Uma Noite Apenas

Fui recomendada por meu chefe direto

para ocupar esse cargo, há muito tempo vago. Tinha conhecimento e competência para isso, mas pensei que ele talvez fosse indicar alguma das belas mulheres que trabalhavam na empresa ou que

talvez fosse feito um processo seletivo para contratar alguém.

— Bom dia, senhorita Marian Alves! — uma jovem vestida elegantemente num terninho preto me cumprimentou. — O senhor Rafaelo a aguarda na sua sala.

Caminhamos por onde a jovem indicava. Ela deu uma leve batidinha e abriu a porta. Fez um sinal para entrar, e nervosa como eu estava, entrei imediatamente.

Na sala, observei o local, cujas paredes de cores claras contrastavam com móveis escuros. Na cadeira atrás da imponente mesa, virado de costas para mim, alguém estava sentado.

— Bom dia, senhorita Marian...

Minha espinha esfriou e a pele se arrepiou.

Conhecia aquela voz, conhecia aquele tom.

A cadeira foi virada, revelando a figura de Enrico Rafaelo. Ou Rafael, como eu o havia

conhecido. O desconhecido mais conhecido. O homem que me levou aos orgasmos mais intensos de minha vida.

— Vejo que nos encontramos de novo, Marian...

Seu sorriso sacana me deixou pegando fogo e com a calcinha molhada.

— A partir de hoje, você será minha assistente pessoal. Espero que goste do seu trabalho!

Sim, eu estava numa deliciosa encrenca, mas não iria me arrepender do meu desejo.

Capítulo 2 RAFAEL

Fazia uma semana que Marian estava trabalhando como minha secretária. Ou como assistente, não importa. Era uma feliz coincidência tudo ter chegado a esse resultado.

Sim, a contratação dela não havia sido planejada desde o início. A última secretária era duas caras, vivia levando informações para a minha família. E acabou sendo demitida e desmascarada. Decidi por buscar uma nova secretária entre aquelas que pertenciam à empresa. Com uma ficha bem completa, cada uma foi avaliada, até que a foto de Marian me fez vibrar com a perspectiva.

A mulher que me fez o pedido mais inusitado e que realizei com o maior prazer, se é que me entendem, era funcionária do grupo que eu

comandava. Como ela não sabia disso? Simples, não sou de fazer social em lugar algum. Acho que ela nunca sonharia com a possibilidade de cruzar com seu chefe praticamente todos os dias, de uma forma tão comum.

A escolha era certa. Alguém tão transparente e honesta como Marian havia sido comigo era o tipo certo de braço direito que eu precisava. E quem sabe... fosse se tornar uma relação mais do que profissional.

Enfim, lá estava ela, sentada à mesa, que ficava à frente de uma parede de vidro estrategicamente voltada para mim. O acesso de elevador à minha sala só era feito se ela liberasse, portanto ficava no mesmo local, ao meu dispor, apenas separada pelas paredes de vidro que citei.

Naquele momento eu observava a moça. Realmente, a mulher em nada lembrava o padrão de

beleza visto por aí. Era cheia de curvas, com seios grandes e que bunda... Eu havia tido uma visão surpreendente daquela carne. E que boceta gostosa, só de lembrar tô com o pau duro. Dizem que quando alguém te olha por muito tempo você sente. Ela sentiu e me olhou, vermelha como da primeira vez em que nos falamos.

Ah, mulher, esse olhar envergonhado só complica meu estado.

]Sorri de volta com um puta pensamento pervertido. Ah, deve ter percebido, pois desviou o olhar em seguida. “Pense em números”, minha mente sussurrou. Pensei em números, tragédias e violência, mas nada fez meu pau amolecer. Já sei, família. Isso! Agora nem Marian sobe meu pau.

E voltei a ler o relatório que estava em minha mesa.

Algumas horas mais tarde e finalmente era o fim do expediente. Era sexta-feira e eu estava uma pilha de nervos. Sim, happy hour ou qualquer coisa assim. Vi Marian arrumando sua mesa e a chamei pelo telefone.

— Sim, senhor?! ― Ela não me fitava.

— A senhorita tem algum compromisso

agora?

Eita mulher desconfiada, olhou-me como

se eu tivesse três cabeças. Duas sim, pensei comigo. Eu não presto mesmo.

— Não, senhor!

— Então vamos beber alguma coisa. Essa semana foi uma merda de desgastante.

— Não acho boa ideia, senhor. ― Ela falou firme.

sério.

Olhei-a, esperando que continuasse.

— Não é profissional.

Ah não! Marian não podia estar falando

— Senhorita Marian, o horário do

expediente acabou, ― mostrei o relógio ― vamos beber como amigos.

— Não somos amigos, senhor.

Levantei a sobrancelha, confrontando-a.

— Somos amigos, ou melhor, sou seu PA.

— Não entendi.

— Amigos coloridos, pau amigo, o que você quiser...

Como ela fica vermelha, mesmo depois daquela noite?

— Senhor...

Segurei-a pela cintura e a apertei contra

mim.

— Pare com esse senhor. Olha como essa

sua boca teimosa tá me deixando duro, mulher.

Peguei minha pasta e segurei a mão da

mulher.

— Eu não farei nada que você não queira,

é só uma bebida.

— Tudo bem, senh... Pigarreei rapidamente.

— Rafael.

Ela pegou sua bolsa na sala e descemos o elevador sem falar mais nada.

Como de costume, saí pela lateral do prédio e caminhamos até o bar que eu costumava ir. Dessa vez, no entanto, não me sentei no balcão e

sim numa mesa bem aconchegante e privativa do bar.

Chamei o garçom.

— O que você quer beber? ― Perguntei para Marian, que ainda estava desconfortável.

— Uma água com gás.

Sem me dar tempo para questionar, o garçom chegou à nossa mesa.

— O que os senhores vão beber?

— Macallan Rare e a senhorita quer uma água com gás.

Bufei ao terminar de pedir.

— Traga também queijos variados e outros aperitivos.

Comer ainda é importante, pensei comigo. O rapaz saiu e fitei Marian, que parecia observar o ambiente em volta.

— Deveria pedir algo com álcool, você está muito tensa.

Seu olhar se inflamou.

— É muito normal toda essa situação, tsc,

tsc...

— O que está errado?

— Não é óbvio? Eu não deveria estar aqui

com você, fazendo de conta que isso é normal. Não somos amigos, nem arco-íris, nem coloridos nem furta-cores. Era para ser apenas uma loucura, uma noite. E agora tenho que trabalhar lutando para não lembrar que o “meu chefe” me fodeu de formas incríveis...

Honestidade. Era disso que eu estava

falando.

Relaxei um pouco, largando-me na cadeira

confortável.

— Se o problema é lembrar, nós podemos dar um jeito e refazer tudo de novo, para você não ter que ficar relembrando.

Ela me olhou com descrença.

— Isso é assédio, Rafael!

Porra, assédio não. Respirei fundo.

— Não, Marian. Eu não estou te forçando, muito menos te coagindo. Como disse, você só fará aquilo que quiser. ― Dei uma bela olhada nas pernas cruzadas à minha frente, agitando-me ainda mais.

Não houve tempo para resposta. As bebidas e os aperitivos haviam chegado.

Tomei um pouco da bebida, sentindo o relaxamento em mim. Sim, era disso que eu estava falando.

Ficamos conversando um pouco e vi

Marian suavizar a tensão em seu rosto. Algum tempo depois, pedi que chamassem um taxi para ela enquanto pagava a conta.

Caminhamos para a rua e aguardei o taxi chegar junto a ela.

— Boa noite, Marian! ― falei, enquanto segurava a porta do carro aberta para ela entrar.

Sem se despedir, a moça entrou no carro, e eu já ia fechar a porta quando sua voz soou.

— Me acompanha até em casa, amigo? ― Ela me fitou um pouco hesitante.

Não precisava pedir duas vezes. Abri a porta e me sentei ao seu lado.

— Qual o destino? ― o taxista perguntou.

Marian falou o endereço do que acreditei ser a sua casa. Ela estava nervosa, como da vez anterior. Mesmo usando roupas sérias e

comportadas, aquelas saias revelavam as coxas cobertas por uma meia. Lembrei-me das meias que ela usava da última vez. Será que está usando modelos iguais às daquelas?

Essa mulher é incrível. Consegue ser tímida e bem séria, mas guarda uma sensualidade que tem me dominado. Vou liberar essa safada guardada dentro dela!

Descemos em frente a um prédio simples, num bairro afastado do centro financeiro onde ficava a empresa. Com uma fachada antiga com sancas brancas contornando janelas e sacadas. As paredes num amarelo claro lembravam a arquitetura da década de 50.

O gradeado em volta do prédio era branco e dava visão para um jardim bem cuidado e várias

garagens ocupadas no térreo.

Marian tirou uma chave e abriu o portão de pedestre. Passamos pela porta principal, que mais uma vez foi desativada pela moça.

— Quanta segurança! ― brinquei.

— Não temos guardas armados aqui, então tem que ser assim. ― Ela se explicou.

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