Depois de beijar Carlos, Debbie retirou-se imediatamente fugindo diretamente à sala em que a festa estava sendo celebrada.
"Debbie!", Karen gritou quando fechou a porta. "Você foi incrível, garota!" Ela disse com orgulho, batendo nas costas de Debbie. Respirando profundamente depois de fugir, Debbie suspirou com alívio.
Enquanto isso, o rosto de Carlos escureceu após o beijo de surpresa, ele ficou congelado no lugar, enquanto olhava a garota desaparecendo na sala 501. Ele estava prestes a pedir aos guarda-costas para arrastar Debbie para fora daquele lugar e jogá-la no mar, quando o seu telefone tocou.
Mesmo irritado com a interrupção, ele atendeu o telefone. Depois de ouvir por alguns segundos, ele respondeu: "Tudo bem. Já vou para lá." Ele desligou o telefone e olhou para a sala 501. Respirou profundamente para controlar sua raiva. Havia uma emergência na sua empresa que ele precisava atender imediatamente.
"Hoje é o seu dia de sorte, mulher. É melhor rezar para nunca mais me encontrar. Você não vai conseguir fugir da próxima vez que me provocar", murmurou Carlos enquanto se virava para sair.
Dentro da sala 501, Debbie estava esfregando as bochechas vermelhas, as sentiu queimar de vergonha. Essa foi a coisa mais louca que ela tinha feito na vida. Com o coração batendo forte, ela tinha na cabeça um turbilhão de pensamentos.
'Oh, Meu Deus! Esse foi o meu primeiro beijo e nem sei quem beijei! Isso significa que traí o meu marido? Oh, não importa! Já tenho os papéis do divórcio assinados. Isso é o suficiente mesmo que Carlos não queira assinar. Segundo a lei, um casal separado por mais de dois anos está automaticamente considerado divorciado.
Não o vejo há três anos, desde que nós nos casamos. Então, creio que legalmente, eu não sou mais sua esposa. Isso significa que eu não o estava traindo. Afinal, foi apenas um beijo.' Debbie se esqueceu de todo mundo que estava ao seu redor.
De repente, Karen gritou: "Oh Meu Deus!" E todos os seus amigos ficaram surpresos com sua reação.
"O que está fazendo, Karen? Você quase me matou de susto!" Kristina Lin estava prestes a beber um gole de vinho, mas acabou derramando o líquido e bateu no peito para se acalmar.
Karen estendeu a mão para Debbie, que ainda estava perdida nos próprios pensamentos, e a sacudiu pelos ombros.
"Você sabe quem é aquele homem?", ela perguntou com determinação. O homem que Debbie beijou era o tipo de homem que as mulheres sempre sonhavam. Ele era jovem, bonito, rico e poderoso, era dono de um grande grupo multinacional. As pessoas o chamavam de senhor Carlos. Toda a cidade conhecia aquele homem.
"Não, quem é ele?" Debbie perguntou enquanto tomava um grande gole de uma taça de champanhe.
"Carlos! Carlos Huo!", Karen gritou o nome, enquanto olhava para o rosto da aniversariante. Aquele nome deveria ser o suficiente para saber tudo sobre aquele homem, por isso, ela queria ter certeza de que Debbie estivesse ouvindo bem.
O champanhe derramou da boca de Debbie no exato momento em que Karen disse o nome de Carlos. Debbie começou a tossir fortemente, sem se dar conta de que havia cuspido a bebida no rosto de Karen. Karen, ao invés de ficar irritada, ficou totalmente atordoada.
Até Jeremías ficou surpreso ao ouvir o nome. "Senhor Carlos? Chefa, acho que você está com problemas", disse Jeremías, filho do CEO de uma empresa financeira da Cidade Y, e o nome de Carlos atingiu seus ouvidos como um trovão vindo do céu.
O nome também fez Kristina gritar. "Debbie, você beijou o senhor Carlos! Ohhh. Deixe-me beijar você porque é como beijá-lo também", gritou Kristina.
Debbie pegou um punhado de guardanapos e começou a limpar o rosto da amiga, mas a sua surpresa era tanta que se esqueceu de pedir desculpas.
Quando Kristina se aproximou, Debbie jogou os guardanapos sobre a mesa e fugiu o mais rápido que pôde.
De repente, ela se lembrou de algo. "Karen, você disse meu nome quando eu estava no corredor?", ela perguntou, e estremeceu ao pensar nisso. 'Droga! E se ele se lembrar do meu nome?'
Karen pegou mais lenços para secar o rosto e com a voz irritada respondeu: "Sim, eu disse. É por isso que você está tão agitada? Sim, deve ter sido emocionante beijar o senhor Carlos, mas você está exagerando, não está?"
Enquanto isso, ela amaldiçoou Debbie em voz baixa: "Sua pirralha! Veja o que você fez! Minha cara! E meu cabelo! Tudo ensopado de champanhe!"
Debbie deu um tapinha no braço de Karen para confortá-la e se desculpar, e de repente disse: "Divirtam-se, pessoal! Tenho que ir embora agora."
Assim que ela disse essas palavras, a garota saiu apressada. Seus amigos, com expressão atordoada, acompanharam sua silhueta deixando a festa.
Todos os seus amigos estavam pensando a mesma coisa. O que ela ia fazer? Tentar alcançar o senhor Carlos? Ela estava doida? Todos sabiam que muitas mulheres estavam atrás de Carlos, porém, para se livrar delas, o homem simplesmente pedia aos seus guarda-costas que tirassem suas roupas e as jogassem na rua. Pensando no que poderia acontecer, todos pensaram que deveriam parar Debbie.
Vários de seus amigos deixaram a sala onde comemoravam a festa, esperando conseguir impedir Debbie de fazer o que pensavam que ela estava planejando em fazer.
Mas a garota já tinha deixado o local e eles não conseguiram encontrá-la.
Assim que Debbie saiu do bar, ela chamou um táxi e pediu que a levasse para a casa onde estava hospedada.
'Espero que Carlos não tenha me reconhecido e que ele não vá para casa hoje à noite. Caso contrário, ele pode acabar pensando que me arrependi de ter pedido o divórcio e o beijei para chamar sua atenção.'
Ela encostou-se no banco traseiro do táxi e começou a pensar no que tinha acontecido.
Depois de obter a certidão de casamento, nos três anos de casamento, Carlos designou Philip para cuidar de sua comida, roupas e tudo que ela precisava.
Mas ela nunca tinha visto o homem com quem tinha se casado.
Por um lado, ele estava ocupado com o trabalho e passava a maior parte do tempo no exterior para cuidar de seus negócios.
Por outro lado, mesmo quando estava na cidade, Carlos ficava em outra casa. Eles tinham amigos diferentes e frequentavam diferente círculo social. Por isso, eles nunca tinham se conhecido, nem mesmo se encontrado uma única vez, durante esses três anos de casamento.
Quanto à certidão de casamento, o pai de Debbie a guardava com ele enquanto ainda estava vivo, mas, pouco antes de sua morte, ele a entregou a Carlos, por medo de que Debbie pedisse o divórcio.
Por esses motivos, Debbie não sabia como era o seu marido até aquele momento.
De repente ela se lembrou de algo, sentou-se arrumando a postura e deu um tapinha na testa. 'Ah, me lembro de tê-lo visto uma vez', pensou. Ela tinha visitado o escritório dele algumas vezes, porém em todas as vezes foi o assistente de Carlos que a recebeu, impedindo-a de qualquer chance de falar com o seu marido. Porém, na última vez que ela foi à empresa, Debbie não disse para ninguém quem era, sendo assim, os seguranças a impediram de entrar no prédio. Naquele momento, Carlos tinha acabado de voltar de uma viagem ao exterior. E enquanto ela estava do lado de fora, viu de longe o marido sair do carro.
Infelizmente, era muito longe para dar uma boa olhada nele, sem falar que o episódio tinha passado há muito tempo. Mesmo sabendo o nome dele, ela nunca conseguiu encontrar nenhuma foto de Carlos na internet. Ele era um homem discreto, nunca dava entrevistas para imprensa e não permitia que ninguém publicasse suas fotos.
Porém, uma vez alguém postou uma foto dele, onde se dizia que ele estava segurando a mão de uma atriz. Mas antes que Debbie pudesse vê-la, eles fizeram a foto desaparecer da internet.
Quem pensaria que hoje, finalmente, ela veria o rosto do marido.
E ela até o beijou! Se ele tivesse assinado os papéis do divórcio, tecnicamente, seria o ex-marido dela.
Todos sabiam que muitas mulheres gostavam de Carlos, e que ele odiava aquelas que tomavam a iniciativa de abordá-lo.
Por isso, esse era mais um motivo para deixar Debbie agitada. 'Oh Meu Deus! Estou com problemas. Eu realmente espero que ele não me reconheça', rezou ela silenciosamente.
Quando ela chegou em casa, soltou um profundo suspiro de alívio ao perceber que nenhuma luz estava acesa.
"Talvez ele não tenha ouvido Karen falando o meu nome, e também não me reconheceu. Agradeço a Deus por isso!", ela murmurou.
Tocando o rosto ainda vermelho, ela se jogou no sofá da sala e se lembrou de tudo o que tinha acontecido naquela noite. "Se ele tivesse me reconhecido, certamente não gostaria de mim, mas talvez seja melhor. Dessa forma, ele assinaria os papéis de divórcio sem hesitar", ela murmurou.
Debbie estava no terceiro ano do Departamento de Finanças da Faculdade de Economia e Administração da Universidade da Cidade Y.
Havia mais de 50 estudantes na sua turma. Quarenta deles passaram no vestibular, enquanto os outros conseguiram entrar com dinheiro.
A Universidade da Cidade Y estava entre as 3 melhores universidades do país. Até Carlos tinha se formado naquela instituição. Não era à toa que havia uma longa lista de pessoas que queriam se inscrever. No entanto, Debbie foi uma daquelas pessoas que pagou para entrar.
Marc Dou, um velho professor, estava em pé em frente à classe. Ele colocou os óculos sobre o nariz e respirou profundamente, enquanto olhava para os alunos, a maioria tinha cara de sono.
De repente, surgiu um barulho alto! O professor tinha jogado um livro na mesa com força. O som fez com que muitos estudantes despertassem e eles rapidamente se ajeitaram nas suas cadeiras.
Porém, uma aluna vestindo um casaco branco, que estava sentada na fila de trás, permanecia dormindo apoiada na mesa.
Irritado, Marc gritou: "Debbie!" Apesar de ser um homem velho de cabelos grisalhos, sua voz ainda era estridente. O silêncio que se seguiu foi tal que seria possível ouvir um alfinete caindo.
Mas nem o barulho nem o silêncio fizeram diferença para Debbie, que continuou dormindo. Todos olhavam para ela, enquanto ela vagava pela terra dos sonhos.





