Por Amor ao Meu Filho: A Guerra da Custódia

A porta da sala de cirurgia abriu-se, e o médico saiu com uma expressão cansada.

"A cirurgia foi um sucesso, conseguimos salvar o braço do seu filho, mas a perna direita..."

Ele fez uma pausa, e o seu olhar era pesado de pena.

"Tivemos de a amputar abaixo do joelho."

O mundo à minha volta ficou em silêncio, apenas o zumbido agudo nos meus ouvidos permanecia.

A minha sogra, Lídia, agarrou a gola do médico, o seu rosto contorcido pela dor e raiva.

"O que é que disse? Amputar? Sabe quem é o meu filho? Ele é o futuro da família Mendes!"

O meu marido, Pedro, afastou a sua mãe, a sua voz estava rouca, mas tentava manter a calma.

"Mãe, acalma-te, o médico fez o seu melhor."

Ele virou-se para mim, e os seus olhos estavam injetados de sangue.

"Sofia, foi tudo por tua causa. Se não tivesses insistido em levar o Léo ao parque de diversões, nada disto teria acontecido."

A sua acusação atingiu-me com força.

Sim, fui eu que sugeri ir ao parque de diversões, para celebrar o quinto aniversário do Léo.

Mas foi ele, Pedro, que se recusou a ir porque a sua ex-namorada, a Clara, estava com febre e precisava que ele cuidasse dela.

"Ela não tem mais ninguém, Sofia. A família dela está noutra cidade, não posso simplesmente abandoná-la."

Foi o que ele me disse antes de eu sair de casa com o Léo.

Agora, o nosso filho tinha perdido uma perna num acidente na roda gigante, e a culpa era toda minha.

Engoli em seco, o nó na minha garganta impedia-me de falar.

Apenas olhei para a porta da sala de cirurgia, imaginando o meu pequeno Léo lá dentro, sozinho e assustado.

Liguei ao Pedro dezenas de vezes enquanto esperava pela ambulância.

Cada chamada ia para o voicemail.

Cada mensagem que enviei ficou sem resposta.

Quando ele finalmente atendeu, foi a voz fraca da Clara que ouvi primeiro.

"Pedro, a minha cabeça dói tanto..."

Depois, a voz impaciente do Pedro.

"Sofia, o que foi? Estou ocupado, a Clara está muito doente."

"Pedro, o Léo... o Léo sofreu um acidente. Estamos a caminho do hospital."

Houve um silêncio do outro lado, depois um suspiro irritado.

"Que tipo de acidente? Ele está a chorar por uma coisinha de nada outra vez? Diz-lhe para ser homem. A Clara está com 40 graus de febre, isso é mais sério. Chego aí quando puder."

Ele desligou.

Quando ele finalmente chegou ao hospital, horas depois, a perna do Léo já tinha sido amputada.

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