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O Último Lance Fatal do Mestre de Xadrez
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O Último Lance Fatal do Mestre de Xadrez

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Em O Último Lance Fatal do Mestre de Xadrez, uma mulher foge para Paris após descobrir a vingança cruel de seu ex. Nesta romance novel de mystery e horror, ela reconstrói sua vida, mas o prodígio obcecado a rastreia, exigindo sua posse e transformando sua paz em um pesadelo real.

Capítulo 1 de O Último Lance Fatal do Mestre de Xadrez

Meu namorado, um prodígio do xadrez, planejou me humilhar publicamente na nossa formatura. Ele passou três anos fingindo nosso relacionamento, até mesmo nos filmando em segredo, tudo para se vingar de uma mentira que ele acreditava sobre meu pai. Eu ouvi todo o seu plano doentio pouco antes de acontecer.

Então, fugi para Paris, deixando para trás os destroços de seu valioso tabuleiro de xadrez antigo e um vídeo meu o quebrando em pedaços.

Construí uma nova vida, encontrei o amor verdadeiro com um homem gentil chamado Caio, e minha arte começou a florescer. Eu estava finalmente me curando, finalmente segura. Então, uma manhã, meu ex arrombou a porta do meu apartamento, segurando uma rosa negra, seus olhos queimando com uma declaração aterrorizante: "Eu estava errado. Eu te amo. E não vou sair daqui até você ser minha de novo."

Capítulo 1

Meu mundo desmoronou no momento em que ouvi a voz de Arthur Schmidt. Não no sussurro gentil que ele reservava para mim, mas afiada, venenosa, detalhando minha humilhação pública. Naquele instante, tudo que eu achava que era real se desfez em cinzas.

Arthur Schmidt era uma força da natureza. Todos na USP conheciam seu nome. Ele era o prodígio do xadrez, o futuro gênio do ITA, aquele que andava pelo campus como se fosse o dono, e de certa forma, ele era. Sua genialidade era inegável, seu intelecto uma lâmina afiada e reluzente. As garotas se aglomeravam ao redor dele como mariposas em volta da chama, atraídas por seu mistério distante, seus traços frios e perfeitos. Ele nunca parecia notá-las. Ele nunca parecia notar ninguém, exceto o tabuleiro de xadrez à sua frente. Ele era um deus no campus, intocável, admirado à distância.

Essa era a sua persona pública.

Eu era a única que via o outro Arthur. Aquele que ria, que traçava padrões na minha pele, que me prometia o para sempre. Por três anos, eu fui seu segredo. Seu amor apaixonado e oculto. Eu acreditei em cada palavra. Em cada toque. Em cada sonho sussurrado de um futuro que compartilharíamos em um canto tranquilo do mundo, longe dos olhares curiosos da USP.

Nosso relacionamento era um caso clandestino, escondido à vista de todos. Nos encontrávamos em bibliotecas isoladas, cafeterias tarde da noite longe do campus, ou em seu apartamento estéril e impecável nos Jardins. Ele era sempre cuidadoso, sempre cauteloso. Dizia que era porque queria proteger o que tínhamos, manter nosso amor puro e imaculado pelo julgamento dos outros. Eu, ingênua e profundamente apaixonada, acreditei nele. Eu valorizava nossos momentos roubados, a maneira como sua mente fria e analítica se suavizava quando olhava para mim. A maneira como suas mãos, geralmente posicionadas sobre um tabuleiro de xadrez, se tornavam gentis e possessivas em meu corpo.

Ele falava sobre nosso futuro, sobre se mudar para São José dos Campos quando fosse para o ITA, sobre encontrar um ateliê para mim lá. Ele segurava meu rosto entre as mãos, seus polegares acariciando minhas maçãs do rosto, e me dizia que eu era a coisa mais linda que ele já tinha visto. Seus olhos, geralmente tão reservados, brilhavam com uma intensidade que eu confundi com adoração. Eu era dele, completamente. E eu achava que ele era meu.

Na semana passada, ele sugeriu que déssemos um tempo, uma semana separados antes da formatura. "Apenas para focar em nossos projetos finais, Alana", ele disse, sua voz suave como seda. "Vamos precisar de toda a nossa energia para a colação de grau. E então, seremos livres. Chega de segredos." Ele me prometeu que finalmente contaria ao mundo sobre nós depois da formatura. Eu estava tão animada, tão cheia de esperança. Era uma mentira. Tudo.

Eu estava passando pelo antigo Relógio Solar da USP, aquele que ele sempre dizia que o lembrava de mim – "atemporal e artística", ele o chamava. Eu estava adiantada para minha avaliação final, minha pasta de trabalhos apertada contra o peito, minha mente fervilhando de expectativa pelo nosso futuro. Ouvi vozes de uma janela aberta, a voz dele, inconfundível, e outra que não reconheci. Parei, uma estranha agitação no peito. Ele raramente falava tão abertamente, tão alto, especialmente em um espaço público.

"Está quase no fim", disse Arthur, seu tom desprovido do calor que ele reservava para mim. Era frio, clínico, como se estivesse dissecando um problema. "Três anos dessa farsa, e finalmente chegou a hora do grand finale."

Minha respiração engasgou. Farsa?

"Você tem certeza disso, Arthur?" A outra voz, de uma mulher, soava hesitante. "É... extremo."

"Extremo?" Arthur zombou. "Você acha que quase perder a Karina não foi extremo? Você acha que minha amada Karina, lutando pela vida porque o pai da Alana Pires manipulou a lista de transplantes, não foi extremo?"

Meu sangue gelou. Karina? Meu pai? A lista de transplantes? Essa era uma história que eu conhecia, um pesadelo de três anos atrás. Meu irmão, Eduardo, havia recebido um transplante de coração naquela época. Meu pai, Dr. Fernando Pires, um cirurgião renomado, tinha sido aclamado como um herói.

"Ele é um cirurgião respeitado", disse a mulher, sua voz mal um sussurro.

"Respeitado?" A risada de Arthur foi aguda, amarga. "Ele é um manipulador. Ele mexeu os pauzinhos, conseguiu um coração para o filho dele, enquanto a Karina, minha Karina, definhava. O pai dela, Dr. Lara, me contou tudo."

Um calafrio me envolveu, mais frio que qualquer vento de inverno. Do que ele estava falando? Meu pai era um homem íntegro. Ele não faria... ele não poderia.

"Então, qual é o plano para a colação de grau?" a mulher insistiu, uma curiosidade mórbida em seu tom.

"Humilhação, pura e simples", respondeu Arthur, uma satisfação perversa em sua voz. "Vou projetar nossos 'momentos íntimos' no telão. Para todos verem. Os pais dela, os amigos dela, a universidade inteira. Todos saberão que tipo de garota Alana Pires realmente é. E então, eu vou terminar com ela. Publicamente. Vai ser glorioso."

Momentos íntimos? Meu estômago se revirou. A pequena câmera que ele às vezes montava, alegando que era para "expressão artística", para "capturar a beleza crua do nosso amor". Ele disse que era nosso segredo, nossa maneira especial de documentar nossa jornada. Ele prometeu apagá-los. Ele prometeu.

Meu coração parecia ter sido arrancado do meu peito, ainda batendo, mas não mais meu. Era de Arthur, para ele esmagar. O mundo girou em seu eixo. Todos os toques ternos, as juras sussurradas, os sonhos compartilhados – eram todas mentiras meticulosamente elaboradas. Projetadas para me embalar em uma falsa sensação de segurança, para criar a vítima perfeita para sua vingança doentia. Eu era um peão. Uma ferramenta. Um meio para um fim.

Eu tropecei para trás, o som da minha pasta caindo no chão ecoando no silêncio repentino da minha mente. Minhas pernas pareciam gelatina. Eu não conseguia respirar. Eu tinha que sair. Corri, cegamente, o som de sua risada cruel me perseguindo pelo corredor.

Minha mente repassou nosso primeiro encontro. Três anos atrás, caloura e de olhos arregalados na USP, agarrando meu caderno de esboços como um escudo. Ele me abordou na galeria do campus, sua presença uma sombra fria na sala ensolarada. "Seu uso da cor é... intrigante", ele disse, sua voz baixa, um contraste com seus traços afiados e bonitos. "Mas suas linhas carecem de convicção."

Eu, uma tímida estudante de artes, fiquei ao mesmo tempo intimidada e cativada. Ele era Arthur Schmidt, o gênio do xadrez, já famoso por sua proeza analítica. Ele estava fora do meu alcance. Mas ele continuou voltando, oferecendo críticas, depois conversas, depois sessões de estudo tarde da noite que se transformaram em confissões sussurradas e beijos roubados. Ele disse que eu abri seus olhos para um tipo diferente de beleza, uma beleza caótica e emocional que ele não sabia que existia. Ele me fez sentir vista, querida, única.

Ele me disse que estava cansado da superficialidade, da performance constante. Ele queria algo real, algo profundo, algo escondido do mundo. E eu, tão ansiosa para ser escolhida, tão desesperada por esse tipo de conexão intensa, dei a ele tudo. Meu coração, minha confiança, meu corpo. Meu futuro.

Ele pintou um quadro de nós, construindo uma vida juntos, desafiando um ao outro, crescendo. "Você me força a sentir, Alana", ele disse, seus dedos entrelaçados nos meus. "E eu te dou estrutura. Somos um equilíbrio perfeito." Ele falou sobre deixar São Paulo por São José dos Campos, sobre nossa arte e seu xadrez, nosso pequeno mundo. Era tudo mentira. Cada palavra era uma pincelada deliberada em sua obra-prima de vingança. Um ato frio e calculado, projetado para me machucar, para machucar meu pai.

Meu pai. Dr. Fernando Pires. O homem que dedicou sua vida a salvar os outros. Como Arthur pôde acreditar em uma mentira tão monstruosa? Meu irmão, Eduardo, estava tão doente. O transplante salvou sua vida. Papai tinha sido meticuloso, ético. Era impossível.

Eu entrei correndo pela porta do nosso apartamento, ofegante. Minha mãe, Helena, ergueu os olhos de sua pintura. "Alana? Querida, o que há de errado? Você parece que viu um fantasma."

Lágrimas escorriam pelo meu rosto. "Mãe, pai... eu preciso ir embora. Preciso sair de São Paulo. Agora."

Meu pai veio de seu escritório, a testa franzida de preocupação. "Ir embora? O que aconteceu, meu bem?"

Eu não podia contar a eles. Ainda não. Não a parte da humilhação pública. Não os vídeos. "É... é o Arthur. Ele... ele me traiu. Nosso relacionamento. Tudo foi uma mentira. Eu simplesmente não posso mais ficar aqui." As palavras saíram atropeladas, cruas e quebradas.

Meus pais, vendo minha angústia, não questionaram mais. Eles apenas me abraçaram, seu calor um contraste doloroso com a traição gelada que acabara de me consumir. "Para onde você quer ir, querida?" minha mãe murmurou, acariciando meu cabelo.

"Paris", eu engasguei, uma imagem fraca da École des Beaux-Arts piscando em minha mente. "Quero ir para a escola de artes em Paris. Preciso recomeçar. Completamente."

Meu pai, sempre pragmático, assentiu. "Tudo bem. Nós vamos fazer acontecer. Você não precisa enfrentar nada aqui se não quiser."

Mais tarde naquela noite, enquanto eu fazia as malas, meu celular vibrou. Uma mensagem de Arthur. "Já estou com saudades, Alana. Só mais alguns dias, e então poderemos ser nós mesmos, sem mais esconderijos. Mal posso esperar pelo nosso futuro."

Eu encarei as palavras, um nó frio e duro se formando no meu estômago. Ele ainda estava atuando. Ainda representando. Meus dedos pairaram sobre o teclado. Eu não lhe daria a satisfação de uma resposta, da minha dor. Uma nova determinação se solidificou em meu peito. Ele queria humilhação? Ele queria me destruir? Ele não teria a chance. Eu desapareceria. Eu me tornaria alguém que ele não poderia tocar. Alguém que ele não poderia machucar novamente.

Eu apaguei a mensagem. Depois o bloqueei. E então, comecei a planejar minha fuga, não apenas de São Paulo, mas da pessoa que eu costumava ser. Eu nunca mais seria seu peão.

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