Onde Está o Meu Filho?

No dia seguinte, o Pedro agia como se nada tivesse acontecido.

Ele preparou o pequeno-almoço, sorrindo enquanto punha panquecas no prato do Leo. "Come tudo, campeão, para ficares grande e forte."

A Sofia serviu-me um café, o seu sorriso tímido de volta ao lugar. "Tia Ana, dormiste bem?"

A normalidade deles era sufocante.

Ignorei-a e sentei-me à mesa. Peguei no meu telemóvel e comecei a procurar advogados de direito da família.

O Pedro notou. "Ana, o que estás a fazer?"

"A procurar um advogado." A minha voz era calma, desprovida de emoção.

Ele franziu o sobrolho. "Um advogado? Para quê? Para processar o hospital? Eu já te disse que vou tratar disso."

"Não. Para o nosso divórcio."

O garfo do Leo caiu no prato com um estrondo. O Pedro olhou para mim, chocado.

"Divórcio? Estás a falar a sério? Por causa de um erro de laboratório?"

A Sofia começou a soluçar. "Tia Ana, por favor, não faças isso. Pensa no Leo. Ele precisa de uma família."

Olhei para ela. "Sim, ele precisa. E eu preciso do meu filho verdadeiro."

A fúria do Pedro explodiu. "Já chega desta loucura! Tu amavas o Leo até ontem! O que mudou? Um pedaço de papel estúpido?"

"Tudo mudou, Pedro. A mentira mudou tudo."

"Não há mentira nenhuma! És tu que estás a criar problemas onde não existem! Estás a ser egoísta! Estás a pensar em como isto afeta o Leo?"

Ele usava o Leo como um escudo, tal como sempre fazia.

"Estás a destruir a nossa família por causa de uma fantasia!"

Ele agarrou no braço da Sofia. "Vamos, Sofia. A tua tia precisa de espaço para pensar nas suas ações egoístas."

Ele saiu da cozinha, levando a Sofia, que olhou para trás com uma expressão de falsa tristeza.

Fiquei sozinha com o Leo. Ele olhava para mim com os seus grandes olhos castanhos, confusos e assustados.

"Mamã, estás zangada?"

A minha determinação vacilou. Ajoelhei-me à sua frente e limpei uma migalha do seu queixo.

"Não, meu amor. A mamã não está zangada contigo. Nunca."

Ele era inocente em tudo isto. Uma vítima, tal como eu.

Mais tarde, enquanto o Leo via desenhos animados, recebi uma chamada da minha cunhada, a mãe da Sofia, a Marta.

A sua voz era estridente e acusadora.

"Ana! O que se passa contigo? A Sofia ligou-me a chorar! Como te atreves a acusá-la de uma coisa tão horrível?"

"Eu não acusei ninguém, Marta. Eu só quero saber onde está o meu filho."

"O teu filho está aí contigo! O Leo! Estás a ficar louca? O Pedro trabalha tanto para te dar uma boa vida, e é assim que o agradeces? A causar problemas e a querer o divórcio?"

A lealdade da família deles era impressionante. E assustadora.

"A Sofia é uma boa rapariga! Ela nunca faria uma coisa dessas! Deves estar a inventar isto tudo para chamar a atenção!"

Desliguei. Não tinha energia para discutir com ela.

Cada chamada, cada conversa, apenas reforçava a minha convicção. Eles estavam todos a encobrir algo.

O Pedro não estava a tentar encontrar o meu filho. Ele estava a tentar silenciar-me.

A minha busca não era uma fantasia. Era uma necessidade.

E eu não ia parar.

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