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Só com um beijo
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Só com um beijo

9.5
/ 10
Em Só com um beijo, o bilionário Owen tenta superar traições do passado através de encontros casuais. Ao conhecer Anna, uma jovem determinada, ele confronta seus traumas. Descubra como esse romance moderno une mundos opostos nesta envolvente fiction fantasy romance books.

Resumo de Só com um beijo

Owen, um magnata digital de 43 anos, vive mergulhado no cinismo após ser traído pela esposa e deixado sozinho com a filha. Sem crer no amor, ele busca refúgio em casos vazios. Sua vida muda ao conhecer Anna, uma estudante esforçada que sustenta um namorado acomodado enquanto sonha com o magistério. O encontro entre o bilionário amargurado e a jovem batalhadora gera uma conexão inesperada. Juntos, esses dois mundos opostos provarão que corações feridos podem encontrar a cura.
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Capítulo 1 de Só com um beijo

Ela ainda não entendia. Como podia ter aceitado uma proposta daquelas?

Anna parou em um canto para observar. Não dizia nada, não se movia, apenas o observava. Queria poder parar de pensar naquilo, queria que nunca tivesse acontecido; assim não se sentiria tão pequena, tão insignificante. Era uma iludida. Mas quase tudo já tinha terminado; só precisava aguentar mais um pouco.

Aquele dia... aquele beijo... Não, não podia pensar nisso. Sacudiu a cabeça como se quisesse expulsar a lembrança, mas as sensações continuavam grudadas na pele.

Desviou o olhar e acompanhou a linha branca das mesas. Um hotel tão elegante, tão distinto, com toda aquela decoração cara. Quadros colocados milimetricamente na distância exata uns dos outros; luminárias enormes brilhando intensamente no teto; móveis antigos espalhados por pequenos cantos e esquinas. E, ao fundo do salão, uma orquestra muito bem afinada que oferecia aos convidados melodias suaves e íntimas de jazz.

Mesmo com seu lindo vestido, os sapatos e os diamantes pendurados no pescoço, Anna sabia que não pertencia àquele ambiente. A atmosfera estava pesada, lembrando-a o tempo todo de que aquele não era o seu lugar. O ritmo da música mudou um pouco.

Seu olhar parou diretamente em Owen, que dançava com Elena no meio da pista. Estavam quase sozinhos; a maioria dos convidados apenas observava, com sorrisos de canto, olhares baixos e murmúrios. Estavam muito entretidos com o espetáculo principal.

- É um idiota condenado -disse Bob.

Anna virou só um pouco e olhou para ele.

- Desculpa... aquela mulher -disse ele mais baixo, quase envergonhado.

- Não se preocupe, eu entendo -disse Anna. - Ele ainda sente algo por ela, não é?

- Não sei... sinceramente, não sei, Anna. Às vezes acho que sim, mas depois ele tem aqueles momentos de fúria... ah! Até eu fico confuso.

Bob conhecia Owen desde pequenos; sempre foram amigos inseparáveis. Sentia-o mais como um irmão do que como um amigo de alma. Tinha visto Owen se casar com Elena, tinha visto no que ele tinha se transformado. Suspirou, vencido. Amava o amigo, mas às vezes tinha muita vontade de quebrar alguma coisa na cabeça dele.

- Talvez, se eu quebrar uma garrafa na cabeça dele, eu descubra se ainda lhe sobra matéria cinzenta - disse meio baixo, como se falasse consigo mesmo.

Anna esboçou um leve sorriso. Tinha um nó no estômago; conhecía a história por trás e sabia o que Elena estava tentando fazer - o que não entendía era o que ela mesma fazia ali, no meio de tudo aquilo.

- Ela o enganou descaradamente! Ele a encontrou dentro da própria casa com o amante! Você acha que ela se preocupou com Eva? Que se importou com a filha? Quando Owen a expulsou como a um cachorro e lhe deu todo o dinheiro do acordo de divórcio, ela entrou num avião com aquele sujeito e sumiu. Owen me contou que ela nem sequer mencionou a menina, nem perguntou por ela! E agora isto?! Aquela mulher é uma bruxa!

Foi mais ou menos isso que sua amiga Lali, prima de Owen, lhe havia contado. Anna só podia imaginar toda aquela dor, toda aquela mágoa. E, embora ela própria também convivesse com a dor todos os dias, não alcançava a dimensão do que Owen devia ter sentido; sozinho com sua filha pequena, abandonado e traído.

- Me tira pra dançar - disse ela de repente a Bob.

- O quê?

- Me tira pra dançar, eu vou tirá-lo dali - respondeu convicta.

- Você não precisa fazer nada disso, Anna.

- Eu sei, mas não posso deixar que ela faça isso com ele... É muito triste.

Bob pensou por alguns instantes. A garota tinha coragem. De onde Owen a tinha tirado? Pelo visto, ela conhecia a história do amigo e estava genuinamente preocupada com ele. Talvez... não, Owen não se permitiria algo assim; não deixaria ninguém se aproximar. Mas, ao ver a determinação nos olhos de Anna, ofereceu-lhe o braço com um sorriso e começaram a caminhar em direção à pista.

Os olhos de Owen se cravaram nela enquanto ela se aproximava de braço dado com seu amigo; não esperava vê-la daquele jeito, tão bonita. Mas... o que ela estava fazendo? O acordo era simples: ele precisava de alguém que o acompanhasse, um acessório que entrasse com ele naquele hotel, sorrisse um pouco, se comportasse com decoro e, em troca, a dama receberia uma transferência de cinco dígitos em sua conta bancária. Um trato mais que justo por algumas horas de "presença".

Bob segurou Anna pela cintura e eles começaram a se mover no compasso da música. De vez em quando, ele cruzava olhares desesperados com o amigo, como se quisesse incitá-lo a parar com aquele espetáculo que estava dando. Sacudia a cabeça, apontando para Anna. Mas ela tinha os próprios planos.

Ela parou muito perto de Owen e Elena. Bob a olhou, expectante, e Owen a encarou com um toque de desdém.

- Owen... - disse Anna.

Elena a examinou dos pés à cabeça. Sim, era bonita, jovem e usava um bom vestido, mas nem chegava perto do tipo de mulher que ela era. A sofisticação e a elegância naturais, a beleza quase sobrenatural, a boca vermelha e o cabelo preto.

- O quê? - respondeu ele, irritado.

Anna se desprendeu de seu par de dança e pousou a mão no ombro dele, mesmo enquanto Owen ainda segurava Elena pela cintura. Ele pôde sentir o calor daquela mão pequena atravessando o tecido do terno.

- Desculpa? - indignou-se Elena diante de tanta ousadia daquela pirralha.

- Perdão, sou Anna, muito prazer. Sinto interromper vocês, mas... eu queria beber alguma coisa, Owen.

O quê? A confusão se desenhou no rosto daquele homem alto, de fios grisalhos. Ele arregalou os olhos, e Anna cravou os seus nele com uma intensidade que o desequilibrou.

Bob não podia acreditar; estava quase soltando um grito de empolgação. Olha só! Se ela desgrudasse Owen de Elena, se o tirasse dali, deixando aquela vadia sozinha na pista de dança, ele mesmo ergueria uma estátua dela em uma praça pública.

Mas Owen estava tendo dificuldade para reagir. Tinha todas as emoções de cabeça para baixo: em suas mãos, a mulher que ele havia amado com loucura, com desespero, com devoção; a mesma que o traiu com seu sócio, se enrolando com ele dentro de sua casa e em sua cama, a poucos metros do quarto da filha. Em seu ombro, a mão quente e pequena daquela garota tão franca e simples, que só existia ali porque sim, a quem ele tinha roubado um beijo fugaz...

Os olhos enormes e límpidos de Anna pareciam perfurar-lhe a alma. Por um momento, ele se sentiu exposto, vulnerável.

Diante da hesitação do seu amigo idiota, Bob decidiu dar um passo à frente.

- Elena! Elena, querida! Muito obrigado por ter me convidado! Queria cumprimentá-la antes, mas você está sempre cercada de gente. Olha como você está linda depois de tanto tempo! Uma loucura! - cumprimentou-a de forma exagerada, elevando um pouco a voz, tentando se meter entre eles.

Anna lhe deu um leve sorriso e apertou um pouco mais a mão sobre o ombro de Owen, e ele finalmente soltou a cintura de Elena. Virou-se e a seguiu para fora da pista. Elena tentou dar alguns passos em direção a ele, mas Bob se plantou à sua frente.

- Nem pense nisso, querida - disse, fingindo um enorme sorriso e sussurrando.

- Bob, Bob... - ela balançou a cabeça. - Você realmente acha que uma mulher assim é concorrência para mim? Vamos!

- Não sei, não me importa. Volte para o seu buraco, vá embora e não volte. Deixe-o em paz.

Ir embora? Agora que tinha comprovado, em primeira mão, que ainda exercia poder sobre ele? Agora que ele era o Diretor-Geral? Só podia ser brincadeira. Claro que não iria embora - estava apenas começando.

Anna passou o resto da noite tentando impedir Owen sempre que parecia querer voltar a se aproximar da órbita da ex-esposa. Falava com ele, fazia perguntas, pedia bebidas e até ajeitava o lenço do paletó. Tinha certeza de que aqueles olhos mortos daquela mulher continuariam procurando por ele. Owen apenas a observava, sem dizer nada. Respondia seco, com poucas palavras e, ainda assim... da mesma forma que Elena o atraía, Anna o afastava.

Por fim, ele decidiu ir embora, e Bob soltou todo o ar que vinha prendendo. Saíram os três e Owen abriu a porta do carro para Anna.

- Não sei de onde você tirou essa menina, Owen, mas ela salvou sua pele hoje - disse Bob, aproximando-se um pouco.

- É a garota que faz a limpeza na empresa, à noite - respondeu ele, distante.

- O quê!?

- É amiga da Lali...

- Preciso pedir para a Lali me apresentar as amigas dela!

- Não seja ridículo.

- Bom, pelo menos dê um aumento para a Anna - brincou o amigo.

- Aumento? Acha que ela veio por amizade? Veio por dinheiro, como todas - sua voz soou como sempre, cínica.

Bob parou bem na frente dele e colocou a mão em seu ombro.

- Olha, Owen, eu sei como você se sente e como pensa. Mas o que aquela garota fez por você esta noite... ninguém faz por dinheiro. Só... não se engane de novo.

Deu dois tapinhas no ombro de Owen e foi embora. Ele entrou no carro - ainda precisava levar Anna ao apartamento dela para que trocasse de roupa e depois deixá-la de volta no próprio prédio.

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