Um professor Irresistível

4 ANOS ANTES 

— Você está linda, irmãzinha. — Minha irmã mira seus olhos em um tom caramelo para meu reflexo no espelho. Estou na última prova do meu vestido de casamento. O ateliê, por sinal, muito bem recomendado por ela, ficou responsável por fazer o meu vestido e das minhas madrinhas de casamento. Sorrio. Admira-me ela não me julgar de imediato pela escolha do meu vestido ou minha mãe me taxar que tudo que ela faz ou escolhe é melhor que as escolhas que eu faça. Ela sempre me julga. Jogando na minha cara a perfeição da minha irmã caçula. 

“Você tem que ser igual à sua irmã, Lilian! 

Olha como a Leona se veste bem! 

Olha como a Leona é influente! 

Olha como a Leona é linda e chama atenção!” 

Nunca quis ser o foco das atenções. Sempre fui focada no que eu gostava de fazer. Tinha meus próprios planos; estudar e ser o mais correta possível e ter excelência na profissão. Achava que quanto mais fizesse, mas chances eu teria de ser para ser notada por meus pais e que eles veriam algo positivo em mim, veriam que eu não precisava ser como a minha irmã, que eu poderia ser eu mesma com o talento que tinha. 

— É.. até que enfim você teve bom gosto, filha. Hoje você está linda — comenta minha mãe. Tento não absorver seu comentário velado sobre o meu mau gosto para me vestir. Não é o primeiro e nem será o último comentário dela referente a isso. Quanto à minha aparência não reclamo mais, para minha mãe a única beleza que se destaca é de Leona. 

— Henrique, já fez a prova do terno? — minha irmã questiona, jogando seus cabelos um tom mais ruivos que os meus para um lado do ombro. 

 Leona é dois anos mais nova que eu, e apesar de termos nossas diferenças, sinto que nessas últimas semanas próximas ao meu casamento nós nos aproximamos. Talvez seja pelo fato de que vamos morar em casas separadas a partir de agora. Ela tem me ajudado em tudo, seja escolhendo as flores ou até mesmo as toalhas de mesa do buffet, receber presentes, contratar garçons...  

— Sim! Ainda não o vi, mas tenho certeza de que deve ter ficado perfeito. 

— Com certeza, irmã, o pessoal desse ateliê é um dos melhores da capital.  

— Obrigada, irmã — falo agradecida, mirando em seu rosto através no espelho e abrindo um sorriso tímido. 

— Mamãe, a senhora já verificou com a moça do salão e com a cerimonialista se já receberam as flores? — inquiro, pegando minha agenda dentro da minha bolsa que está pendurada em um suporte em pé ao meu lado e conferindo o que falta.  — E as pessoas que farão os drinks está tudo certo?? 

— Lilian, não seja ridícula! É claro que já está tudo acertado. Seu noivo é um homem influente, já pediu que contratasse a melhor equipe de organização para que não nos preocupássemos com nada. Pare de surtar feito louca! — Bufa sem paciência. 

— Mãe, é o meu casamento. Quero que tudo saia perfeito! — Estou ansiosa com a cerimônia. O que deixa meus pais sem paciência. Na verdade, eles nunca a tiveram comigo. 

— Mamãe, tudo bem, eu entendo que Lilian é meio maníaca por controle. Mas acho que dessa vez ela tem razão em querer tudo perfeito. É o casamento dela! É natural ela torcer para que tudo dê certo — minha irmã me defende com um olhar de cumplicidade, e eu sibilo um obrigada vendo-a sorrir. 

— Tudo bem, mas é que às vezes você consegue ser insuportável, Lilian — reclama, este é o seu jeito de pedir desculpas. Tento não me deixar ofender por suas ofensas e fito meu vestido no espelho, admirando-o por mais alguns segundos. — Vá logo trocar esta roupa, pois você tem que voltar ao escritório, seu pai precisa de você. — Saio do meu estado. Estático com um revirar de olhos. 

— Mãe, eu tenho milhões de coisas para resolver, meu casamento é amanhã! Não posso trabalhar hoje, Leona não pode ir em meu lugar? —peço cansada.  

— Não dá, irmã, eu e mamãe temos um café importante com a filha do prefeito, você entende que a parte de boas relações e interesses da família fica comigo. — Pisca de forma arrogante, deixando claro o quanto sou péssima em fazer amizades. As únicas amigas que tenho são primas do meu noivo. Não sou muito de sair, o que limita a minha possibilidade de fazer amizades, além de que, sou extremamente reservada.  

— Você sabe que sua irmã não entende nada daquela papelada da advocacia, Lilian.  

Não entendo, minha irmã cursa advocacia e está no último ano, porém, nunca pode trabalhar na empresa. Eu ao contrário dela trabalho desde o penúltimo ano de faculdade, meu pai sequer me dá folga, férias então, nunca tive. Achei que quando me formasse as coisas ficariam mais leves, mas pelo contrário a responsabilidade dobrou sobre minhas tarefas. E a desculpa para Leona não trabalhar é que ela precisa estar constantemente saindo para eventos da alta sociedade, participando de festas, estar sempre se conectando com pessoas de influência.  

— Ok, mamãe. Avise ao papai que vou sair daqui direto para o escritório — respondo de forma rasa, não adianta discutir, nem espernear, eles sempre conseguem o que querem, minha mãe sempre faz chantagem emocional fazendo com que me sinta mal e eu sempre acabo cedendo.  

Termino a prova do meu vestido sob os olhos atentos de minha mãe e irmã. Visto-me novamente com a minha habitual roupa social e me despeço da costureira assim como das duas que irão ao café.  Pego o carro e sigo para a advocacia. Revoltada por ter que trabalhar às vésperas do meu casamento. 

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