Sexy e Possessivo

Gina me puxou para perto do estacionamento, dizendo que ia dirigir. Ela bebeu demais até para seus próprios padrões, o que me fazia pensar que não estava nenhum pouco capacitada para dirigir neste estado.

— Acho melhor pedir um táxi. Você não pode dirigir assim. — Eu disse. Gina olhou para mim por cima do ombro, riu e apontou para um Porsche cinza do outro lado do estacionamento.

— É o carro do George. — Ela disse. Os olhos de Gina brilharam maleficamente. — Aquele babaca partiu o meu coração. Nada mais justo do que eu partir o carro dele. — Ela ergueu o queixo, largou minha mão e andou ridiculamente rápido em seus saltos de quinze centímetros. Eu a segui, porque sabia que era inútil não fazer isso. — Eu devia ter trazido meu taco de baseball. — Contou.

Eu apressei os passos e a ultrapassei.

— Tem certeza de que é uma boa ideia? — Perguntei. Ela me encarou, fez que sim e pareceu hesitar por mais alguns segundos antes de assentir mais uma vez. — O George não vai gostar nada disso. E se tivermos entendido errado? Ele podia só estar tendo um jantar de negócios com aquele cara e a Eve. — Tentei dizer. — Além disso, não quero perder meu emprego, e você sabe que ele é super amigo do chefe. Ah, e olha que coincidência! Ele é o meu chefe. — Expliquei.

— Não vou culpá-la por nada disto. Eu mesma vou ferrar com o George, e não preciso de ajuda. — Disse ela, me empurrando gentilmente para o lado. Gina continuou marchando na direção do carro do George, e percebi só então que havia outro carro quase idêntico estacionado ao lado do carro do babaca.

— Gina! — Corri apressadamente, e consegui puxá-la pela blusa antes que tirasse o salto do pé — que era incrivelmente fino. — Não pode fazer isso. E se ele pedir para você pagar? O que vai fazer?

— Posso virar prostituta e fazer programa. Aposto que vai compensar todos esses meses que tive que transar com aquele cretino. — Disse ela.

Certo...

— Mas… mas… Gina… — ela continuou marchando, e eu a segui estacionamento afora. Acelerei novamente para mais uma tentativa de impedi-la. — Você sabe, pelo menos, se aquele é o carro dele?

Ela piscou, avaliou o carro e franziu as sobrancelhas.

— E por que não seria?

— Tem dois carros praticamente iguais.

— Só tem um carro.

Olhei para os carros. Continuava tendo dois carros cinza estacionados lado a lado.

— São dois carros.

— Que seja. — Ela disse, dando de ombros. — Ninguém vai culpar uma mulher bêbada por quebrar um carro de um babaca.

Não… claro que não.

Continuei seguindo.

Gina parou, tirou os saltos e se inclinou na frente do carro luxuoso. Ela usou o salto do sapato para arranhar o capô, então seguiu, desenhando um tracejado até a porta do lado esquerdo.

Era satisfatório, de algum jeito.

— Seu filho da puta! — Berrou. — Isso é por ter me enganado. — Ela bateu na janela do carro. Um barulho alto começou a apitar.

— Gina!

— E isso é por ter me feito aguentar seu pau de dois centímetros na cama! — Ela chutou o pneu. — Porra! — Gina começou a pular num pé só, então, uma voz grave e alta disse atrás de mim:

— Que porra estão fazendo com o meu carro? — Eu virei, percebendo que não era George. Era… o cara estranho. — Por que deixou ela fazer isso? E… ah, meu Deus…

Ele me olhava como se eu fosse maluca.

— Eu posso explicar. Eu juro que… — e como se já não fosse o bastante…

Eu vomitei nele.

O estranho ficou coberto por meu vômito. Seu rosto lindo estava perplexo, me encarando. De algum jeito, enquanto me encarava, eu percebi que estava se controlando ao máximo.

— Entra no carro. — Ele disse.

Eu engoli o gosto amargo, olhei para cima e tentei entender o que acabou de falar.

— Quanto vocês duas beberam? Não podem dirigir assim. Principalmente a sua amiga.

Gina estava xingando o carro, como se fosse culpa dele ela ter se machucado.

— Eu não vou entrar no seu carro.

— Você vomitou em mim, e a sua amiga destruiu o meu carro. É claro que vai.

— Você é um estranho. — Argumentei.

— Você também, e olha só… não é você quem está fedendo a vômito. — Ele disse, irritado.

— Eu não vou entrar no seu carro.

— George pediu para que eu as levasse em segurança para casa e, além disso, se eu quisesse ter feito algo contra você, já teria motivos o suficiente. Entra na porra do carro. — Ele disse, seu tom seco e mandão. Eu estava pronta para relutar, mas quando me lançou um olhar que praticamente confirmava que não pediria de novo, cedi.

— Está bem.

Eu me dirigi ao carro e ele começou a tirar o paletó sujo de vômito. Por sorte, sua roupa de baixo ainda estava intacta, embora as calças tenham se sujado.

Com os braços cruzados, parei na frente do carro, e percebi seu olhar frio. Ele pegou a flanela e limpou o rosto. Como ele conseguia parecer tão zangado? Suas sobrancelhas espessas estavam juntas e os olhos azuis fixos em mim, tão escuros quanto o céu noturno. Sua boca estava traçada numa linha reta.

Ele se inclinou e abriu a porta do carro.

— Entre.

Eu estirei a língua antes de entrar e ele bufou, revirando os olhos.

Me sentia vitoriosa por ganhar uma batalha silenciosa.

Chance, o Irritadinho, contornou o carro e conversou com Gina. Eu escutei sua breve conversa, e para a minha surpresa, ele a tratou super bem:

— Tem certeza de que não quer ir ao hospital? Parece bem ruim. — Ele disse. Sua mão estava no ombro dela, e Gina estava chorando, olhando para ele. Ela fez que não, respondendo à pergunta que ele fez. — Ok.

— Estou tonta, e quero sair daqui. Podemos ir logo para casa?

Eu apoiei o cotovelo na porta e respirei fundo antes de assistir ao Bom Cretino Amigo abrir a porta traseira e acomodar Gina no banco de trás. Depois, ele voltou, abriu a porta do motorista e sentou no banco ao meu lado.

— Eu quero ir junto da Gina.

Ele virou o rosto para mim. Magicamente sua expressão de irritação voltou.

— Não vai. — Disse secamente, ligando o carro.

Estreitei os olhos.

— Como é que é?

— O carro é meu e vai onde eu quiser. — Explicou, voltando os olhos para o volante. — Além disso, ela precisa de um tempo só. Sem más companhias.

— Do que me chamou?

— Você é terrível. — Ele disse, sem olhar para mim.

Estava tão irritada, que não consegui reagir. De certa forma, ele estava certo. Eu ando tão ocupada que nem percebi que o namoro da minha melhor amiga estava indo mal. E ainda, foi culpa minha tudo isso estar acontecendo. Percebendo que finalmente fiquei quieta, ele voltou o olhar para mim.

— Parece que desliguei a função malcriada.

— Cala a boca. — Eu disse.

Meia hora depois, ele deixou Gina em sua casa, e para se certificar de que ficasse bem, deu seu número a ela. Gina insistiu para que eu subisse junto, mas nos despedimos com um abraço curto. Essa noite precisava acabar.

— Se cuida. — Eu disse, beijando dois dedos. Era o nosso sinal para " Eu te amo, Vadia".

Chance estava calado. Quando voltamos para o carro, ele me pegou pelo cotovelo gentilmente e me guiou para o carro. Ele abriu a porta, eu entrei e segundos depois, quando ele estava sentando ao meu lado, eu disse:

— Desculpa. Por… por ter sido grossa. — Chance se acomodou no banco e começou a dirigir, sem se importar com o meu pedido de desculpas.

Por que ele era tão chato e irritante?

— Idiota.

— Não é assim que se pede desculpas, linda. — Brincou ele. Eu ergui a sobrancelha e vi um sorrisinho em seu rosto. — E, além disso, eu preciso de mais do que um pedido de desculpas.

— Não me chame de linda. Eu nem conheço você…

Ele estacionou no meio-fio.

— O que está fazendo?

— Eu sou Chance Müller, tenho trinta e dois anos, dono de uma empresa bem sucedida de produtos íntimos femininos, odeio gatos e tenho quase certeza de que já vi sua boceta. — Ele disse. Perplexa, eu o encarei. Ele apoiou o braço no volante e esperou minha resposta.

— Eu tenho quase certeza de que você é maluco. — Ele riu. — E não, você nunca viu a minha vagina.

— Eu poderia ver, se quisesse.

— Convencido.

— Sua vez. Vai lá, Estressadinha… conta tudo. — Ele disse, desafiando-me.

Claro que não fazia lógica contar nada sobre mim a um estranho, principalmente um estranho como Chance Müller. Mas mesmo assim, eu abri a maldita boca e disse:

— Sou Phoebe Morris, tenho vinte e sete anos, advogada, odeio caras metidos e tenho quase certeza de que já o vi.

Ele me analisou.

— Não. Eu nunca tiraria minha calcinha para você. — Mais uma risadinha, e dessa vez, internalizei aquele maldito sosorrisinho entre as minhas pernas.

Por que ele tinha que ser tão bonito?

— Onde quer que eu te deixe, Phoebe? — Perguntou ele.

Sendo tão educada quanto, respondi:

— No meu apartamento, por favor.

— Alguma chance de tirar sua calcinha para mim?

Eu estreitei os olhos, e ele deu gargalhada.

Chance Müller era intrigante. Muito intrigante.

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