Um casamento por contrato

Então, pela forma que ele comia de seu próprio pão tranquilo e depois tomou o copo de suco eu pude ver que ele não sabia nada sobre mim, Ele não sabia nada sobre meu passado manchado de sangue, o que me restava a curiosidade: é porque não foi dito nada a ele? Pensei que o dom faria questão para que ele me torturasse após passar anos comendo de seu dinheiro.

Eu terminei minha refeição e ele se despediu de mim e disse ter um trabalho a fazer — ou alguém para matar — e eu não dei importância. Resolvi pegar minha mala e arrumar minha parte no grande armário. Ele parecia novo e estava grudado na parede, eu abri e havia um lado totalmente vazio, coloquei minhas roupas já dobradas e três pares de sapatos e ainda sobrou espaço para vestido e o que mais fosse. Então eu pude sentir um pequeno gosto de felicidade.

****

Quando retornei do trabalho, já com um sorriso nos lábios e animada, havia sido confortável ver tantos jovens interessados na leitura, a maioria era livros de romances tanto adolescentes como romances adultos. Também para aqueles livros de história para trabalhos, a distração da leitura me fez esquecer meu triste destino quando chegasse na hora do jantar. Mas, eu vi o olhar de minha mãe no corredor próximo ao quarto. Seu olhar ao me ver foi de surpresa, correu até mim e segurou meu antebraço, puxou-me até para dentro dele, e quando estávamos dentro do cómodo ela trancou a porta e me olhou dos pés a cabeça, seu olhar de alegria deu lugar a um de preocupação.

— Eu vi o lençol com sangue. Você está bem? como se sente? Quer ir ao médico?

Se Gregory se deu o trabalho de criar uma farsa, era por uma razão: ele queria me proteger ou a si próprio, seja qual for a razão eu tinha que manter o segredo a salvo, então resolvi mentir para minha mãe, mesmo que me parta o coração fazer isso.

— Mamãe, acredite em mim quando eu te disser que ele não me fez nada, quando ele me tocar a senhora será a primeira a saber.

— Eu vi o lençol sujo de sangue e acabei pensando que..

— Mamãe — Eu a olhei no fundo dos olhos, e apesar de temer aquele homem eu disse a verdade — Ele não me fez nenhum mal isso eu garanto a-

O ranger das dobradiças da porta ao ser aberta nos interrompeu e lá estava o meu esposo, tão alto e forte, ele parecia animado, foi direto para o armário, pegou uma muda de roupa e passou por mim.

— Troca de roupa, nós vamos dar uma volta.

Seu tom era autoritário, exigindo que eu me arrumasse.

— Mas, eu não quero sair.

— Eu não tô perguntando se você quer.

Certo nisso eu senti firmeza, então decidi não contrariá-lo, me despedi de minha mãe com um abraço e decidi o acompanhar.

Um vestido rosa-claro e minha sapatilha preta sem salto, passei o perfume adocicado que ele havia dito gostar noite passada, não pensando em agradá-lo e sim temendo discutir com o então meu marido, ele era o dobro do meu tamanho e tudo que eu não queria era provocar dele a ira. Me encontrei com ele no jardim, eu estava com os cabelos presos para trás e bem hidratados, e ele estava encostado em um carro de modelo simples, nõ era luxuoso, mas eu sabia que era dele e ficava na propriedade.

— Pra onde vamos? — Questionei com uma voz gentil.

— Sim.

Sério? aquela era a resposta dele? pensei reclamando em pensamento, ele abriu a porta do passageiro para mim. Eu olhava pela janela enquanto andávamos todo caminho e pude ver estarmos indo a um passeio, o sol estava quase se pondo, e era uma imagem bonita, já que o grande casarão de Dante ficava próximo de uma reserva natural, nós pegamos a uma estrada de terra e comecei a sentir meu estômago gelar, porém, acredito que ele notou a minha mudança de expressão, pois seu olhar veio para mim e pesou por breves segundos, ele foi estacionando o carro abaixo da sombra de uma árvore e era o lugar perfeito para ter a visão do por do sol, ele desligou o carro e ficou a olhar pelo vidro.

— Eu sempre venho aqui após um trabalho, para repensar um pouco na vida. Então, eu queria te trazer aqui para ver a beleza dessas flores.

— Você sabe que eu tenho medo de você, não sabe? — Eu queria que ele soubesse pois estava quase tremendo.

— Não — Ele me olhou — tudo que eu sei é que a senhorita tem uma opinião formada de mim. Eu sei que não é o casamento dos sonhos de toda moça, mas eu quero que dê certo.

— Por quê quer tanto que nosso casamento dê certo?

— E eu tenho motivos para não querer?

— A gente, — dou uma pausa e suspiro — nós não nos conhecemos — Dei uma pausa e gesticulei — e não nos amamos você sabe disso.

Ele deu uma pausa momentânea e depois sorriu sem emoção.

— Então deve ser porque eu sinta que é a primeira vez

Que eu possa ter algo que seja importante para mim, algo com que eu possa realmente me preocupar.

— Está brincando comigo?

— Esse medo todo é de mim?

— Não, eu só não confio em homens no geral.

Essas palavras parecem ter o surpreendido.

— Então por favor, por um instante, esqueça que eu sou um homem, e veja esse por do sol, borboletinha

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