Tudo o que eu te pedi foi: SALVE-ME!

Sentado no mesmo lugar de sempre, naquele tronco de árvore  da margem do rio, onde sempre ia desde a adolescência, Fred permanecia Imerso em seus pensamentos.

"Estou voltando. Espero resolver tudo com você. Sinto sua falta!" - A mensagem que Fred não tirava da cabeça. Já havia planejado várias formas de dar o troco por tamanha humilhação, mas se via incapaz de esquecê-la. Seu corpo e seu coração pertenciam somente a ela. E ela estava voltando.

De repente,  é arrancado de seus pensamentos por um pedido de socorro. Ele olhou em volta e pode perceber que alguém se afogava. Estava bem escuro, o que dificultava ainda mais.

A voz embargada, claramente era de uma mulher. Se ela estava tentando se matar, porque não procurou outras formas? Pensou ele.

Ainda conseguiu ver onde ela estava, e mesmo relutante, foi ajudá-la.

- droga! - reclamou ele quando a água fria cobriu sua cintura.

Antes de conseguir agarrar as mãos que já estavam entregues à morte, ele ouviu um último pedido. E com bastante dificuldades, trouxe a mulher para a margem.

Fred respirou aliviado. Estava agradecido por não levar seu sonho de ser salva-vidas a sério quando criança. Quase se afogou junto a mulher.

Ele se recusava fazer respiração boca a boca. Imagine se ela lhe acusasse depois de assédio?  Ele a mataria sem pensar duas vezes. Vai saber se não era isso mesmo que ela queria...morrer.

Ele percebeu que ela estava tornando. E esperou até poder lhe perguntar se ela estava bem. Mesmo sabendo que a mulher quase morreu, achou que deveria perguntar mesmo assim.

Ela tinha dificuldades, era notório,  mas se conseguia falar, não ia morrer logo.

[...]

- Isso só pode ser mentira! - Pensou Fred, ao ouvir que a mulher não tinha nenhum lugar pra ficar.

Ela poderia claramente estar fingindo. Ou estar fugindo da polícia. E se ela fosse uma criminosa? Ele olhou para a mulher a sua frente. Ela não tinha nem forças para falar, quem dirá lhe roubar ou tentar fazer alguma coisa com ele.

Ele esfregou o cenho com forças. Poderia estar arranjando mais problemas. A mulher poderia ser suicida, como ele lhe ajudaria? Talvez devesse mandar ela para um psiquiatra.

Mas, ele precisava primeiro resolver a questão daquela noite. Na manhã seguinte pensaria no que fazer.

- Vamos. Vou arranjar um lugar pra você passar a noite.

Ele andou até o seu carro. Percebeu que a mulher morria de frio, e lhe entregou sua jaqueta.

Fred dirigiu até o seu prédio,  talvez pela força do hábito. Jamais levaria aquela mulher pra dentro da sua casa, mas já que estava ali, aproveitaria para trocar de roupas.

Advertiu a mulher antes de adentrar.

Ele não teve ideia de quanto demorou. Mas achou a mulher dormindo pesadamente. Aproveitou para pensar em algum lugar que ele pudesse a levar. Lembrou de Marcos, seu amigo. Ele provavelmente teria algum quarto disponível.

- "será um prazer ajudar"- disse Marcos do outro lado da linha.

- "Estou indo então ".

Dito isto, Fred dirigiu até o hotel do seu amigo. Laura estava cansada demais, e permanecia dormindo.

-Chegamos. - Fred falou alto o suficiente para acordá-la.

Ela tomou um susto. Fred não ligou muito, ele já estava fazendo muita coisa por ela. Não era obrigado a nada.

- Este hotel é de um conhecido, já falei com ele, e ele irá lhe ajudar... - Fred foi interrompido por um agradecimento - Bem, pedirei ao meu assistente para vim amanhã,  ele trará alguns itens básicos pra você.

- novamente, muito obrigada!  E me desculpa pelo incômodo!

Ela era realmente um incômodo. Mas Fred nunca deixava nada incompleto. Se fosse pra fazer algo, que fizesse bem feito ou até o fim. Ainda que fosse "salvar" uma desconhecida.

- Boa noite, Fred! ‐ Disse Marcos muito feliz em ver o amigo de infância.

- Boa noite, Marcos. - Respondeu ele no mesmo tom de sempre.

- Boa noite, senhorita...- Marcos esperou ela lhe falar o nome.

- Laura. -  Respondeu ela com um meio sorriso.

- Oh, Laura! - Marcos olhou curioso para Fred.

Conhecendo o jeito dele, Laura não fazia seu tipo, e fora que ela estava num estado... um tanto ruim. - Seja muito bem-vinda no meu hotel.

Neste momento,  Fred percebeu que esqueceu de perguntar o nome da mulher. Na verdade, ele achava que logo se livraria dela, mas parecia um pouco difícil naquele momento.

- Amanhã peço para Tárcio passar aqui. E ele resolve tudo. - Fred diz interrompendo qualquer início de conversa.

- Tudo bem. Ela estará segura aqui! - Marcos deu uma piscadela para o amigo.

Isso causou repulsa em Fred. Tinha certeza que Marcos havia entendido tudo errado. Mas não estava afim de explicar nada, só queria ir embora.

- Boa noite! - Disse ele antes de partir.

Laura agradeceu mais uma vez. E Marcos lhe levou para o quarto. Mandou que trouxessem roupas e comida. De fato, ele não tinha entendido muito bem a situação ali.

Naquela noite, Fred se esqueceu do seu maior problema. Como se não bastasse, ele havia arranjado outro "o que fazer com a mulher que ele acabara de salvar?".

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