Um Contrato com o Sr. Dietrich - série CEOs Apaixonados

Capítulo 03

A maneira como ele pronunciou essas palavras deu a Alissa a sensação de que ele queria dizer outra coisa. Parecia que ele estava oferecendo um tipo de serviço muito diferente. Só então, ela percebeu a mancada que tinha dado. 

- Se eu pudesse pagar os serviços de um de seus Hotéis, sim, eu os utilizaria. Por que não? 

Leopold olhou para ela, divertido. 

- Bom, quero que você faça com que meu novo hotel, El Dourado, tenha muita visibilidade, já que fica em outro país.

- Mas isso não vai ser problema. As pessoas mais abastadas costumam se hospedar na sua rede hoteleira. Não é como se precisasse de fato de muito esforço para que o seu novo hotel se tornasse conhecido. 

- É verdade, mas quero que as pessoas da classe média conheçam meus hotéis e queiram se hospedar neles. - Leopold se empertigou na cadeira. - Quero vender sonhos, senhorita Sutton. Você entende o que quero dizer?

Ela concordou com a cabeça. Havia dois tipos de pessoas que utilizavam aqueles hotéis: pessoas famosas/ricas da alta sociedade ou aquelas que queriam pertencer a este mundo "maravilhoso".

- Ok. E qual é a sua ideia de marketing para o seu novo hotel? - Ela segurou o tablet aberto para fazer anotações.

- Você não pode falar direito sobre algo, a menos que experimente. Concorda? - Ele olhou intensamente para ela e Alissa baixou de leve a cabeça, deixando que os fios castanhos caíssem para frente. 

Leopold a achava lindíssima, com cabelos longos o suficiente para ele enrola-lo na mão, enquanto a fodia por trás. Ele conseguia imaginar os seus dela se movendo, pedindo para serem beijados e apertados. 

Alissa se sentiu desconfortável, mas não de uma forma ruim, apenas... Diferente. Pela expressão de Leopold, ficou claro que ele estava pensando algo safado. 

- Sim, concordo. Mas nem todo mundo pode pagar só para experimentar. Às vezes, esse é o dinheiro que alguém economizou durante uma vida inteira. 

Leopold coçou o queixo, pensativo.

- Encontre-me aqui, em quatro horas. Isso deve lhe dar tempo suficiente para preparar uma mala. Quero que você tenha a experiência de se hospedar em um dos meus hotéis, o Atlantis. Ele compartilha a mesma premissa do El Dorado, então, você pode ter uma ideia de como é o El Dorado e ter material para escrever sobre isso. Então,  poderemos discutir ideias sobre o plano de marketing escolhido pela sua empresa.

Alissa olhou para Leopold, como se uma outra cabeça houvesse crescido nele. 

"Não é como se eu tivesse concordado com isso!", ela pensou, irritada. "E nem sou uma serviçal dele, pela qual ele não tem respeito, ainda por cima!". 

- Obrigada, senhor Dietrich, mas receio que isso não seja possível. 

- Por qual motivo? -  Ele a olhou, com descrença. - Por que você não pode ir? Você não precisará ir ao escritório amanhã, já que é sábado. Corrija-me se eu estiver errado, mas você não é casada, não tem nem filhos e nem um animal de estimação esperando por você em casa, para que você não possa ficar fora por pelo menos vinte e quatro horas. 

Alissa soltou uma risada baixa. 

- Não se trata de alguém me esperando! Não vou dormir fora de casa, em hotel, sem me planejar! - Ela estava com os olhos fechados como se tentasse manter a compostura.

Leopold se aproximou de Alissa lentamente, enquanto ela falava. Ela só percebeu a presença dele quando ele estava muito perto, e a mão dele segurava seus cabelos, na nuca, mas sem força. Ela abriu os olhos, assustada, e viu o rosto dele descendo em direção ao seu.

- Você aprenderá, senhorita Sutton, que não aceito um "não" como resposta. - Ele estava quase encostando os lábios deles, mantendo o contato visual. - Você estará aqui em três horas e cinquenta e três minutos. Meu motorista irá levá-la para casa e esperar por você lá fora. Entendeu?

Alissa estava sem palavras. 

- Entendeu? - ele perguntou novamente, puxando um pouco o cabelo dela. Não foi o suficiente para machucar, mas o suficiente para ela se sentir esquisita. Ao mesmo tempo em que se sentia afrontada, Alissa se sentiu estranhamente excitada. 

- Sim. - Ela murmurou, e, quando percebeu que seu tom saiu quase como um gemido, Alissa quis se estapear. 

Leopold tinha um sorriso quase imperceptível nos lábios. Ele inspirou o perfume dela e a soltou com delicadeza, indo para trás da mesa e sentando-se na cadeira. Alissa entendeu que estava sendo liberada.

Como diabos ela tinha concordado com aquilo? 

"Eu deixei que ele levasse a melhor!", ela brigou consigo mesma, minutos depois, lembrando da sensação do aperto dele em seus cabelos, o olhar intenso, a voz grossa num sussurro, o cheiro delicioso... "Aaargh! Eu só posso ter perdido a cabeça!".

- Esse homem é um maldito mandão! Mas se eu cancelar a minha ida, o Liam vai ficar fulo da vida, porque o patrão vai cair em cima dele e de mim. No fim, quem perde sou eu e não tô em condições de ficar desempregada! 

Alissa pensava em tudo isso enquanto arrumava a pequena e única mala que possuía. 

Ela havia perdido os pais quando tinha apenas sete anos e, como ninguém a reivindicou, Alissa ficou em um orfanato. Ter sido alvo dos valentões a fez ter mais certeza do que precisava ser feito: estudar muito e conseguir um bom emprego. Só assim ela poderia dar conta de si e não ficaria à mercê de mais ninguém. 

Mas nem todos foram ruins com ela. A simpática Senhora Smith, diretora do orfanato, sempre fez o que podia por ela, incluindo oferecendo um emprego de meio período, quando Alissa entrou para a faculdade. Assim, ela pode pagar seu curso de Analista de Marketing na California State University Long Beach. Infelizmente, a boa senhora faleceu e Alissa perdeu uma amiga. 

Ela enxugou as lágrimas causadas por aquelas lembranças, pegou sua bagagem e desceu. O motorista de Leopold chegou exatamente no horário estipulado. Nem um minutos antes, nenhum minuto depois. 

- Chegamos, senhorita. - O motorista disse, chamando a atenção de Alissa, que estava perdida em pensamentos. O homem tinha a porta aberta e a mão estendida para ela. 

- Obrigado, Louis. Eu assumo daqui. - Leopold apareceu ao lado do motorista, que deu um passo para o lado, permitindo que o patrão pudesse oferecer a mão para Alissa. 

Ela aceitou a ajuda e gostou do calor da mão de Leopold, percebendo que naquele momento, ele estava sendo gentil. Não havia vestígio de brincadeira ou zombaria na expressão dele. 

- Obrigada, senhor Dietrich. E obrigada, senhor Louis.

O motorista sorriu e assentiu. Após o movimento da cabeça de Leopold, ele se afastou.

- Bem-vinda ao Atlantis, senhorita Sutton. Hoje, você é minha convidada de honra.

Ainda segurando a mão dela, ele a conduziu até o hall do hotel. Nenhum deles percebeu que um paparazzo estava lá fora, tirando fotos deles.

"O calor dele é tão... Gostoso! Como ele...", Alissa mordeu o lábio. "Ai, qual o seu problema, garota? Tá carente? Ele é um babaca de marca maior. E você tá aqui pra trabalho!"

- Uma moeda pelos seus pensamentos. - Leopold sussurrou e quando Alissa olhou para cima, percebeu que o homem tinha ideia do que se passava na cabeça dela.

- Nada importante. Estou apenas hipnotizada com esse hotel maravilhoso. nunca havia entrado em um local tão lindo. - Ela não estava mentindo, olhando para a construção. Era como estar prestes a entrar em um mundo completamente diferente. 

- Oras, muito obrigado! Um elogio ao meu hotel é como um elogio para mim mesmo. - Leopold falou, orgulhoso. - Eu mesmo irei lhe mostrar a sua suíte e tudo o que pode ser oferecido para o seu deleite, aqui. 

Alissa engoliu em seco. Aquele homem era perigoso. Parecia que cada palavra dele levava consigo um significado diferente. E o pior, é que ela não podia dizer que não gostava. 

- Ah, obrigada. 

- Por favor, o cartão-chave da suíte presidencial. - Leopold pediu ao recepcionista.  O homem, claro, olhou para Alissa e pensou que ela devia ser uma mulher muito importante. Por mais que o patrão fosse atencioso com tudo relacionado ao hotel, ele nunca havia levado um hóspede, pessoalmente, a nenhum quarto. 

- Claro, Senhor Dietrich. - O homem se virou e pegou o cartão-chave. - Poderia me fornecer um documento, por favor, senhorita?

- Não, senhor Hansen, use o meu nome. Ela é uma convidada muito especial do nosso hotel, então é por minha conta. - Leopold estendeu a mão para receber o cartão-chave e olhou para Alissa com um largo sorriso.

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