Alguns dias depois, recebi alta. Voltei para casa, a casa que dividi com Lucas por três anos. Meu corpo ainda estava fraco, mas a dor no coração era muito pior. A casa estava silenciosa, vazia. Cada canto guardava uma lembrança dele.
Lembrei-me da noite em que ele me pediu em namoro, no nosso pequeno apartamento antigo. Ele tinha feito um jantar terrível, mas seus olhos brilhavam.
"Mari, eu não tenho muito a oferecer agora, mas eu prometo que um dia vou te dar o mundo", ele disse, segurando minhas mãos. "Você aceita ficar comigo?"
Eu ri e chorei ao mesmo tempo. "Claro que aceito, seu bobo. Eu não quero o mundo, eu só quero você."
Agora, essas memórias eram como facas. Onde estava aquele homem? O que fizeram com ele?
A campainha tocou, me tirando dos meus pensamentos. Meu coração deu um salto. Seria o Lucas? Ele se lembrou?
Corri para a porta, a esperança me dando uma força que eu não sabia que tinha. Mas não era ele.
Era Patrícia.
Ela estava parada na minha porta, vestida com roupas de grife, um sorriso arrogante no rosto.
"O que você está fazendo aqui?" eu perguntei, a voz trêmula.
"Vim pegar o resto das minhas coisas", ela disse, empurrando a porta e entrando sem ser convidada.
"Suas coisas? Não tem nada seu aqui."
"Ah, tem sim. O Lucas me deu permissão para redecorar. Esta casa precisa de um toque de classe, não acha? Esse seu estilo... humilde... não combina com um astro do futebol."
Ela caminhou pela sala, tocando nos meus móveis com desprezo.
"Você não pode fazer isso", eu disse, tentando manter a firmeza. "Esta casa também é minha."
Patrícia riu, um som agudo e desagradável.
"Sua? Querida, não se iluda. Você não é nada. Você era apenas um passatempo. Agora, o Lucas encontrou uma mulher de verdade. Alguém do nível dele."
A raiva ferveu dentro de mim. Quem ela pensava que era?
"Saia da minha casa!"
"Sua casa?" ela repetiu, sarcástica. "Acho que não."
De repente, ela tropeçou de propósito em um pequeno tapete e caiu no chão, gritando como se estivesse sendo assassinada.
"Ai! Meu tornozelo! Você me empurrou!"
Eu fiquei paralisada. Eu nem a tinha tocado.
Nesse exato momento, a mãe de Lucas entrou na casa, como se estivesse esperando o sinal.
"O que você fez com a Patrícia, sua selvagem?" ela gritou, correndo para ajudar a modelo a se levantar.
"Eu não fiz nada! Ela caiu de propósito!" eu tentei me defender.
"Mentirosa! Eu sempre soube que você era um perigo. Uma interesseira sem escrúpulos", a mãe dele me acusou, o ódio brilhando em seus olhos. "Você vai pagar por isso."
Ela se aproximou de mim e, sem aviso, me deu um tapa forte no rosto. A ardência me chocou, mas a humilhação foi pior.
"Lucas nunca deveria ter se envolvido com alguém da sua laia", ela continuou, sua voz cheia de veneno. "Gente como você só traz desgraça."
Eu estava fraca, a cirurgia ainda recente. A dor na lateral do meu corpo voltou com força total. Eu me curvei, sentindo uma tontura.
"Por favor... parem...", eu supliquei. "Eu não estou bem."
"Não está bem? Ótimo! Espero que você sofra muito", disse Patrícia, agora de pé e sem mancar. "Isso é pouco pelo que você merece."
Ela me empurrou com força. Eu perdi o equilíbrio e caí no chão, batendo a cabeça na quina da mesa de centro. A dor explodiu na minha cabeça, e uma escuridão começou a tomar conta da minha visão.
A última coisa que vi antes de desmaiar foi a porta se abrindo.
Era Lucas. Ele estava ali, parado, olhando para mim no chão com uma expressão de nojo. A confusão em seu rosto foi substituída por raiva fria. Ele tinha chegado bem a tempo de ver a cena que elas montaram.





