Sempre Minha

No dia seguinte, o clima estava no mesmo jeito que do dia anterior, exceto pela ausência da chuva, Lara então resolveu que iria correr um pouco, havia alguns dias que não fazia isso, e como hoje haveria aula somente no período da tarde, poderia correr à vontade. Vestiu um conjunto de moletom preto, tênis, fez um rabo de cavalo em seus cabelos e colocou seus fones, gostava de ouvir música na companhia da natureza. A casa de Lara ficava bem próxima a um grande parque repleto de arvores nessa época do ano elas estavam perdendo das folhas o que as deixavam ainda mais charmosa, as poucas arvores que tinham folhagem era em tons amarelo e alaranjados, aquilo tudo era realmente magníficos, algumas pessoas caminhavam outras corriam, mas por ser cedo haviam poucas pessoas o que deixava Lara ainda mais a vontade, ela primeiro começou se alongando depois fez uma pequena caminhada até seu corpo se acostumar em estar em movimento, logo já estava correndo, mas o que a deixou desconfortável foi sentir que estava sendo seguida, mas olhou tudo em volta e não via ninguém que parecesse estar a observando, deixou esse pensamento de lado e se concentrou na sua corrida e na música que embalava seus passos rápidos. Quando finalmente se deu por cansada já estava encharcada de suor, e resolveu voltar para casa. Chegando em casa novamente seus pais discutiam, mas dessa vez Henrique estava presente com a cabeça baixa, dessa vez Lara não deixaria passar.

- Bom dia, posso saber o que está acontecendo - os três a olharam com surpresa, até então não haviam notado sua presença – sei que está acontecendo algo e vocês estão me escondendo.

- Pai, ela tem o direito de saber, a final ela será a maior prejudicada - Henrique falou com os olhos fixo no chão como se estivesse com vergonha de encarar sua própria irmã.

- Sente minha filha, temos que... – mas antes que seu pai finalizasse sua mãe a abraçou o que a desconcertou, porque teve certeza que algo sério acontecia.

Lara se sentou e viu seu pai puxar o folego buscando uma força e coragem para lhe contar algo.

- Lara minha filha, primeiro vou te explicar de onde todo nosso dinheiro vem – Lara ficou confusa, pois sabia muito bem no que seu pai trabalhava. – Minha pequena, temos a nossa empresa de distribuição como você sabe, porém não é só isso que eu e seu irmão fazemos, antes mesmo de me casar com sua mãe, eu entrei para a máfia – Lara deu uma gargalhada, não podia acreditar no que estava ouvindo, seu pai um homem sempre tão calmo, amoroso e correto não poderia ter negócios fora da lei.

- Lara seu pai fala a verdade - sua mãe interviu e Lara pode ver lagrimas escorrer pelo rosto da mulher que sempre mascarou muito bem seus sentimentos.

- Eu iniciei na organização, apenas para auxiliar na distribuição das mercadorias, e com o tempo fui pegando gosto pelo dinheiro fácil, nesse período conheci sua mãe, ela era filha de um dos chefes de segurança me apaixonei por ela desde a primeira vez que a vi, nos casamos e eu prometi a ela que nunca me envolveria com o grande escalão, ficaria apenas na distribuição, mas infelizmente não consegui cumprir minha promessa, cada vez me envolvia mais e mais, a cada serviço bem finalizado o dinheiro que entrava aumentava ainda mais, nossa empresa que até então era totalmente legalizada passou a fazer serviços fora da lei, usava a empresa apenas para lavagem de dinheiro. Quando Henrique fez 15 anos eu tive a péssima ideia de o colocar no treinamento, na verdade não acho que teria outra saída, filhos nascido na máfia permanecem na máfia – essa frase fez todo corpo de Lara tremer- e conforme ele foi crescendo foi pegando gosto pelo trabalho, e cada dia ficava melhor no que fazia e hoje é um dos mais requisitados pelo grande escalão. – Não consiga mais segurar as lagrimas, não falava nada apenas olhava para meu pai que a cada palavra despedaçava mais meu coração e a imagem de bom pai que tinha em minha mente ia sumindo a cada revelação dita por ele. – Foi, então que tive a péssima ideia de desviar mercadoria, Henrique não sabia o destino da carga, então nem a ele contei o que iria fazer, fui idiota e ingênuo acreditei que não notaria e falta de apenas algumas caixas, a ganancia tomou conta da minha mente, só pensava em ganhar mais. Mas então eles descobriram o que eu tinha feito, e me deram corta para ver se o ocorrido iria se repetir, e como achei que nunca seria pego, cada vez aumentava mais os desvios – Henrique estava ainda na mesma posição de antes, cabeça baixa olhos e mãos fechados, como se quisesse se controlar.

- Pai você estava roubando da própria máfia? - falei a ele incrédula, porque até mesmo eu que não entendo como essas coisas funcionam não me atreveria a fazer isso.

- Nosso Pai é um idiota, e agora colocou todos nós em perigo, principalmente você. – Pela primeira vez desde de que essa conversa começou vejo os olhos de Henrique, eles estavam um verde tão escuro que mais parecia negros.

- Não entendi onde me encaixo nessa história, desde de que vocês começaram a contar estão falando que eu sou quem mais vai sofrer e não vejo onde estou ligada a isso a não ser pelo meu parentesco com vocês. – Falo cuspindo todas as palavras.

- Você será a garantia que não vão matar seu pai e seu irmão – minha mãe fala com pesar em sua voz.

- Como assim? Que garantia é essa? – Não estou entendendo nada

- Minha filha, para que não matam a mim e a seu irmão, você será dada como esposa ao filho do chefe, terá que se casar com ele como forma de pagamento da minha dívida. – Gargalho mais uma vez, uma risada histérica, não pode ser verdade o que estou ouvindo, isso deve ser uma brincadeira de muito mau gosto.

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