SERÁ QUE FOI UM ERRO?

Em um carro de aplicativo, Alice e Marcos, seguem para porto Portus.

- Terei que aproveitar bastante, porque depois que voltar, sei o quanto terei que trabalhar para pagar por essa viagem com o meu amor. - “Estou certa que Marcos vai mudar para melhor comigo.” - Alice pensou.

“Nossa! Uma semana passou voando. Mesmo atolada em trabalho e bastante cansada, consegui organizar as nossas coisas. Espero que não tenha estourado mais um cartão, estou pagando este cruzeiro e as minhas dívidas já estão até o meu pescoço. Se eu dever mais alguma coisa, tenho medo de precisar vender um dos rins para quitá-las.”

- Estaria no fundo do poço!

- Finalmente, consegui! Estou com meu amor em um carro de aplicativo, indo para o porto, pegar nosso navio maravilhoso. – Alice sorri.

- Nem sei pra que tanta animação. – Marcos reclama.

- Marcos, esse é um grande momento, pelo nosso namoro. Será um passeio dos sonhos!

- Só se for dos seus sonhos!

- Não entendi?

- Brincadeira, magrelinha. É um verdadeiro luxo. Você deve estar ganhando bem, para conseguir bancar tudo isso!

- Sabe que não. Mesmo assim, gostaria de comemorar os dois anos do nosso namoro com um presente especial.

- E o presente seria essa viagem?

- Algo muito mais especial. Será a nossa primeira vez...

- Chegamos! – O motorista disse estacionando o carro.

- Já vou na frente. E criatura, traga as nossas malas. – Marcos diz, saindo de perto.

- Ele nem quis me ouvir! Ainda deve estar chateado comigo!

O motorista entrega as malas para Alice, e Marcos já desapareceu na multidão.

- Como podem ter aparecido tantas malas? Se mal arrumei duas!?

- E o pior: Vou ter que subir neste enorme navio com estas quatro! Será que a rampa tem oito metros de altura? Meus óculos devem mesmo ser trocados. Mal enxergo na frente do meu nariz.

Alice suspirou olhando para cima, pegou cada uma das malas e colocou em um carrinho enquanto, tentava avistar Marcos.

- Este carrinho está ajudando. Poxa! Os meus óculos estão folgados, escorregando o tempo todo. Espero que não caiam, senão, não vou ver um palmo na frente do meu nariz.

Ela começou subir a enorme rampa, empurrando com dificuldade o carrinho com as malas.

- Que cansaço! Sinto que ficar apenas trabalhando num escritório, parece ter sugado os meus músculos. O que é isso? Devo estar escorregando ou andando para trás!

O coração dela acelerou e sentiu as pernas tremerem sentindo o pior, prestes a acontecer.

- Caramba, que rampa alta! Que peso! Socorro... estou voltando. Merda! Vou cair!!! Meu Deus! Não, ... isso não. Estou caindo!

- Espero muito que a água não esteja muito fria! – Ela promete, com olhos lacrimejando. - Se eu me salvar, juro que farei Crossfit. Para criar forças nas pernas e nos meus braços finos!

Alice diz, apavorada, e o óculos caiu de vez.

- Meus óculos! Perdi os meus óculos!!! Estou completamente ferrada! Mal começou a viagem, já não é nada do que imaginei! Até perdi o meu namorado... e se não acontecer um milagre... vou me afogar!

Uma voz firme e grave aproximou-se.

- Senhora! Vou ajudar.

“Que voz grossa é essa? Parece até um locutor!” – Alice pensou. - “Que bom! Tem alguém me agarrando por trás. Sentir essa mão forte me apertar na cintura! Queria tanto que fosse o Marcos.”

- Moça, precisa de mais alguma ajuda? – Ele pergunta.

- Sim, os meus óculos. Eles caíram em algum lugar, moço. Pode me ajudar a encontrar?

- Espere um minuto...

- Cla- claro. – Ela responde, ainda trêmula.

Não demorou quase nada, o homem se afastou e voltou.

- Moça, encontrei. Só que, infelizmente, quebraram.

- Como vou conseguir subir tudo isso? Se nem ao menos enxergo direito!

- Me acompanhe. Posso continuar com as mãos na sua cintura. Pelo menos uma delas, e a outra, ajudar a guiar esse carrinho.

- Obrigada! Me ... me desculpe, senhor.

- Ou melhor... posso levar o carrinho. Me espere um pouco. Fique paradinha aí, não precisa se molhar antes de chegar à praia. - “Não entendo porque ela não pediu um carregador.”

- Obrigada, senhor...

- Diego!

- Muito obrigada, mesmo! Senhor Diego. - “Nossa que voz bonita, deve ser lindo. Alice, que loucura pensar assim. Ele apenas te ajudou.”

Ele subiu, e, minutos depois, voltou para a levar, segurou novamente sua cintura e um dos braços com as mãos firmes.

“Juro que pensei que ele não voltaria mais. Que atencioso!” – Alice corou. - “Bom, um cruzeiro não é de todo mau. Aqui até um estranho interessante ajuda uma pessoa imprestável como eu.” – Alice ponderou.

- Senhorita, eu vou deixá-la com auxílio de um marinheiro, preciso mesmo ir. Tenho uma reunião de negócios e talvez um encontro com minha namorada. – Ele sorri.

- Obrigada, senhor. Pena que não consigo ver o seu rosto direito. O senhor me ajudou bastante. Achei que ia cair e não sei nem nadar direito. – Ela diz, ficando vermelha.

“Que vergonha! Morei a vida inteira em uma ilha, e nem isso aprendi a fazer direito. Precisando de ajuda de um estranho para subir uma rampa.” – Alice pensou.

- Bem, já estou indo, senhorita. Já trouxe uma ajuda, que está bem na sua frente, peça o que precisar. – Diego disse, com um leve toque no ombro dela.

- Certo, me ajudou muito. – Ela sorri.

Assim que organizou a vida de Alice, ele se virou e saiu de perto.

“Que voz gostosa de escutar, meu coração chegou a acelerar ao ouvir. O que foi isso? Foco, Alice, o seu namorado está aqui com você, não pode pensar em outros caras, ainda mais um que tem namorada!”

--- Diego mais adiante no navio. ---

- Que falta de sorte! Vim aqui tanto para trabalhar quanto para ficar com a minha futura noiva e ela desapareceu. Se Tadeu souber de uma coisa dessas, vai dizer que minha avó tem razão. Aquele lá não me respeita.

Diego está à procura de Clara, sua namorada, andando pelo convés do navio há mais 20 minutos, e a encontra falando com alguém ao telefone.

- Sinto tanta falta dela. Onde será que a Clara se meteu para encontra-la apenas agora? Não deve ser nada demais...

Assim que ele se aproximou, Clara desligou o telefone.

- Clarinha, meu amor. – Ele diz, abraçando-a.

- Diego!

- Com quem estava falando?

- Bem, não é nada de importante. Uma amiga, conversávamos sobre o balé. Depois dessa ligação, hoje seremos apenas nós dois.

- Minha bailarina linda! Já fazem pelo menos seis meses que não nos aproximamos. – Ele a beija, e ela vira o rosto para o lado.

- Não, aqui na frente de tanta gente, Diego. Sabe que não gosto.

“Tinha esquecido que Clara é um pouco tímida, que fofa.” - Ele suspira, meio frustrado.

- Desculpa, minha linda!

- Poxa! Diego, estou um pouco cansada. Tanto pelos ensaios, quanto pela longa viagem. Me entende, né?

- Calma, amor, vá descansar um pouco. Ainda terei uma reunião de negócios e, depois disso, é que teremos o nosso encontro. – Ele esboça um sorriso.

- Sem problemas, Diego.

- Clara, queria ver seu rosto, por isso não liguei. Foram longos seis meses, senti sua falta?

- Também senti sua falta.

- Clarinha, continua linda!

- Diego! – Ela beija o rosto dele de leve. - Você pegou uma cabine separada para mim?

- Claro, a de número 996. Estarei na 999. Bela, me prometa que depois da minha reunião, seremos apenas nós dois sem ligações e compromissos. Preciso muito matar a saudade de ficar pelo menos abraçado com você, minha bailarina.

- Mesmo cansada. Prometo que vou tomar um bom banho, me deitar um pouco e, quem sabe... você vai direto para minha cabine mais tarde. – Ela acaricia de leve o ombro dele.

- Tenho certeza que irei. – Diego sorri de orelha a orelha.

- Diego, não se emocione tanto assim.

- Impossível. Mesmo que fique apenas deitado ao seu lado, ainda me sentirei muito bem.

- Você não existe! – Clara também sorri.

--- Em ema cabina do navio, mesmo horário. ---

- Obrigada, por me trazer ao meu quarto, senhor.

- Não foi nada, senhorita. – Diz o atendente.

- Vou colocar as malas dentro, e a senhorita se encarrega de organizar, certo?

- Certo.

- Se precisar de qualquer coisa, pode pedir. Estamos aqui para ajudar.

- Obrigada! - “Então, talvez eu não precisasse levar as malas.” – Alice ponderou.

Minutos depois de deixar as coisas no dormitório, Alice tentou colar pelo menos uma parte dos seus óculos rachados.

- Isso vai me ajudar a enxergar, talvez um pouco melhor. – Ela diz, enquanto termina de colar o que manchou mais os óculos.

- Que emoção! Um cruzeiro de luxo. E eu aqui vou ser servida por outras pessoas. Acho que só tinha visto coisas assim em contos de fadas.

Alice se jogou na cama sorrindo, dando alguns pulos de alegria.

- O Marcos também deve estar aproveitando. Mais tarde, vou começar a minha surpresa para ele e amanhã seremos noivos. Estou tão feliz! – Ela se jogou, dando gritinhos de alegria.

- Vou tomar um banho, passar perfume, colocar uma das roupas novas e aproveitar para conhecer esse enorme navio de luxo. Mesmo que seja sem o Marcos, por enquanto.

--- Trinta minutos depois, Diego está em uma reunião de negócios, numa mesa reservada do navio, perto do bar. ---

- Sabe que viemos aqui por curiosidade sobre a Ilha Ventos Suaves. – Diz o empresário.

- Então, senhores, aqui está a minha proposta. Quero pelo menos 85 milhões. E, estou sendo bastante generoso.

- Senhor Diego, vai vender a ilha inteira? E o que faremos com aqueles ilhéus, principalmente os trabalhadores?

- Farão o que quiserem. Afinal, a ilha será de vocês e terão todo o direito de administrar como quiserem. Contanto que fiquem com aquele pedaço de terra, é claro. – Diego esboçou, um sorriso, contando com o negócio fechado.

- Ainda não. Nos reuniremos com nossos sócios. Assim que lermos todos os termos, tomaremos nossa decisão e amanhã informaremos ao senhor. – O homem informa, olhando um contrato seriamente.

- Por mim, podem considerá-la de vocês. Ela não me interessa nenhum pouco. Não gosto de empreendimento inútil. Meu foco, é minha empresa de combustíveis. Prefiro investir em terras produtivas, plantar a cana e colher o combustível, se é que me entendem. – Diego diz, com um sorriso de vitória.

“Aquele garçom deve ser gay, para está me encarando tanto. Nem sabe disfarçar. O duro de ser bonito é chamar a atenção de quem não me interesso, até homens, principalmente, tendo minha Clara tão perto, depois de tantos meses longe.” – Diego ponderou.

- Então, senhor Diego? Vamos beber para comemorar. – O empresário convidou.

- Poderemos comemorar amanhã. Quando trouxerem o dinheiro e o contrato assinado.

- Vamos, rapaz. Apenas uma bebida. Amanhã, quando trouxermos a resposta, podemos comemorar melhor.

- Apenas uma. Tenho outro compromisso inadiável ainda hoje. - “O que não tenho que passar para conseguir fechar um negócio! Se não der certo, Tadeu me paga!” – Diego pensou.

O pequeno grupo, seguiu para uma mesa reservada, nos fundos bar do enorme navio de luxo.

- Vamos tomar apenas esse drink, e o senhor estará liberado da reunião. – O empresário sorri.

O garçom que o observava, trouxe uma bebida servindo sobre uma bandeja em um copo bem bonito.

- Essa bebida de vocês é bem diferente. Não sei dizer ao certo parece mais encorpada. – Diego fala, ingerindo um pouco.

- É coisa boa dos mares do Caribe. – O empresário bate a mão na mesa.

- Hum. Não costumo beber coisas do tipo.

Diego pensou. - “Parece que o coitado do garçom já está admirando outro cara. O pobre deve estar carente. Pelo menos mudou de alvo e não vou me encrencar, tendo que dispensar o cara.”

- Vou querer beber um pouco mais. Sinto que tem algo nessa bebida que me intriga.

- Diego, isso é forte! - “Se ele exagerar na quantidade da poção, talvez não funcione.” – O empresário pensou, com um sorriso.

- Quero mais. Posso saber o que é?

- Claro, senhor Diego. Ela tem uma mistura de rum, um pouco de solução de aguardente, cereais e dizem que tem um pouco de cinza vulcânica, que levanta até defunto. Bom, fique sabendo que ela é bem forte. – O empresário olhou o garçom ao fundo e piscou para ele.

O garçom balança a cabeça sorrindo.

- Pode encher que aguento beber. – Diego ingeriu e pediu mais.

- Não pode beber muito. O senhor não tem costume. – O empresário diz, apreensivo.

- Homem, me dê mais e me acompanhe. Vamos comemorar a venda da ilha. – Diego parece mais animado.

- Assim, vamos beber até cair! Melhor parar. – O empresário tentou evitar beber mais.

- Hum. Tenho um encontro com a minha bailarina. Fico apenas nessa dose. – Ele sorri, já parecendo alto.

- Bailarina? Qual é o nome dela?

- Não é para o seu bico! – Diego levanta o dedo.

- Vamos conversar um pouco mais. – “Eita! A bebida já bateu. Esse homem vai atacar ou desmaiar.” – O empresário pensou.

- Deixa pra depois, amigo. Sinto que preciso ir atrás dela.

--- Outro ambiente do bar. ---

Alice chegou, tentando ver ao redor.

- Nossa! Que lugar enorme e maravilhoso. Comprei roupas novas e mesmo assim, nem pareço uma turista daqui. Estou mais para empregada desse lugar.

- Vou agir como a Janete, não devo me importar. Estou pagando, vou mais é aproveitar. Pena que meus óculos estão pela metade e sujos de cola. Estou enxergando mal.

Mesmo assim, Alice conseguiu observar parcialmente os lugares, maravilhada.

- Que navio espetacular de lindo!

- Será que consigo encontrar o Marcos? Espero que ele não tenha ido ao cassino. Não sei se consigo pagar um enorme prejuízo se surgir no meu cartão.

- O que posso fazer nessa noite? Vou é aproveitar e conhecer esse bar e umas bebidas diferentes. Melhor que ficar procurando marmanjo. Depois de voltar para nosso quarto, encontrarei ele lá mesmo.

Alice levantou o braço.

- Garçom, me recomende uma bebida bem gostosa.

- Temos aqui o menu. Escolha qualquer uma, asseguro que vai gostar. Todas são especiais aqui nos mares do Caribe.

- Já resolvi, vou provar pelo menos 3 ou 5 dessas coloridas aqui. – Alice diz, apontando para o cardápio, não consegue ler nome algum.

- Olha, moça, se não tiver costume, não exagere. Melhor ir devagar.

- Hoje pretendo aproveitar um pouco. Vou fazer algo especial com o meu namorado, preciso exagerar um pouquinho. – Ela diz sorrindo.

- Legal. E onde ele está?

- Acho que foi ao cassino, mas não tem problemas, estaremos no mesmo quarto mais tarde. – Ela esboça um sorriso.

- A moça parece gostar muito dele?

- Bastante, o Marcos é especial! – Ela sorri.

- Vá devagar com as bebidas. Pode aproveitar aos poucos, enquanto ficar neste cruzeiro.

- Posso até aproveitar.

Assim que prova a primeira dose, ela fica maravilhada e quer continuar provando.

- Nossa. Essa é bem gostosa! Vou querer mais dessa e talvez de mais outras duas. As outras do cardápio deixo para provar amanhã.

- Senhorita, não diga que não lhe avisei.

--- Em algum lugar, próximo ao bar. ---

O garçom conversa com o empresário.

- Então, colocou a poção na bebida daquele arrogante teimoso? – O empresário pergunta ao garçom.

- Claro! Ele não perde por esperar. Foi se meter em tentar vender a nossa ilha. Nunca vamos ficar parados sem fazer nada.

- Mas ele não vai se machucar? Nós não somos bandidos.

- Não homem. O cara vai apenas ficar animadinho e, disseram que a bailarina dele está por aqui. O melhor é que ela vai pegar o safado no flagra. Só vamos filmar o grande momento. – O garçom sorri.

- Me diz onde está o frasco?

- Espera um pouco, que está no meu bolso... deixe-me ver...

- Temos que jogar a prova fora. Não podemos nos encrencar. – O empresário informa, apreensivo.

- Então! Vamos jogar o frasco no vaso e dar descarga.

- Flávio, é claro. Me dá logo esse frasco!

- Eita! Chico, danou-se. Não está aqui no meu bolso! – Flávio diz, assustado.

- Ô criatura. Temos que dar fim em todas as provas! – Chico procurou ao lado dele. - Flávio, se a minha irmã souber que demos bandeira. Ela vai arrancar o nosso couro e sabe o quanto ela é brava.

- Sei, ela é a minha sogra. A coisa vai ser bem pior comigo!

- Ô traste! Pelo nosso bem. Vamos logo procurar o bendito frasco!

- E o Diego?

- Rapaz, ele vai se resolver com a dançarina em alguns minutos.

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