Quando o Respeito Morre, o Amor Também

Passei a noite no hospital, sentada num banco frio, enquanto a família do Pedro se revezava para entrar e ver a avó. A Laura organizava tudo, falava com as enfermeiras, trazia café para todos.

Para todos, exceto para mim.

O Pedro passava por mim como se eu fosse invisível. De vez em quando, lançava-me um olhar irritado, como se a minha presença fosse uma ofensa pessoal.

De manhã, a avó foi transferida para um quarto privado. Ela estava acordada e a sentir-se melhor.

Quando finalmente consegui entrar para a ver, ela sorriu para mim, um sorriso genuíno.

"Sofia, minha querida. Vieste."

"Claro que vim, avó," disse eu, segurando a sua mão frágil. "Fiquei tão preocupada."

"Aquele meu neto é um tolo," ela sussurrou. "Ele não te merece."

As suas palavras foram um bálsamo para a minha alma ferida.

Mais tarde, no corredor, o Pedro finalmente confrontou-me.

"Porque é que ainda estás aqui? Já te disse que está tudo bem."

"Eu queria ver a avó. E queria falar contigo," disse eu, a minha voz firme.

"Falar sobre o quê? Sobre como me desobedeceste e vieste para aqui criar um drama?"

"Não, Pedro. Sobre nós. Sobre o facto de não haver um 'nós'."

Ele olhou para mim, confuso. "O que é que isso quer dizer?"

"Quero o divórcio."

As palavras saíram, e eu senti um peso a ser tirado dos meus ombros.

O Pedro ficou a olhar para mim, a sua expressão a passar de confusão para raiva.

"Divórcio? Estás a brincar? A minha avó está num hospital, e tu escolhes este momento para dizer isso?"

"Não há um bom momento, Pedro. E talvez este seja o melhor. Porque isto," eu gesticulei para o corredor, para a porta do quarto da avó onde a Laura estava agora a ajustar-lhe as almofadas, "isto é a nossa vida. Eu não faço parte dela."

"Isso é ridículo! A Laura é uma amiga! Ela é médica, pelo amor de Deus! Ela está a ajudar!"

"Eu sei. E eu sou grata por isso. Mas não é sobre a ajuda dela, é sobre o teu desrespeito por mim. Tu disseste-me para não vir. Tu excluíste-me. Tu tratas-me como um inconveniente."

"Tu estás a ser demasiado sensível!" ele cuspiu, a sua voz a subir.

"Não, eu estou a ser realista," respondi calmamente. "Acabou, Pedro."

Virei-me e comecei a afastar-me. Ele não me seguiu.

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