará nada de errado, não tive muito contato com ele, mas sei que não é uma pessoa ruim. Ele está chateado, é normal, você escondeu o filho dele por cinco anos...

— Zehra, por favor...

— E não se esqueça que Serkan te ajudou nisso! Ele já odeia meu marido por ser seu amigo, agora sabendo que Serkan estava a par de tudo, a situação vai piorar mais ainda.

Zeynep abraçou os joelhos e fechou os olhos, a lembrança do pai a invadiu.

“Sempre que se sentir sozinha, aperte sua correntinha, aí você estará comigo.”

Ela já não tinha mais a corrente. Estava sozinha.

***

Çağlar se divertiu a tarde toda com o pai. Amou a vista do apartamento e pediu para o pai segurá-lo perto da janela; Jülide fez uma porção de batata frita com molho de tomate, os dois conversavam como adultos e o menino contou como era sua rotina na América. A mãe ensinou ao menino o turco, e ele cresceu falando o idioma dos pais.

Ficou se perguntando como Zeynep colocaria o filho em uma escola e lembrou-se do choro dela quando disse que nem Fazilet sabia do menino.

— Não vou fraquejar. — Prometeu a si mesmo quando mandou Jülide arrumar algumas coisas para passar a noite na mansão.

Anoitecia quando Emir chegou com o filho, Zeynep os esperava na porta.

O filho correu para os braços da mãe, e chamou Emir para entrar com eles.

— Mamãe, eu tomei sorvete e brinquei no parquinho com ele, depois fui na casa dele... Você sabia que as janelas lá ficam no céu? O tio pode jantar com a gente?

— Claro que pode, meu amor.

— Você está chorando?

— Eu estou ensaiando, lembra que a mamãe chora no trabalho?

— Você não está no trabalho. — Emir ouvia tudo calado.

— Mas aproveitei o momento que você saiu para treinar, estou boa, não estou?

— Não, eu não gosto. — Çağlar choramingou. — Você só fica assim quando eu falo do papai, e eu não vou mais falar dele.

— Emir, você pode dar banho nele? — Zeynep pediu. — Por favor!

Ele concordou de imediato. Zeynep não permitia que empregados dessem banho na criança e não se sentia bem o suficiente; explicou onde era o banheiro e subiu com eles para separar uma roupa.

Foram os três para o quarto do menino. Zeynep entregou roupas limpas, mostrou onde ficava o banheiro e avisou que ele encontraria o que precisasse lá.

Desceu para preparar o jantar do filho e encontrou Zehra tomando um chá.

Notou a amiga pálida, perguntou se estava tudo bem com ela e se Serkan ligara novamente, já que eles chegariam no dia seguinte.

— Estou com dor de cabeça, com licença. — Zehra saiu da cozinha, a deixando sozinha; tinha dispensado os empregados, com exceção dos seguranças, e ia começar a preparar o jantar do menino quando Jülide chegou.

— Eu faço, apenas me diga onde estão as coisas.

Zeynep não protestou, estava entorpecida pela dor que sentia. Mostrou as coisas para Jülide e sentou-se, olhando para o nada.

Zeynep já tinha percebido desde a América que a amiga não andava muito bem; trabalhava muito e Serkan sempre reclamava que a esposa só ficava feliz quando estava clinicando.

***

Emir e Çağlar se divertiam, o menino brincava na banheira enquanto o pai lavava aqueles cabelos dourados; a criança começou a jogar água no pai, o que acabou molhando a camisa do astro.

Depois de brincarem muito, Emir começou a enxugar o menino; Zeynep chegou, avisando sobre o jantar.

Juntos, colocaram o pijama no filho e desceram. Emir ficou olhando o filho comer com apetite; era mesmo uma criança linda.

Um pouco depois, Çağlar sentiu sono e o pai o ajudou a escovar os dentes, Emir velou o menino até ter certeza de que dormia profundamente.

Quando ele desceu, Zeynep parou o ex-marido e pediu que conversassem antes de ele ir.

— Tive um dia cheio, vou dormir. Amanhã acorde cedo e se maquie, quero você bonita.

— Emir, eu não tenho cabeça.

— Você quer continuar com o menino? — Ela balançou a cabeça positivamente. — Então amanhã esteja impecável. Boa noite.

Emir não deu ouvidos aos argumentos de Zeynep e entrou no carro, deixando a jovem parada no portão.

No carro, ligou para Murat.

— Meu amigo, você está no apartamento de Suhan?

— Sim, ela está preparando o jantar; pretendo dormir aqui hoje.

— Passo aí em alguns minutos, tenho uma novidade muito grande para contar...

Estava feliz, apesar de tudo; ele tinha um filho saudável, inteligente e muito perspicaz. Estacionou o carro e foi direto para o apartamento de Suhan, que abriu a porta ansiosa.

— O que aconteceu?

Emir pediu uma bebida, estava nervoso e o dia tinha sido de muitas emoções.

— Você brigou com Zeynep de novo? — Murat revirou os olhos.

— Zeynep é sim um dos motivos do meu nervosismo, mas preciso contar outra coisa. Zeynep teve um filho meu!

— Ela está grávida? — Suhan sentou-se e batucou na mesa enquanto tomava um gole de rakı. — Eu falei, amor, que eles se pegaram na América...

— Não, Suhan, ela teve.

— Como assim teve? — Murat sentou-se ao lado do amigo e de frente para a namorada, que lhe estendeu um copo.

— Ela teve um filho meu. A criança tem cinco anos, é um menino inteligente e bonito igual ao pai, modéstia à parte. Eu descobri hoje.

— Isso é sério?

Emir tirou o celular do bolso e procurou na galeria uma foto dos dois; quando achou, entregou para a amiga.

— Meu Deus, ele é a sua cara! Mas eu acompanho a carreira dela e nunca soube de criança nenhuma.

— Essa criança passou a vida escondida dentro da mansão de Rüya Ertuğrul. Nem mesmo a mãe dela sabe da existência do neto!

— Gente! — Suhan devolveu o aparelho para o amigo. — Do que Zeynep tem medo?

— Zeynep não tem medo de nada, ela só pensou no próprio umbigo.

— Amigo, você me desculpe, mas isso não faz sentido. Ela é mãe, e se fez isso provavelmente foi para proteger o menino. Uma mãe faz tudo pelo seu filho.

— Proteger o filho de mim? Não, Suhan, você está enganada... Minha mãe foi a primeira a me virar as costas. Nem sempre uma mãe faz tudo pelo filho... Às vezes, elas fazem o que é bom para elas mesmas.

— Emir, o que você pretende fazer agora? Vai ficar com o menino para você? — O empresário bebeu mais um gole de rakı.

— Minha vontade era bem essa, mas eu tenho de pensar no menino. Então, eu vou voltar com Zeynep!

— O quê? — Murat encarou o amigo, quase engasgando com a bebida.

— Zeynep vai voltar comigo e vamos viver novamente juntos, mas sem casamento. A série vai ser gravada como estava previsto, e enquanto ela for necessária, vai ficar comigo e com meu filho. Depois que Çağlar se adaptar e a série se encerrar, ela pode seguir a vida dela como quiser, mas o meu filho fica comigo.

— Emir, isso é loucura... — Suhan levantou-se. — Se adaptem à distância! Não podem fazer isso com o filho de vocês.

— Suhan, se eu confiasse que ela não vai sumir com a criança até faria isso, mas eu não confio nela. Zeynep é um monstro, vai dar sumiço no meu filho e nunca mais eu irei vê-lo. Deixei Jülide lá vigiando essa noite.

— Eu concordo com você. — Murat bateu no ombro do amigo.

— Amor, você não vê que uma criança não tem condições psicológicas de viver com eles? Eu sou adulta e quase surtei!

— Suhan, é só fingirem o tempo todo. Acho que eles são capazes, pois são dois grandes atores. Daqui a uns dias anunciam que as agendas deles estão incompatíveis, se separam e Emir fica com o menino.

— Exatamente isso, Murat. Começaremos a namorar amanhã e a paixão que nos consome é tão grande que vamos morar juntos! Iremos procurar uma nova casa, que seja grande o bastante para um menino de cinco anos brincar, e Zeynep e eu nos tornaremos o casal mais apaixonado e amoroso de toda Turquia.

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