Dois meses depois…
Sua boca devora meus lábios, fico sem ar e morrendo de vontade de tirar sua roupa que me impedem de tocar em seu corpo suado, suas mãos passeiam por todas as minhas curvas, ele suspende meu vestido, enquanto morde minha orelha. Bom, muito bom!
— Vou devorar você todinha, meu amor! — Sua voz rouca, deixa minha calcinha molhada e minha pele se arrepia, com o seu sussurrar em meu ouvido.
Olho em seus olhos e respondo, baixinho.
— Está esperando o quê? — Pergunto safada.
Em um movimento brusco, ele rasga minha calcinha, nossa! Quero muito fazer amor com ele. Não fico por baixo e tiro sua calça, deixando-o apenas de cueca boxe preta, um tesão!
Ele me joga na cama e seu corpo delicioso paira sobre mim, pego a camisinha e…
— Acordaaaa Karina! — Minha irmã sacode meus ombros.
Abro os olhos assustada, não acredito, que sonhei com a montanha de músculos louro novamente, nunca ouvi falar disso, são dois meses sonhando que estamos nos pegando e pior, sempre acaba na melhor parte, Aff!
— O que aconteceu Karen? Onde é o incêndio? — Pergunto colocando o travesseiro no rosto.
Ouço sua risada.
— Você que estava gritando: — Ai GOSTOSO, MAISSS, QUERO MAIS! Daqui a pouco terei que colocar janelas antirruídos, os vizinhos não são obrigados, a ouvir você gemer. — Ela responde sorrindo.
— Deixe de exagero, agora feche a porta, quando sair. — Coloco o travesseiro no rosto.
Ela abre as cortinas e puxa meu lençol e o travesseiro.
— Você está pelada Karina! O homem que você tem sonhos eróticos, te pegou de jeito dessa vez. —Ela fala sarcasticamente.
— Me deixa! —Falo jogando o travesseiro nela.
Ela não fala nada e sai rindo, lógico, que não dormir sem minha camisola, foi o tarado dos meus sonhos, que tirou.
— Realmente, preciso parar de sonhar com esses CEO'S, ou sair mais e arrumar um namorado real.
O meu último namorado me traiu com a colega de faculdade, ainda teve a audácia de dizer, que ela o seduziu, homens! Comigo só trai uma vez, pode implorar que não quero nem como amigo. Levanto da cama e procuro minha camisola, encontro-a no chão, ao lado da minha calcinha rasgada.
— Caracas! Que sonho!Pena que nunca finalizamos. — Falo suspirando.
Recolho as roupas do chão, coloco a camisola no cesto e a calcinha destruída no lixo, hoje é um dia importante para mim, acabei de ser contratada por uma grande empresa no ramo de automóveis, não sei mensurar o que estou sentindo. Pego meu conjunto de saia e blazer na cor vinho, a blusa branca de seda, escolho o conjunto de lingerie e deixo sobre a cama, vou para o banheiro, ligo o chuveiro e a água fria cai sobre o meu corpo, pego sabonete líquido com cheiro de rosas e começo a ensaboar-me, de repente as mãos do babaca estão sobre mim, sacudo a cabeça para disseminar todo o pensamento libidinoso que tenho com ele.
Termino o banho e me enxugo, pego meu creme na minha prateleira, feito especialmente para minha pele negra e hidrato meu corpo, visto meu conjunto de calcinha e sutiã pretos e coloco a roupa, penso que esse mês meu corpo estabilizou no tamanho 50, isso mesmo, sou negra, cacheada e apaixonada por cada curva do meu corpo.
Mas infelizmente, nem sempre fui assim, já passei pela fase da não aceitação, não aceitava meu cabelo, fazia dietas loucas para emagrecer e tentava incessantemente me encaixar nos padrões midiáticos e do ciclo de amizade, ainda bem que passou, não preciso emagrecer por causa de ninguém, esbanjo saúde, e me alimento bem, sem exageros, no entanto, quando minha TPM ataca? Como até os rebocos de casa com calda de chocolate, ser mulher, negra e gorda em uma sociedade machista, racista e gordofóbica não é brincadeira e se sua cabeça não estiver em boas condições você pira.
Pego meu sapato preto de salto alto, faço uma maquiagem leve e solto meus cabelos, hoje irei mantê-los bem volumosos, do jeito que amo. Olho-me no espelho e faço uma maquiagem leve, sombra e lápis pretos, para realçar meus olhos castanhos, passo um gloss de cereja nos lábios e estou pronta.
— Linda! Vai lá e arrasa! — Solto um beijo para minha imagem no espelho.
Coloco a bolsa no ombro, pego meu laptop e sigo para a sala, encontro Karen tomando café, quando me vê, ela sorrir, minha irmã é minha incentivadora, somos uma o alicerce da outra, nossos pais ficaram em Salvador quando nos mudamos para o Rio de Janeiro para estudarmos, queria tanto que eles viessem morar conosco, mas aqueles dois não desgrudam da Bahia. Saio dos meus devaneios com a pergunta de Karen.
— Você tem certeza que irá apenas trabalhar? Você está muito gata minha irmã. — Diz olhando-me de cima a baixo.
— Agradeço o elogio, mas hoje é só trabalho, nada de diversão, fui! Estou quase atrasada. — Falo, enquanto sigo para a porta.
— Não vai sentar e tomar café? Você sabe da importância da primeira refeição do dia.
— Sei mamãe! Tem uma cafeteira na empresa, hoje comerei lá, está tranquila agora?
— Se eu fosse sua mãe, te dava umas palmadas nessa bunda gigante e te obrigaria a comer.
Sorrio imaginando a cena.
— Beijos e se cuida!
— Vá com cuidado naquela arabaca velha que você chama de carro.
— Hei! Respeite meu limão. —Falo fingindo uma falsa chateação.
Após me despedir, sigo para o estacionamento e pego meu carro, um fusca verde limão, comprei de um vizinho, um senhor que infelizmente faleceu, eu amava ouvi suas histórias. Entro no meu possante e sigo para o escritório, no caminho penso em tudo que já passei até chegar aqui, sinto muito orgulho de mim, sem falsa modéstia, lutei contra meu próprio preconceito e me reformulei.
Vinte minutos depois entro no prédio dos alemães, apresento minha credencial para o segurança e sigo para a minha vaga exclusiva, designada ao meu cargo, diretora de marketing da K.M Automóveis S.A. Essa empresa é uma das maiores distribuidoras de carros esportivos da Europa e da América Latina, desço do meu limão, olho no espelho só para confirmar o que já sei e digo:
— Você pode tudo, poderosa!
Caminho em passos lentos para o elevador, entro, aperto o último andar e respiro fundo, o primeiro dia nos deixam ansiosos, quando as portas estão perto de fechar, uma mão masculina segura a porta, o elevador abre novamente e não acredito no que vejo.
É ele! O babaca, imbecil e gostoso que me confundiu com uma mendiga e que vem perturbando os meus sonhos. Espero que ele não me reconheça. Olhando-o mais de perto, não tem como não perceber sua beleza, depois do nosso encontro, pesquisei o seu idioma, pela última palavra que ele disse, o homão é alemão. Coincidência da porra, encontra-lo novamente. Como aqui é grande vou fazer de tudo, para não esbarrar com esse, com esse… — Saio dos meus pensamentos quando ouço sua voz.
— Bom dia! — Saúda sem olhar para mim.
— Bom dia! — Respondo baixinho.
De repente seu celular toca e ele atende no primeiro toque. Alguém fala algo e ele apenas responde.
— Diga que quando eu chegar, converso com ela. Obrigado Rose!
Hummm Rose, então o lindão é casado, mas não vi aliança em seu dedo, em momento algum, deve ser iguais aos homens sem vergonha, que mantém uma esperando em casa, enquanto varre a rua, realmente, não gosto dele e espero não sonhar mais com esse traidor. Quando falta apenas um andar para a cobertura, o elevador para, tudo escurece e o meu único pensamento foi…
Porra! Morrer ao lado desse homem, não estava em meus planos matinais.





