Onde Estavas Tu, Pedro?

No dia seguinte, a minha mãe chegou ao hospital. O seu rosto estava marcado pela preocupação e pela tristeza.

"Eva, minha querida, como estás?"

Ela sentou-se ao meu lado, a sua mão quente a segurar a minha, que estava fria.

"Estou bem, mãe. Já decidi. Vou divorciar-me do Pedro."

A minha mãe suspirou, um som pesado e cansado.

"Eu sabia que isto ia acontecer um dia. Aquele homem nunca te colocou em primeiro lugar. Para ele, a Sofia vem sempre antes de tudo."

Ela sempre tinha visto. Eu é que tinha estado cega, a acreditar que o amor dele por mim poderia superar a sua devoção doentia pela irmã.

"Ele não tem o direito de ser pai", eu disse, a minha voz a tremer ligeiramente.

Enquanto falávamos, o meu telemóvel tocou. Era um número desconhecido. Hesitei, mas atendi.

"É a Sra. Eva Lima?", perguntou uma voz formal de homem.

"Sim, sou eu."

"Sou o advogado Miguel Costa, a representar o Sr. Pedro Andrade. Ele informou-me do seu desejo de se divorciar. Ele concorda, mas com uma condição."

Fiquei em silêncio, à espera.

"Ele quer a custódia total da vossa casa. Ele argumenta que, como foi ele quem pagou a maior parte da entrada, e como a sua irmã, Sofia, vive convosco e precisa de estabilidade devido à sua condição de saúde, seria melhor para todos se ele ficasse com a propriedade."

A audácia daquilo deixou-me sem fôlego.

A casa. A nossa casa. O lugar onde eu tinha planeado criar a minha filha.

"Isso é inaceitável", respondi, a minha voz firme apesar da raiva que fervia dentro de mim. "Essa casa é um bem matrimonial. Eu tenho direito a metade."

"O meu cliente está preparado para levar o assunto a tribunal, Sra. Lima. Ele acredita ter um caso forte, dada a instabilidade emocional da irmã e a sua generosidade financeira na compra da casa."

"A generosidade dele?", eu ri. "Diga ao seu cliente que nos vemos no tribunal."

Desliguei a chamada, o meu corpo a tremer de raiva.

"O que foi, filha?", perguntou a minha mãe, preocupada.

"Ele quer a casa. Ele quer tirar-me tudo."

"Aquele canalha!", exclamou a minha mãe. "Não te preocupes, Eva. Vamos lutar. Eu vou ajudar-te. Vendi a minha antiga casa de campo na semana passada. Tenho dinheiro. Vamos contratar o melhor advogado."

As suas palavras foram um bálsamo para a minha alma ferida. Pela primeira vez em dias, não me senti completamente sozinha.

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