PAIXÃO OCULTA

NARRAÇÃO LAVÍNIA

Sigo para casa e me arrumo. Coloco um jeans escuro e uma blusinha de alça verde. Coloco meu sapato de salto alto preto e sigo para o bar. O bar do Tavares é muito conhecido entre os policiais da região. Todos costumam se encontrar lá depois do serviço. Passei boa parte da minha fase caloura lá. Paro o carro em frente à entrada e entro varrendo o local com os olhos em busca de um certo alguém que vem dominando a minha mente. E lá está ele no balcão. Lindo todo de preto. Sua camisa está colada ao corpo e posso ver seu corpo definido. Ele sorri assim que me vê e me chama com o dedo. Ando com calma para não tropeçar visto que ainda estou balançada pela visão de seu lindo corpo. Me aproximo e ele sorri.

- Você é a famosa Fontana?

Alexandre pergunta apontando para a enorme placa na parede com o meu sobrenome.

- Sim.

Respondo indiferente.

- É a pessoa que mais bebeu shot de tequila desse bar?

- É o que está na placa.

- Quero uma disputa.

Reviro meus olhos e me afasto. Mas uma mão firme em meu braço me para. Seu toque queima a minha pele.

- Vamos lá, Fontana! Quero uma placa com o Biancco no lugar do seu nome.

- Alexandre isso nunca vai acontecer.

E de repente alguém grita duelo causando euforia em todos no bar.

- Agora vai ter que aceitar o desafio.

Ele sorri de um jeito tão safado que tenho que controlar a minha vontade de empurrar ele nesse balcão e beijar seu corpo todo.

- Vai ser feio para você Alexandre.

Aviso pegando um prendedor de cabelo no bolso e amarrando o cabelo.

- Quantos shots aguenta?

Pergunto e ele sorri.

- Doze.

Reprimo um sorriso e vejo Jeane sussurrar no ouvido dele.

- Caralho.... vinte e sete shots?

Mede o meu corpo e para em meus olhos.

- Isso é mentira.

- Vamos descobrir.

Digo puxando sua mão. Sento na mesa e ele senta a minha frente. Esse sorriso dele de empolgação me deixa muito excitada.

- Quem perder paga os shots.

- Fechado! E quem ganhar pede o que quiser ao perdedor.

Fica me olhando serio.

- Fechado!

O primeiro shot é servido.

- No três.

Diz e a galera do bar começa a contagem. No três nós dois viramos a bebida e ele faz careta.

- Bichinha.

- Isso acontece só na primeira. As próximas serão tranquilas.

E nos quatorze shots seguintes ele fez a mesma careta fofa. Alexandre começa a ficar bêbado e eu continuo normal.

- Vai parar?

Pergunto rindo muito dele me encarando com os olhos meio fechado tentando focar em mim.

- Vai desistir?

Ele pergunta com a voz estranha.

- Não, estou de boa.

Faz uma careta e respira fundo.

- Então desce mais.

Começo a rir da determinação dele em me vencer.

- Alexandre, você já esta bêbado.

- Estou bem! Quero vencer para pedir uma coisa a você.

O que ele quer tanto de mim que o faz lutar para vencer algo que está claro que já perdeu?

- Você não aguenta nem mais um shot.

- Merda..... eu não sinto meus lábios.

Sussurra pegando a boca com a mão e puxando.

- Vamos parar por aqui.

- Não..... eu preciso vencer. Eu preciso ter o que eu quero. Eu preciso sentir.

- Sentir o que Alexandre?

Ele se inclina e sussurra.

- Eu quero...... eu preciso.....

Antes que ele conclua a frase, se lança para a lateral da mesa e vomita.

- Fraco....

Resmungo segurando o braço dele para não cair no chão. A galera em peso do bar começa a gritar Fontana erguendo os copos cheios de bebida.

- Vem... vamos te limpar.

Digo levantando Alexandre e colocando seu braço em torno do meu pescoço. Ando com ele até o banheiro e assim que entramos o sento na cadeira ao lado da pia. Pego um papel e molho um pouco para limpar sua boca. Me ajoelho a sua frente e começo a limpar sua boca perfeita.

- Seus olhos são lindos.

Fala me olhando intensamente

- Obrigada!

Agradeço sentindo minhas bochechas queimarem.

- Sonho muito com eles.

Ele diz fechando os olhos e inclinando na cadeira. Ele sonha com os meus olhos?

- O que você sonha exatamente com eles?

Sorri ainda de olhos fechados.

- Se você soubesse Lavínia......

Não diz mais nada, o que me deixa curiosa.

- Alexandre....

Chacoalho ele e nada.

- Alexandre....

Pego no rosto dele e ele abre os olhos.

- Vamos sair daqui.

- Eu não quero ficar sozinho em casa. Quero ficar aqui.

Seguro a risada e seguro seu rosto o fazendo olhar pra mim.

- Aqui no banheiro?

Pergunto divertida.

- Se você estiver no banheiro então sim. Quero ficar onde você estiver.

Meu coração acelera. Ele quer ficar comigo ou quer apenas a minha companhia? Ele sorri e chega perto do meu rosto. Sua boca está próxima da minha e posso sentir o cheiro de tequila em sua boca.

- Se formos pra minha casa você fica comigo?

- Eu não vou cuidar de você! A culpa foi sua por ficar assim. Eu disse que perderia.

Balança a cabeça meio sem ritmo.

- Você não entendeu.

Antes que me explique a porta do banheiro se abre e Tavares aparece.

- Como ele está?

- Bêbado e chato.

- Quer ajuda?

- Não precisa. Meu carro está ai na frente. Vou jogar esse bêbado na cama dele e correr para a minha cama.

- Cuidado.

- Pode deixar.

Digo me levantando e novamente envolvo o braço de Alexandre em meu pescoço o levantando. Andamos para fora do bar. Encosto Alexandre em meu carro grudando meu corpo no dele o mantendo preso e tento pegar as chaves em meu bolso. As mãos dele seguram a minha bunda com força e ele enfia o nariz no meu pescoço. Sinto seu membro crescer na minha coxa. Seus lábios tocam minha pele e solto um gemido baixo.

- Seu cheiro me enlouquece.

Apoio minhas mãos no carro e ele me puxa para perto dele.

- O que quer de mim Lavínia?

Pergunta beijando meu pescoço.

- Você ganhou a disputa, pede o que quiser.

Abro meus olhos para encarar os dele. Ele parece que recuperou um pouco do controle da bebedeira.

- Estou tentada a dar a você a vitória só para saber o que queria tanto de mim.

Sua mão direita solta a minha bunda e sobe para o meu pescoço. Me puxa forte deixando nossos lábios quase colados.

- Você quer saber o que eu quero?

Minha respiração está acelerada assim como a dele. Antes que eu possa responder escuto um barulho de moto em alta velocidade. Viro para ver e vejo dois caras em uma moto. Estão com capacetes escuros e todos de preto. O cara da garupa ergue o braço e vejo uma arma.

- Merda....

Digo puxando Alexandre e nos jogando ao chão. Os disparos surgem pra todo lado e apenas cubro o corpo de Alexandre com o meu para que não o atinja. Não consigo contar o numero de disparos. Sinto os braços de Alexandre me envolver e enfio a cabeça em seu pescoço. O barulho da moto some e os disparos também. Meu coração está acelerado e um barulho agudo em meu ouvido causado pelos tiros próximos me deixa atordoada.

- Lavínia...

Alexandre me chama segurando meu rosto.

- Você está bem?

Pergunta preocupado. Apenas confirmo com a cabeça e ele me abraça forte como se estivesse com medo de me perder.

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