Rendida ao Alfa Aleksander

Capítulo 3

Dezembro 2023 Aleksander Vargr

Estava em SkogrVargr, o coração de nossa matilha, escondida nas densas florestas de Ottawa, quando convoquei meu braço direito, Torvald, para discutir as defesas de nossa cidade. Caminhávamos entre as árvores antigas, onde o som de nossos passos se misturava com os murmúrios da floresta.

- Torvald, precisamos revisar as barreiras que Sigurd, o ancião, colocou ao redor de SkogrVargr. Nada pode falhar, a segurança de nossa matilha depende disso - eu disse, observando a seriedade tomar o rosto de meu Beta.

Além das ervas, a matilha contava com uma defesa tecnológica de ponta. Desenvolvida pela Bionex, minha empresa, essa tecnologia avançada bloqueava qualquer tentativa de detecção por dispositivos eletrônicos. Drones, helicópteros, aviões e qualquer outro aparelho tecnológico eram incapazes de detectar a imensa cidade escondida. Os sinais eram distorcidos, e as leituras mostravam apenas uma floresta inóspita e vazia, protegendo a matilha de qualquer invasão indesejada.

A proteção da matilha era uma mistura engenhosa de sabedoria ancestral e tecnologia avançada, um equilíbrio perfeito que mantinha os segredos da cidade dos lobos escondidos. Essa fusão entre tradição e modernidade garantiu a paz e segurança da matilha por gerações, tornando-os invisíveis aos olhos humanos e impenetráveis ao mundo exterior.

- Aleksander, as proteções de Sigurd têm resistido há séculos. E a eficiência dos equipamentos da Bionex faz o resto. Nenhum humano jamais atravessou nossas barreiras. As ervas invocam a neblina densa que confunde seus sentidos e perturba a visão. Estamos seguros aqui - disse Torvald, sua voz carregada de uma confiança que eu gostaria de compartilhar.

- Não estou preocupado apenas com os humanos. As barreiras nos protegem, sim. Mas o que aconteceu na última noite não pode se repetir! - Murmurei, tentando controlar a raiva que pulsava no meu lobo, que já rangia os dentes.

Um lobo de uma das matilhas renegadas invadiu nosso território, mas foi capturado antes de sequer tentar algo. Não disse uma palavra em sua defesa e foi eliminado, exatamente como minhas ordens exigiam.

- As barreiras foram reforçadas, Alfa. O lobo que invadiu nosso território era dos Dark Hunters. - Torvald estendeu o colar para mim.

Peguei o colar e soube na mesma hora. A pedra negra polida, com a lua crescente esculpida, só podia pertencer aos Dark Hunters. As finas rachaduras em torno da lua lembravam veias, um reflexo do poder sombrio que corria naquelas criaturas. Era o símbolo de uma matilha feroz, governada pela brutalidade e o medo sob o comando de um alfa implacável.

- Fenrivar está devastando matilhas menores. Acredito que um dos seus lobos tentou cruzar nossas barreiras em fuga. Estava sozinho. Fenrivar não seria estúpido o suficiente para lhe desafiar diretamente, Alfa Aleksander - disse Torvald.

Eu sorri. Nada acontecia por acaso, e eu sabia disso. Ainda assim, me preparei para quem quer que ousasse pisar em meu território. Entreguei o colar de volta a Torvald.

- Envie o colar de volta a Fenrivar e avise que, na próxima vez, não devolvo nada. Só restará o silêncio, e seus lobos mortos no meu território.

Torvald sorriu de volta. Seu lobo era tão cruel quanto o meu, Magnus, e ambos tinham a mesma sede de sangue que nossos inimigos.

Ele estava prestes a dizer algo quando um cheiro perturbador cortou o ar, um aroma que mexia comigo de uma forma que incomodava e seduzia ao mesmo tempo. Torvald também notou, farejando o vento com desconfiança.

- Você sente isso, Alfa? É estranho... convidativo... doce... - comentou ele, franzindo o cenho.

- Vá verificar as rotações de guarda. Preciso de um momento - ordenei, minha voz mais brusca do que planejei. Torvald assentiu e saiu, deixando-me sozinho com meus pensamentos inquietos.

Sem mais hesitação, permiti que minha forma mudasse, meu corpo se contorcendo enquanto a pele dava lugar à pelagem. Minhas quatro patas tocaram o chão da floresta, e eu estava livre. Segui o cheiro, deixando meus instintos me guiarem.

Não demorou muito para que sua silhueta surgisse à minha frente. Uma humana corria pela floresta, ágil demais para sua espécie. Algo nela era intrigante, especialmente por estar na parte da floresta que apenas nós, lobos, deveríamos acessar. Como ela havia passado pelas barreiras sem perceber os perigos e a magia que nos protegia?

Ela me viu. Seu passo hesitou, o medo marcando cada movimento. Não mostrei qualquer agressão, apenas um rosnado baixo, mais por curiosidade do que por ameaça. Ela era pequena em sua forma humana, parecia frágil, mas se movia com uma rapidez surpreendente.

Avancei alguns passos, meus olhos fixos nela, emitindo outro rosnado, desta vez mais firme. Ela fugiu, correndo de volta além dos limites de nosso território.

Eu poderia ter relatado o incidente a Sigurd ou a Torvald, mas algo dentro de mim decidiu manter esse encontro em segredo. Era imprudente, talvez perigoso, mas havia algo nela, algo que desafiava nossa reclusão e mexia com a minha própria natureza.

Por enquanto, eu a observaria de longe. Eventualmente, falaria com o ancião. Mas, por enquanto, bastava apenas observá-la e desvendar o mistério que ela representava, tanto para SkogrVargr quanto para mim.

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Janeiro de 2024

Aurora Morneau

Encarei mais uma vez a manchete do jornal em uma página do Instagram, sabendo exatamente do que se tratava, mas ainda perplexa. "Homem encontrado ferido próximo à lanchonete Timberline Café. Ele não estava morto, mas muito ferido, e era evidente o ataque de um lobo." Uma grande discussão sobre o quanto os animais poderiam ser letais para os humanos indefesos se seguiu nos comentários. Irritada, virei o celular para baixo na mesa e encarei o meu chá, enquanto Serena me olhava confusa.

- O que foi?

- A manchete que está na maioria dos veículos de comunicação, falando sobre o perigo dos lobos para a comunidade. Mas se não fosse aquele lobo atacar aquele maldito, talvez eu estivesse nas manchetes como vítima de algum crime. Ele estava armado, Serena - exclamei.

- Você explicou ao policial, eles já o indiciaram, viram as câmeras. Não entendo por que os jornais não mencionam isso - Serena comentou, tão indignada quanto eu.

Meu telefone vibrou e, ao ver o número desconhecido no visor, atendi.

- Senhora Aurora Morneau, sou Edgard, secretário da senhorita Niume. Estou ligando para informar que a senhorita passou na seleção e aguardamos sua presença hoje às 13 horas para receber as informações necessárias para iniciar o trabalho.

Surpresa e aliviada, respondi com entusiasmo:

- Muito obrigada, Edgard. Estarei lá no horário combinado.

Ao desligar, um sorriso se abriu no meu rosto e olhei para Serena, que esperava ansiosamente pela novidade.

- Eu consegui! Passei na seleção. Tenho que estar lá esta tarde para pegar as informações e começar o trabalho.

Serena gritou de alegria e me abraçou apertado.

- Isso merece uma comemoração! Vamos te preparar, vou ajudar você a escolher a roupa perfeita para fazer sucesso no primeiro dia.

Serena, com seu bom gosto impecável, escolheu um conjunto elegante que me faria sentir confiante e preparada para qualquer desafio. Senti um calor reconfortante no coração, sabendo que, apesar de todos os obstáculos, eu estava seguindo em frente, com minha melhor amiga ao meu lado. Minha mãe ficaria orgulhosa de mim.

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