Os Trigêmeos da CEO

Mariana deixou o escritório às 8 da noite, exausta, mas satisfeita. No elevador, ela se olhou no espelho. Seu rosto refletia a tensão do dia, mas não a deixaria vencer. Chegara até ali por sua capacidade, e nada nem ninguém a faria duvidar do seu lugar.

O barulho do elevador parou e as portas se abriram no andar de baixo. Assim que cruzou o limiar do edifício, viu sua equipe de segurança esperando por ela. Como sempre, sua presença parecia destoar entre a multidão de funcionários que se apressavam para sair, todos com o mesmo passo apressado, indo para suas vidas pessoais. Mariana, no entanto, não tinha essa opção.

- Mariana, tudo bem? - perguntou Andrés, um dos membros de sua equipe, ao vê-la.

- Sim, tudo bem. Só mais um dia - respondeu, com um sorriso que não chegava a tocar seus olhos.

Enquanto cruzavam o estacionamento, ela entrou em seu carro, deixando o motor ligado por alguns segundos, buscando um momento para respirar. Apesar de ser uma mulher bem-sucedida, ainda lhe custava se adaptar às expectativas que o mundo tinha sobre ela. Ser uma jovem CEO em um mercado dominado por homens era, sem dúvida, um desafio constante.

Ao volante, Mariana suspirou e girou o volante com firmeza. Sua mente continuava a trabalhar, como sempre fazia. Os comentários da reunião ecoavam em sua cabeça, especialmente as insinuações de Javier e outros executivos. "O que você faz é admirável, mas... você realmente acha que vai conseguir manter isso por muito tempo, Mariana?" Não era a primeira vez que ouvia algo assim, mas a dúvida continuava a mordê-la, como um eco distante que nunca a deixava em paz.

No caminho para casa, Mariana parou no semáforo vermelho e seu telefone vibrou em sua bolsa. Era uma mensagem de Clara, sua assistente.

Clara: "Tudo bem? Sei que hoje foi intenso, mas você lidou com tudo como sempre."

Mariana sorriu, embora o cansaço pesasse em seus ombros.

Mariana: "Sim, tudo bem. Mas, você acha que estamos perdendo tempo com os clientes que não estão comprometidos?"

Clara: "Eu sei, mas é preciso manter o equilíbrio. Nem todos estão prontos para o que queremos fazer, e isso é ok."

Mariana deixou escapar um suspiro enquanto o semáforo mudava para verde. Mas até quando? Quanto tempo ela teria que esperar para ver mudanças significativas?

Quando chegou ao seu apartamento, se deixou cair no sofá, sentindo o cansaço invadi-la. Sua mente continuava ocupada, mas o silêncio de sua casa lhe deu, por um segundo, a chance de relaxar. No entanto, assim que desligou o telefone, o som da porta da entrada ressoou. Olhou para o relógio. Já era tarde. Provavelmente seria mais um dia sem tempo para si mesma.

Nesse momento, seu telefone tocou novamente. Era uma chamada de sua mãe.

- Olá, mãe - atendeu, tentando esconder a irritação na voz. Mariana amava sua mãe, mas ela sempre a pressionava a ter uma "vida normal", como ela chamava.

- Como vai tudo, filha? - perguntou sua mãe com voz suave.

- Bem, mãe. Estou bem - respondeu, embora nem ela mesma acreditasse na resposta. Bem? Não era o que sentia.

- Você ainda está nessa empresa, lutando o dia todo? - Sua mãe sempre tinha uma maneira de colocar tudo em perspectiva. Parecia que o trabalho de Mariana nunca era suficiente para ela.

- Sim, mãe. Já te falei que não vou desistir. Estou trabalhando por algo grande. Por todos nós.

Houve uma pausa do outro lado da linha. Mariana podia ouvir sua mãe suspirando.

- Eu te avisei, filha. Não gosto que você se desgaste tanto. Nem tudo é o trabalho. Você tem que pensar em si mesma também. Sua vida pessoal...

Mariana a interrompeu com um tom firme.

- Já sei, mãe! - disse, mais forte do que queria. Imediatamente se arrependeu do tom, mas não pôde evitar. A pressão que sentia a cada dia cobrava seu preço, e suas palavras saíam sem pensar.

Houve um silêncio desconfortável, mas sua mãe, com sua paciência habitual, respondeu.

- Só quero o melhor para você, Mariana. Não quero que você se perca em tudo isso. A vida passa rápido.

Mariana apertou os dentes, guardando o telefone em silêncio enquanto sua mãe desligava.

O que minha mãe teme? Pensou. Será que é por eu ser mulher nesse mundo de homens, ou ela simplesmente quer me ver feliz? Mas a verdade era que, embora amasse sua mãe, as expectativas dela não coincidiam com as de Mariana. Ela queria provar ao mundo, e a si mesma, que podia ser mais do que uma simples executiva. Queria ser uma mulher que liderasse, independentemente dos obstáculos.

Mariana se recostou no sofá, olhando para o teto, respirando fundo. Sua mente girava novamente sobre a reunião daquela tarde, os comentários dos executivos, os olhares sutis de desconfiança. A cada dia, ela enfrentava a mesma realidade: ser jovem, mulher e ousada em um mundo empresarial onde a competição não daria tréguas.

Não me importa. Nada disso vai me deter, pensou. Mas, à medida que seus olhos se fechavam e sua mente tentava desconectar, não pôde evitar sentir uma pequena pontada de incerteza. Se alguém como ela, tão capaz e decidida, sentia essa pressão, como estariam outras mulheres na mesma situação?

O telefone vibrou novamente. Mariana olhou e viu o nome de Javier na tela.

- Mariana, tem um minuto? - disse sua voz, grave e confiável, do outro lado da linha.

- Claro, Javier. O que aconteceu?

- Só queria conversar sobre a reunião de hoje. Acho que podemos ajustar alguns detalhes no plano de expansão, mas preciso saber se você está realmente disposta a arriscar tudo nisso.

Mariana sabia disso. Não era apenas uma questão de estratégia, era uma questão de confiança. E naquele momento, essa confiança parecia mais frágil do que nunca.

- Estou disposta, Javier - respondeu, segura de sua decisão, embora uma pequena dúvida tenha começado a germinar dentro dela. Estou pronta para tudo isso, pensou. Sempre estarei.

Depois de desligar, Mariana ficou olhando para seu telefone por um momento. Sentou-se no sofá, deixando-se envolver pelo silêncio da noite. Embora o mundo parecesse estar aos seus pés, as dúvidas ainda a perseguiam, como uma sombra em cada canto de sua mente.

Sabia que o caminho a percorrer seria longo. Mas também sabia que não havia volta.

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