Caio cumpriu sua palavra, pelo menos superficialmente. O nome de Carmen desapareceu de seus lábios. As ligações noturnas pararam. Ele enviou a ela um aviso de demissão no dia seguinte, citando "diferenças irreconciliáveis de conduta profissional". Ele me mostrou orgulhosamente a confirmação do e-mail, como se um simples pedaço de papel pudesse apagar a ferida aberta que ele havia esculpido em meu coração.
Mas o silêncio em nossa casa era mais pesado do que qualquer briga. Ele saía para o trabalho antes de eu acordar, muitas vezes voltando muito depois de eu ter adormecido. Às vezes, eu encontrava um café da manhã preparado às pressas no balcão, ou uma pilha de minhas roupas recém-saídas da secadora. Pequenos gestos domésticos, tentativas de remendar o tecido de nossa vida, mas pareciam remendos costurados em um fantasma. Eu estava me afastando cada vez mais, à deriva, observando nossa vida à distância. Nosso relacionamento se tornou um balão delicado, perdendo ar, lenta e imperceptivelmente, até não ter mais peso, apenas uma pele fina e vazia.
Então vieram as náuseas. O cansaço inexplicável. O gosto metálico na boca. Eu acordava exausta, a comida revirava meu estômago, e eu passava as manhãs curvada sobre o vaso sanitário, com ânsia de vômito. Eu ignorei, atribuindo ao estresse, ao trauma persistente de tudo.
"Você parece pálida", observou Caio uma noite, seus olhos me examinando com uma preocupação distante. "Tem uma gripe por aí. Peguei uns remédios para você." Ele colocou um pequeno frasco de plástico na minha mesa de cabeceira. "Tome dois antes de dormir. Você vai se sentir melhor."
Eu os tomei sem pensar duas vezes, engolindo os comprimidos com um gole de água, desesperada por qualquer alívio. Eu confiava nele. Eu sempre confiei.
Na manhã seguinte, a náusea estava pior, uma agonia ardente no meu estômago. Algo parecia terrivelmente errado. Dirigi até a clínica mais próxima, minhas mãos úmidas no volante, um mal-estar crescente se instalando em meu peito.
A médica, uma mulher de rosto gentil e olhos cansados, olhou para mim com gravidade após uma série de exames. "Senhorita Delaney, você está grávida."
Meu mundo parou. Grávida. Um bebê. Nosso bebê. Uma onda de emoções conflitantes — alegria, medo, incredulidade total — me invadiu. Então, suas próximas palavras me atingiram como um golpe físico.
"E você mencionou ter tomado algum medicamento? Qual era?"
Eu disse a ela o nome do analgésico de venda livre que Caio me dera. Sua testa se franziu. "Essa combinação específica... não é segura durante a gravidez. Especialmente nos estágios iniciais. Pode causar complicações sérias, até mesmo um aborto espontâneo."
Minha respiração falhou. Aborto espontâneo. A palavra ecoou a dor daquela noite na cobertura. Eu... eu já o tinha perdido? Meu coração martelava contra minhas costelas, um pássaro frenético preso em uma gaiola. A espera agonizante pelos resultados do ultrassom foi o período mais longo da minha vida. Cada segundo se estendia em uma eternidade, cheia de autorrecriminação. Por que eu não tinha percebido? Por que não fui mais cuidadosa? Por que confiei cegamente nele?
Quando a médica finalmente voltou, seu rosto mais suave, ela disse: "O bebê está forte, senhorita Delaney. Por enquanto, parece bem. Mas você precisa ser extremamente cuidadosa. Nenhum medicamento sem nos consultar, e repouso absoluto no primeiro trimestre."
Um soluço de puro alívio escapou de mim. Uma vida pequena e resiliente estava se agarrando dentro de mim. Meu bebê. Meu milagre. A alegria era inebriante, avassaladora. A náusea de antes era agora uma bela confirmação, uma promessa. Devorei uma refeição enorme, sentindo-me faminta pela primeira vez em semanas, nutrindo a vida interior.
Naquela noite, Caio entrou cambaleando bem depois da meia-noite, cheirando a bebida velha e a algo mais — um perfume enjoativo e doce que não era o meu. Sua camisa cara estava rasgada, um hematoma feio florescendo em sua bochecha.
"O que aconteceu?" perguntei, minha voz carregada de uma preocupação que agora estava tingida de ressentimento.
Ele acenou com a mão de forma displicente. "Nada. Apenas uma... disputa de negócios." Ele evitou meus olhos, indo direto para o banheiro, a porta batendo com uma finalidade que ecoava o abismo crescente entre nós.
Meus olhos caíram em seu celular, virado para baixo na mesa de centro. Uma notificação piscou, uma nova mensagem. Meu coração disparou, uma premonição terrível se enrolando em meu peito. Peguei-o, meus dedos tremendo enquanto o desbloqueava.
A tela se iluminou, exibindo uma janela de bate-papo. Carmen Wells. Meus olhos percorreram as mensagens, cada palavra uma nova facada.
Carmen: "Obrigada de novo, Caio. Você sempre sabe como melhorar tudo. O Sr. Oliveira estava tão chateado, não sei o que teria feito sem você."
Caio: "Qualquer coisa por você, Carmen. Você sabe que sempre protegerei você e o Léo. Vocês são família."
Carmen: "Família... É tão bom ouvir isso. Eu só queria... queria que pudéssemos ser uma família de verdade. O Léo precisa de um pai como você."
Caio: "Em breve, Carmen. Apenas seja paciente. Já conversamos sobre isso. Eu cuidarei de vocês dois."
Minha visão embaçou. O Léo precisa de um pai como você. Em breve, Carmen. As palavras martelavam contra meu crânio. "Sr. Oliveira"... esse era o ex abusivo de Carmen. Caio ainda estava bancando o herói, ainda envolvido, ainda fazendo promessas. Meu bebê. Nosso bebê. Como eles o chamariam? Tio Caio? Papai? Meu estômago se revirou, uma dor ardente que não tinha nada a ver com a gravidez. Eu fui descartada, esquecida. De novo.
Rolei mais para baixo, minha respiração presa na garganta. Outra mensagem, mais antiga, de Caio para Carmen.
Caio: "Eu não posso casar com ela, Carmen. Ainda não. Não quando você precisa de mim. E além disso, eu odeio a ideia de um pedido 'forçado'. Quero que seja perfeito, para você."
Um pedido forçado. Ele deveria me pedir em casamento hoje à noite. No nosso aniversário. O medalhão. A discussão. O dinheiro. Não era sobre Carmen precisar dele para se "acalmar". Era sobre ele não querer me pedir em casamento. Ele estava planejando pedi-la em casamento.
Um grito gutural rasgou minha garganta. Meus dedos voaram pelo teclado, uma fúria desesperada e irracional me possuindo. Digitei uma mensagem para Carmen, veneno escorrendo de cada palavra.
Helena: "Sua vadia manipuladora! Fica longe do meu marido! E do meu bebê!"
Pressionei enviar, o comando digital um apelo desesperado, um desafio fútil. Assim que a mensagem foi entregue, a porta do banheiro rangeu ao se abrir. Caio estava lá, seus olhos estreitados, fixos em seu celular na minha mão. Ele parecia um predador.
"O que você está fazendo com o meu celular, Helena?" Sua voz era baixa, perigosa. O ar crepitava com ameaças não ditas.





