COBRA
Estava na minha sala, cheirando um pó e
aproveitando a brisa, quando os dois
viados entraram de volta na minha sala,
tirando a tranquilidade que eu tinha.
Cobra: Hoje vocês decidiram me tirar a
paz, caralho! Bando de arrombados do
carai!
DK: Você tá chapado em plena luz do dia,
Cobra. Essas coisas estão te fazendo
mal, tá ligado?
Cobra: Tô suave, são as únicas coisas
que me deixam em paz e me fazem
esquecer da merda que a vagabunda me
fez, tá ligado?
Terror: Pode crer, viemos lá da goma do
coroa que deve uma grana alta pra tu, se
pá.
Cobra: Dá o papo, porra.
DK: E aí que tá, não estivemos com o
coroa, e sim com a filha dele, que, por
sinal, é gostosinha. Bagulho doido, porra!
Nunca tinha visto a mina antes, mas
parece uma deusa de tão linda que a
mina é.
Cobra: Tá de caó com minha cara, né?
Vocês foram lá para ver a mina e não
cobraram o coroa, seus viados?
Terror: Sem neurose! E claro que fomos lá
cobrar o cara, mas a mina disse que ele
estava passando mal. Com certeza ele
estava bêbado e só isso que o
desgraçado do velho sabe fazer.
Cobra: Não importa! Eu metia o louco e
enfiava a arma na testa dele rapidinho, a
bebedeira passava. Estou vendo que eu
mesmo vou ter que ir atrás desse velho
desgraçado. Vocês estão muito fracos.
DK: Dê mais um tempo, Cobra. Talvez
eles não tenham o dinheiro; eles são
humildes, cara.
Bati na mesa com força.
Cobra: Tô nem aí se essa porra e humilde
caralho, quando pegar esse coroa
maldito safado, tá fudido na minha
mão,ta ligado?
Terror: Calma, cara! Ele tem uma filha
que parece ser órfã de mãe. Vamos
manter a calma; a garota estava
assustada. Não vamos chegar lá e ser
grossos com ela.
Cobra: De grosso aqui e só meu pau! Vou
chegar lá e meter um tiro na cara do
desgraçado e da puta da filha que me
deve há meses, morô.
Terror: Calma, pô, a gente resolve isso e,
se o velho, não passa a grana, você vai lá
e faz o que quiser com ele.
Eu me levanto da minha cadeira, pego
meu maço de maconha e acendo. Aquela
brisa me deixava loucão e fico frente a
frente com o Terror.
Cobra: Por que não posso ir na casa do
coroa? Vai dizer que já 'gamou' na mina e
quer proteger o pai, Terror?
Terror: Claro que não, tá doido? Eu só
achei a mina de responsa. Não sabe que
o pai dela deve uma grana pra você. A
mina tem cara de ser ingênua, tá ligado?
Cobra: Essas minas que têm cara de
ingênua são as piores. Elas fazem a gente
esquecer tudo, o bandido fica de quatro
por elas e depois vazam, tá ligado? Ou te
trocam por um vacilão, Zé ruela.
DK: Você não esquece essa porra
mesmo, né?
Cobra: Vou meter o pé, tem baile hoje à
noite. Quero comer carne nova. Essas
putas daqui já me cansaram e vou dar
meu papo,quero minha grana aqui até
amanhã, se não, eu que vou lá e cobrar o
velho, caralho, não vou querer saber se a
mina é linda ou tem cara de ingênua; eu
vou passar os dois. Pega a visão, porra!
Peguei minha moto e estava subindo
acelerado em direção à minha goma
quando, de repente, uma moça
atravessou a rua sem prestar atenção. Ao
frear a moto para não atropelá-la, ela se
assustou com barulho e deixou as
sacolas cair no chão.
Estacionei a moto e desci bastante puto
com pessoas que não prestam atenção
por onde andam. Fui em direção a porra
da garota que estava pegando seus
pertences do chão.
Cobra: Você não olha por onde anda, não
caralho? Eu podia ter te atropelado, sua
estupida!
Ao me aproximar dela, já estava bastante
agitado, e percebi que ela não me olhava.
— Me desculpe, estava distraída, moço.
Ajoelhei-me ao seu lado, segurei seu
braço, forçando-a se levantar e a olhar
para mim. Quando ela me encarou, fiquei
surpreso; a garota era extremamente
linda, quase parecia um anjo. No entanto,
não me deixei levar pela sua beleza.
Cobra: Na próxima vez, vou passar por
cima de você, garota.
— Me desculpe, por favor, você está
machucando meu braço.
Olhei em seus olhos, que já se
umedeciam com lágrimas, e a soltei,
saindo apressado em direção à minha
moto.
Cheguei na minha goma e fui direto tomar
um banho gelado.
Cobra: Que mulher era aquela?
Parecia um anjo, véi.
Depois do banho, percebi que já
estava anoitecendo, então me arrumei
para o baile, pronto para comer para
comer uma gatinha. Fui de moto e o baile
tava frenético, do jeito que papai gosta.
Subi para o meu camarote, fui pegar uma
cerveja e me sentei para observar o
movimento. Então, uma gostosa veio e se
sentou no meu colo, tentando me beijar,
mas eu a empurrei para o chão, pois não
curto essa porra de aproximação.
-Que loucura, Cobra, por que você fez
isso?
Cobra: Não gosto de ser beijado por
putas ta , ligado? Agora, vaza daqui
caralho.





