Lena correu para casa assim que deixou o resort de águas termais.
Quando ela chegou, a cena era caótica: as ferramentas da barraca de comida estavam espalhadas e destruídas.
Seu irmão, Leroy Evans, não estava em lugar algum, e sua mãe, Kamila Jonson, estava sentada no chão, chorando.
"Mãe! O que aconteceu? Onde está Leroy?"
Lena se ajoelhou ao lado dela, o olhar percorrendo seu rosto pálido até parar na marca arroxeada que inchava sua bochecha.
Em meio aos soluços, Kamila disse: "A família Evans ainda está com ele. Eles me expulsaram e me avisaram para não falar com os Harveys. Avisaram que, se eu causasse qualquer problema... eles iriam..."
Sua voz fraquejou, os soluços engolindo as palavras. "Iriam prejudicar Leroy."
"Isso é um absurdo!"
Lena cerrou os punhos com força. A fúria tomou conta dela quando ela percebeu que eles estavam inteiramente à mercê da família Evans.
Kamila, ainda abalada, começou a recolher os pedaços da barraca destruída, mas suas mãos tremiam. "Leroy sempre é frágil... desde que era bebê. Se machucarem ele... pode não sobreviver."
Lena respirou fundo, engolindo o pânico e deixando que apenas a determinação tomasse conta. "Não se preocupe, mãe, eu o trarei de volta."
Lena ainda não entendia por que Alana não conseguia ter intimidade com Dylan, mas uma coisa era certa: a família Evans escondia algo.
Seu objetivo era claro — libertar Leroy das garras deles, ileso e de uma vez por todas.
Por anos, Juliet Evans, mãe de Alana, espalhou sua tirania sem pudor, reduzindo a família de Lena a uma luta diária pela sobrevivência, os levando a vender salgadinhos na rua. Lena estudou e se formou, mas cada tentativa de se firmar profissionalmente terminava da mesma forma: rejeição após rejeição.
A influência dos Evans se estendia muito além do que os olhos podiam ver, e eles nunca os deixariam em paz.
Se ela não fizesse algo agora, quando finalmente deixasse de ser útil para eles, sabia que seria esmagada sem qualquer remorso.
Depois de cuidar da mãe ferida, Lena decidiu não esperar mais. Ela saiu determinada rumo à casa dos Evans, onde Alana, despreocupada e alheia à miséria que causava, admirava uma nova coleção de bolsas e roupas na sala de estar.
Ao notar a chegada de Lena, ela ergueu o queixo e fingiu indiferença, deslizando os dedos pelos tecidos luxuosos como se nada mais importasse.
Lena respirou fundo, engolindo o nó de indignação na sua garganta. "Alana, eu imploro, por favor, pare de atormentar minha mãe."
Apesar de já terem concordado com a exigência, isso não impediu que sua mãe e seu irmão continuassem sendo humilhados e maltratados sem misericórdia.
"Atormentar?"
Alana soltou uma risada cortante, como se Lena tivesse acabado de contar a piada mais absurda do mundo. Lentamente, caminhou até ela e, num movimento brusco, agarrou seu pescoço com força.
"Lena, não se esqueça de uma coisa: sua família não significa nada para nós. Vidas insignificantes como as de vocês sequer valem o esforço de atormentar."
Apenas quando o rosto de Lena ficou vermelho, ela a soltou, pegando um lenço úmido da mesa para limpar os dedos, como se tivesse tocado em algo repulsivo. "Mas se você quer que a gente pare, há uma solução bem simples."
Sorrindo, ela pediu: "Traga um teclado de computador."
Uma empregada entrou apressada, trazendo um teclado de computador.
"Coloque no chão", Alana ordenou, um sorriso malicioso dançando nos seus lábios.
Lena sentiu o sangue se esvair do seu rosto.
Alana disse com desdém: "É simples, você só precisa se ajoelhar, dar um tapa no próprio rosto e gritar: 'Eu sou um lixo, e minha mãe também'. Faça isso, e talvez eu considere convencer minha família."
As mãos de Lena se fecharam em punhos, suas unhas se cravando na pele. Ela sabia que Alana se alimentava do poder que exercia sobre os outros, e que reagir impulsivamente só lhe daria mais satisfação.
Alana cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha. "O que foi? Está difícil se ajoelhar? Quer que eu ajude?"
Lena abaixou o olhar e, disfarçando a fúria que lhe queimava por dentro, disse suavemente: "Se eu me ajoelhar, posso machucar meus joelhos. E se o senhor Harvey precisar da minha companhia hoje à noite, ele não vai gostar de ver isso..."
O nome de Dylan apagou instantaneamente o brilho de superioridade no rosto de Alana. Seu semblante se fechou numa sombra de ódio e, sem hesitar, ela desferiu um tapa forte contra o rosto de Lena.
"Tal mãe, tal filha! As duas só sabem se agarrar a homens!"
Com veneno transbordando da sua voz, ela acrescentou: "A noite passada não foi suficiente para você? Está esperando por mais hoje? Pois que pena... esta noite ele é meu! Agora se ajoelhe!"
Lena desviou o olhar e começou a se ajoelhar, reprimindo a humilhação.
Depois de uma semana submersa em banhos de leite, sua pele estava mais sensível do que nunca, e a dor aguda a fez prender a respiração.
Alana soltou uma risada cruel ao ver as teclas se cravando no joelho da outra. "Eu já te disse antes, não disse? Você não passa de um brinquedo aos meus pés. E, mesmo assim, pessoas como você insistem em achar que podem se conectar à minha família. Agora, comece a se estapear!"
Lena permanecia imóvel.
Vendo sua hesitação, Alana zombou: "O que é? Não consegue? Ah... talvez eu devesse fazer uma ligação para o centro de atendimento, quem sabe eles deem um pouco mais de atenção ao seu irmão."
Lágrimas quentes escorriam pelo rosto de Lena enquanto ela levantava a mão trêmula para estapear sua própria bochecha.
De repente, a voz da governanta ecoou do lado de fora: "Senhorita, os Harveys estão aqui."
A expressão presunçosa de Alana vacilou no mesmo instante.





