Renascida da Dor: Quando o Amor Não Basta

O Sr. Almeida olhou para mim, depois para o Pedro e a Sofia. O seu olhar era aguçado, como se pudesse ver através de tudo.

"Pedro, vem aqui," disse ele com uma voz severa.

O Pedro aproximou-se da cama, a sua expressão um pouco tensa.

"O anel que compraste hoje," começou o Sr. Almeida, a sua voz baixa mas cheia de autoridade. "Mostra-mo."

O Pedro congelou. Ele olhou para mim, depois para a sua mãe, o pânico a brilhar nos seus olhos.

A Sofia ficou pálida como um fantasma.

"Avô, o anel... é uma surpresa para a Eva. Não é bom mostrá-lo agora," gaguejou o Pedro.

"Eu não estou a pedir, estou a mandar," disse o Sr. Almeida, a sua voz não admitindo recusa.

A Sra. Helena tentou intervir. "Pai, não sejas assim. São jovens, deixa-os ter os seus pequenos segredos."

"Cala-te, Helena!" O Sr. Almeida repreendeu-a. "Este é um assunto entre mim e o meu neto."

Com as mãos a tremer, o Pedro tirou a caixa de veludo azul do bolso.

O silêncio no quarto era pesado.

"Abre-a," ordenou o avô.

O Pedro abriu a caixa. Lá dentro, um enorme anel de diamante brilhava intensamente, refletindo a luz e lançando pequenos arco-íris nas paredes.

Era lindo. E era exatamente o estilo que a Sofia adorava.

Eu sempre preferi coisas simples, discretas. O Pedro sabia disso.

O Sr. Almeida olhou para o anel, depois para o rosto pálido da Sofia.

"Sofia, experimenta," disse ele calmamente.

A Sofia recuou um passo, aterrorizada. "Sr. Almeida, eu... eu não posso."

"Eu disse para experimentares."

As lágrimas começaram a rolar pelo rosto da Sofia. Ela olhou para o Pedro em busca de ajuda, mas ele estava paralisado, incapaz de dizer uma palavra.

A Sra. Helena apressou-se a dizer, "Pai, o que estás a fazer? Estás a assustar a rapariga!"

"Se ele o comprou para a Eva, o tamanho deve servir na Eva. Se ele o comprou para outra pessoa, então precisamos de saber quem é essa pessoa," disse o Sr. Almeida, o seu olhar fixo na Sofia.

Com as mãos a tremer, a Sofia pegou no anel.

Hesitante, ela deslizou-o para o seu dedo anelar.

Encaixou perfeitamente.

Um suspiro coletivo encheu o quarto.

O meu coração, que eu pensava já estar dormente, sentiu uma nova onda de dor.

O Sr. Almeida fechou os olhos, uma expressão de profunda desilusão no seu rosto.

"Pedro," ele disse, a sua voz cansada. "Eu ensinei-te a ser um homem de responsabilidade. A assumir as tuas escolhas."

"Avô, eu posso explicar..."

"Não há nada a explicar," interrompeu o Sr. Almeida. Ele abriu os olhos e olhou diretamente para mim. "Eva, minha querida, eu falhei contigo. A minha família falhou contigo."

As lágrimas que eu tinha segurado finalmente caíram.

"Não, avô. Não é culpa sua."

"Pedro, se escolheste a Sofia, então sê homem e assume-o. Mas tens de saber que a Eva é a nora que eu aprovei. Se a magoares, não te perdoarei."

O Pedro olhou para mim, o seu rosto uma mistura de culpa e raiva. "Eva, era isto que querias? Envergonhar-me em frente de toda a gente?"

"Eu não fiz nada," respondi, a minha voz a tremer. "Tu fizeste a tua escolha, Pedro."

"Eva, por favor, não faças isto," suplicou a Sofia, a chorar. "Eu e o Pedro... não é o que pensas. Ele estava apenas a consolar-me."

"Consolar-te com um anel de diamante?" perguntei, a minha voz cheia de um sarcasmo que não sabia que possuía.

A Sra. Helena interveio, a sua voz aguda e defensiva. "E se for? A família da Sofia está arruinada! Ela não tem nada! O Pedro está apenas a ser gentil. Tu, por outro lado, tens tudo e ainda assim és tão mesquinha e ciumenta!"

"Então a gentileza dele inclui comprar-lhe um anel de noivado e mentir para mim?"

"Já chega!" gritou o Pedro. "Eva, vamos falar lá fora."

Ele agarrou-me pelo braço e arrastou-me para fora do quarto.

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