Uma Segunda Chance, Um Beijo de Amor Verdadeiro

"Ele é um homem tão bom, não é?", Isabela continuou, sua voz escorrendo falsa simpatia.

As mulheres ao nosso redor assentiram, seus olhos alternando entre mim e Isabela.

Avaliando. Julgando.

"Sempre cuidando dos amigos", uma delas piou. "Especialmente de você, Bela. A devoção dele é lendária."

Isabela colocou a mão no peito, fingindo humildade.

"Ah, vocês sabem, nós nos conhecemos há muito tempo. Namoradinhos de infância, praticamente. Alguns laços, eles simplesmente não se quebram."

Ela olhou diretamente para mim.

"Na verdade, Lena, você deveria me agradecer. Fui eu quem disse ao Marcos para se casar com você."

O ar me faltou.

O salão de festas de repente pareceu quente demais, lotado demais.

"O quê?", consegui sussurrar.

O sorriso de Isabela era puro veneno agora, embora sua voz permanecesse doce.

"Ah, sim. Ele estava tão perdido depois que eu... bem, depois que eu precisei de um tempo. Ele estava deprimido, coitadinho. Eu disse a ele: 'Marcos, você precisa de alguém estável. Alguém... simples. Como a Lena. Ela vai te fazer bem. Ela não vai causar nenhum drama.'"

Minhas mãos tremiam.

Minha compostura cuidadosamente construída estava se quebrando.

Senti o sangue sumir do meu rosto.

Os rostos ao nosso redor se tornaram um borrão.

"Com licença", murmurei, me virando.

Eu precisava de ar.

Tropecei em direção ao terraço, meu coração batendo forte.

O ar frio da noite atingiu meu rosto, um pequeno alívio.

Apoiei-me na balaustrada de pedra, tentando respirar.

Então não era apenas que ele não me amava.

Meu casamento inteiro foi uma armação. Orquestrada por ela.

Para manter Marcos ocupado. Para mantê-lo estável até que ela o quisesse de volta.

E eu fui a tola que desempenhou meu papel perfeitamente.

Depois de alguns minutos, alguém gritou: "Vamos começar o Verdade ou Desafio! Bela, você é a primeira!"

Eu não queria voltar para dentro.

Mas não podia ficar aqui fora para sempre.

Voltei para o salão de festas, tentando parecer indiferente.

Isabela estava no centro de um círculo, um beicinho brincalhão no rosto.

"Verdade!", ela declarou.

Alguém gritou: "Conte-nos sobre o admirador mais devotado que você já teve, Bela! A coisa mais louca que ele já fez por você!"

Isabela bateu no queixo, fingindo pensar.

Então ela começou uma história.

"Bem, havia um garoto... absolutamente apaixonado. Desde o colégio. Ele faria qualquer coisa por mim. Uma vez, eu mencionei casualmente que amava uma orquídea rara em particular, encontrada apenas em alguma montanha remota. Ele voou para lá, fretou um helicóptero e a conseguiu para mim. Custou-lhe uma fortuna."

Risos e suspiros do grupo.

"Outra vez", Isabela continuou, aquecendo-se no tema, "eu estava chateada porque minha banda favorita não estava em turnê na nossa cidade. Ele de alguma forma os convenceu, pagou a taxa exorbitante ele mesmo, apenas para um show particular para mim e minhas amigas."

Mais aplausos.

"E depois teve a vez em que precisei de uma bolsa Chanel vintage específica para uma festa. Impossível de encontrar. Ele a rastreou através de uma dúzia de colecionadores, pagou cinco vezes o seu valor e a entregou em mãos horas antes do evento."

Meu sangue gelou.

Eu conhecia essas histórias.

Marcos me contou versões delas. Anedotas vagas sobre "um amigo" que ele ajudou, ou "uma loucura" que ele fez por alguém no passado.

A orquídea. Ele perdeu nosso primeiro jantar de Dia dos Namorados por essa "viagem de negócios".

O show particular. Ele esvaziou uma conta poupança conjunta que tínhamos, alegando uma "oportunidade de investimento repentina".

A bolsa Chanel. Ele vendeu um relógio que seu pai lhe deu, uma herança de família. Ele disse que o perdeu.

Era ele.

Sempre foi ele, fazendo essas coisas por Isabela.

Não por algum amigo anônimo. Por ela.

Todos esses anos. Todo aquele dinheiro. Toda aquela devoção.

Por Isabela.

Minha visão se afunilou. O salão parecia inclinar.

"Quem era esse cara incrível, Bela?", alguém perguntou. "Você tem que nos contar!"

Isabela sorriu misteriosamente. "Talvez eu os apresente um dia. Se ele não estiver muito ocupado."

Ela olhou em direção à entrada do salão.

E lá estava ele.

Marcos.

Entrando, procurando por ela. Seus olhos percorreram o salão, pousaram em Isabela, e um pequeno sorriso tocou seus lábios.

Ele nem me viu, parada a poucos metros de distância.

Ele foi direto para Isabela.

"Desculpe o atraso", ele disse a ela, a voz baixa. "A reunião se estendeu."

Uma mentira. Eu conhecia a agenda dele. Ele não tinha reuniões esta noite.

Ele estava esperando. Pela ligação dela. Pela convocação dela.

Ele finalmente me notou. Surpresa brilhou em seus olhos.

"Lena. Você veio."

Como se fosse uma anomalia inesperada.

"Eu já estava de saída", eu disse. Minha voz soava distante, até para mim.

"Ah. Precisa de uma carona?", ele perguntou, uma oferta superficial.

"Não, obrigada", eu disse. "Já chamei um."

Virei-me e fui embora, deixando-os juntos.

O casal perfeito.

Aquele que ele sempre quis.

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