Sua Traição, Minha Volta por Cima Avassaladora

Ponto de Vista de Elisa:

As palavras "aborto espontâneo" e "sedativo" ecoavam no quarto estéril do hospital, cada sílaba um novo corte. Eu estava ali, entorpecida, a dor física uma pulsação surda comparada à ferida aberta em meu coração. As perguntas da médica sobre o sedativo foram recebidas com meu olhar vazio. Eu sabia. No fundo, uma certeza aterrorizante floresceu. Isso não foi um acidente. Isso foi orquestrado.

A enfermeira entrou, seus movimentos gentis, oferecendo água. Eu a afastei. A imagem do carro de Bruno, acelerando para longe do penhasco, brilhou em minha mente. Ele me deixou lá, empurrou nosso carro para fora da estrada, esperando que ninguém me encontrasse. Não foram os paparazzi. Foi ele. Quando ele jogou o carro do penhasco, no oceano, senti o terror, a água fria entrando, e então... escuridão.

A médica, uma mulher de rosto gentil cujo nome eu não conseguia lembrar, se inclinou. "Sua condição é estável, mas você está muito fraca. Você precisa descansar."

Descansar. A palavra zombava de mim. Como eu poderia descansar quando meu mundo havia sido despedaçado? Meu bebê, perdido. Minha carreira, arruinada. Meu marido, um assassino. Meu corpo, um campo de batalha de dores e vazio.

"Alguém... alguém ligou para o meu marido?" perguntei, o nome parecendo estranho na minha língua. Um teste. Uma esperança desesperada e tola.

A médica balançou a cabeça. "Não, não conseguimos contatá-lo. Entramos em contato com seu contato de emergência, a Sra. Peterson."

Minha assistente. Leal, mas no final, impotente. Bruno havia se certificado disso também. Ele realmente me isolou.

Uma memória súbita e nítida atravessou a névoa. O penhasco, antes do carro mergulhar. Uma figura, alta e ameaçadora, me puxando dos destroços, me empurrando em direção à beira. Não era Bruno. Era um homem mascarado. E então, pouco antes de eu perder a consciência, um sussurro arrepiante: "Isso é pela Bia."

Bia. Claro. Ela estava por trás disso. Mas Bruno... ele era cúmplice. Ele me deixou para morrer. Ele dirigiu o carro, suas mãos no volante, enquanto eu sangrava no banco do passageiro. O sedativo. Tudo fazia sentido. Ele me queria fora do caminho. Ele queria que eu sofresse.

A médica, vendo minha angústia, ofereceu outro sedativo. Eu recuei. "Não," eu disse, minha voz mal um sussurro. "Chega de sedativos."

Uma nova dor, uma resolução feroz, começou a se agitar dentro de mim. Recusei-me a ser uma vítima. Recusei-me a deixá-lo vencer. Eu não deixaria minha história terminar aqui, nesta cama de hospital, com meu bebê perdido e minha vida em ruínas.

Olhei para minhas mãos, enfaixadas e fracas. Elas costumavam segurar microfones, digitar artigos furiosos, assinar documentos importantes. Agora pareciam inúteis. Mas o fogo em meu estômago estava crescendo.

Um homem entrou no quarto então, sua presença silenciosa, mas imponente. Ele era alto, com olhos gentis e uma mandíbula forte, um observador silencioso do meu acidente. Meu salvador. Caio Pereira. Ele tinha sido quem me tirou dos destroços. Ele foi quem ficou comigo, sua presença uma âncora firme em meu caos turbulento.

"Sra. Ferraz," ele disse, sua voz um murmúrio baixo. "Está descansando o suficiente?"

"Descanso é para os mortos, Sr. Pereira," respondi, um tom amargo na minha voz. "E eu ainda não estou morta."

Ele assentiu, um brilho de compreensão em seus olhos. Ele não ofereceu platitudes ou garantias vazias. Ele simplesmente entendeu.

"A polícia quer falar com você sobre o acidente," a médica interveio.

"Diga a eles que não estou pronta," eu disse, meu olhar fixo em Caio. Ele estava lá. Ele tinha visto algo. Ele me salvou.

Caio encontrou meu olhar, uma pergunta silenciosa em seus olhos. Balancei a cabeça, uma mensagem sutil. Ainda não. Eu precisava recuperar minhas forças. Precisava pensar. Precisava planejar.

Minha mente acelerou. Bruno. Bia. Minha carreira. Meu filho perdido. A teia de traição era vasta e profunda. Eu havia perdido tudo, mas nessa perda, um novo tipo de força foi forjado. Uma resolução fria e dura.

Pensei na mãe de Bruno, Eleonora, suas palavras cruéis ecoando em minha mente. "Você é uma mancha nesta família." Ela se deleitaria com minha queda. Ela celebraria minha morte. Mas eu não estava morta. E eu me certificaria de que ela soubesse disso.

Fechei os olhos, imaginando os rostos daqueles que me fizeram mal. Bruno, seus olhos frios, sua traição calculada. Bia, sua vulnerabilidade fingida, sua ambição implacável. Eleonora, seu desdém gelado. Eles pensaram que tinham vencido. Eles pensaram que tinham me quebrado.

Mas eles me subestimaram. Eles se esqueceram que uma fênix renasce das cinzas, mais forte e mais bela do que antes. A dor ainda estava lá, uma companheira constante, mas agora era um combustível, não um impedimento. Minha vingança não seria rápida. Seria metódica. Seria absoluta.

Caio colocou uma mão gentilmente em meu braço, seu toque quente e firme. "Você é uma lutadora," ele disse, sua voz baixa. Não era uma pergunta. Era uma afirmação.

Olhei para ele, realmente olhei para ele, e pela primeira vez no que pareceu uma eternidade, uma pequena centelha de algo além de desespero brilhou dentro de mim. Esperança. Ou talvez, apenas a promessa de retribuição.

"Eu sou," afirmei, minha voz ganhando força. "E eles estão prestes a descobrir exatamente o que isso significa." Minhas mãos ainda doíam, mas senti um novo tipo de poder fluindo através delas. Este não era o fim. Este era apenas o começo.

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