Nosso casamento não começou com amor, começou com um contrato.
Uma aliança comercial entre duas famílias poderosas.
O pai dele era um magnata da construção, meu pai, um gênio do mercado financeiro.
Juntos, nossos impérios se complementavam perfeitamente.
Pedro e eu éramos os herdeiros, e nosso casamento era a fusão definitiva.
Lembro-me do nosso primeiro encontro, arranjado pelos nossos pais em um restaurante caro.
Falamos de negócios, de estratégias de mercado, de aquisições.
Havia um respeito mútuo, uma admiração pela inteligência e ambição um do outro.
Ele era charmoso e eu, calculista.
Formávamos uma boa equipe.
"Vamos fazer isso funcionar", ele me disse naquela noite, erguendo sua taça de vinho. "Seremos imbatíveis, Sofia."
E por um tempo, fomos.
Construímos a empresa juntos, ele como CEO, eu como vice-presidente e a mente criativa por trás dos designs mais inovadores.
Nossas reuniões de diretoria eram como um balé perfeitamente coreografado, nossas mentes trabalhando em sincronia.
O respeito profissional lentamente se transformou em algo mais.
As longas noites no escritório se tornaram jantares íntimos, as discussões de negócios se misturaram com confissões pessoais.
Descobri seu senso de humor seco, ele descobriu minha paixão secreta por filmes antigos.
O afeto cresceu de forma orgânica, uma planta surpreendente brotando no solo pragmático do nosso acordo.
Começamos a nos amar, ou pelo menos, uma versão de amor que se encaixava em nossas vidas ocupadas.
Era um amor tranquilo, baseado na parceria e na admiração.
Quando descobri que estava grávida de Lucas, foi uma surpresa.
Não havíamos planejado, mas a notícia cimentou nossa relação.
Pedro ficou eufórico, ele viu Lucas como a prova final do nosso sucesso, o herdeiro da nossa dinastia.
"Agora temos tudo, Sofia", ele disse, com a mão na minha barriga. "Uma família, um império. Tudo."
O nascimento de Lucas nos aproximou ainda mais.
Ver Pedro segurando nosso filho pela primeira vez, com uma expressão de admiração e vulnerabilidade que eu nunca tinha visto, fez meu coração se encher de um calor genuíno.
Eu acreditei, naquele momento, que nossa aliança comercial havia se transformado em um casamento de verdade, sólido e duradouro.
Então, Bruna apareceu.
Ela foi contratada como estagiária de verão, uma entre dezenas.
Mas desde o início, ela se destacou, não por seu talento, que era medíocre, mas por sua ambição descarada.
Ela encontrava todas as desculpas para estar perto de Pedro.
Trazia café para ele, elogiava suas gravatas, ria de todas as suas piadas, por mais sem graça que fossem.
No início, eu não me importei, era o comportamento típico de uma estagiária querendo impressionar o chefe.
Mas a atenção de Pedro para com ela começou a me incomodar.
Ele a mencionava nos jantares, "Bruna teve uma ótima ideia hoje", "Bruna é tão esforçada".
Ele começou a levá-la para reuniões com clientes, algo que normalmente era meu papel.
A desculpa era sempre a mesma: "Você está ocupada com o Lucas, Sofia. Estou apenas tentando te aliviar um pouco."
Mas não parecia alívio, parecia substituição.
A linha entre o profissional e o pessoal começou a ficar borrada.
A gota d'água foi o incidente do escritório, mas a verdade é que o copo já estava transbordando há muito tempo.
A aparição de Bruna expôs a fragilidade do nosso casamento.
Revelou que o afeto que eu pensei que tínhamos construído não era forte o suficiente para resistir à adulação barata de uma jovem ambiciosa.
Revelou que, para Pedro, talvez eu ainda fosse apenas parte de um acordo comercial, uma parceira valiosa, mas, em última análise, substituível.
A destruição da escultura não foi apenas um ato de vingança, foi um grito de dor.
Foi a minha maneira de dizer que ele havia quebrado algo muito mais valioso, algo que, diferentemente do bronze, não poderia ser consertado.
Nossa parceria, nosso afeto, nosso futuro.
Tudo estava em pedaços no chão.





