O Segredo do Teste de Paternidade

Uma semana depois, a mãe do Diogo, a minha sogra, Dona Helena, apareceu à minha porta.

Ela não me cumprimentou. Entrou diretamente, os seus olhos a percorrerem o apartamento, o mesmo apartamento que ela tinha ajudado a decorar.

"Onde está o Diogo?" ela perguntou, a sua voz cortante.

"Não sei," respondi honestamente. "Ele não vem a casa há uma semana."

Ela olhou para mim, os seus olhos a estreitarem-se. "Ele contou-me. Sobre o bebé."

Senti o meu estômago revirar. Claro que ele tinha contado.

"Sofia, eu sempre gostei de ti. Sempre te tratei como uma filha. Como pudeste fazer isto ao meu filho? Ao nosso filho?"

A sua voz tremia de raiva e desilusão.

"Dona Helena, eu não..."

"Não mintas para mim!" ela interrompeu, a sua voz a subir. "O Diogo é um bom homem! Ele arrisca a vida todos os dias por estranhos, e é assim que tu o recompensas? Traindo-o?"

Ela não me deu oportunidade para falar.

"Ele ama-te tanto. Estava tão feliz com o bebé. Falava dele o tempo todo. Como pudeste destruir isso?"

As suas palavras eram golpes, cada uma a atingir-me com força. Eu não tinha resposta. Qualquer coisa que eu dissesse soaria a uma desculpa esfarrapada.

"Eu quero que saias desta casa," disse ela, a sua voz agora fria como gelo. "Esta casa pertence à nossa família. Tu não pertences mais aqui."

"O Diogo disse que eu podia ficar," murmurei, a sentir-me pequena sob o seu olhar.

"O Diogo está de coração partido! Ele não está a pensar com clareza! Eu estou. Pega nas tuas coisas e sai. Não quero voltar a ver a tua cara."

Ela virou-se e saiu, batendo a porta com uma força que fez as paredes tremerem.

Fiquei ali, no meio da sala, a tremer.

Olhei à volta para o apartamento. As nossas fotografias nas paredes, os pequenos bibelôs que tínhamos comprado juntos. Tudo parecia agora uma mentira.

O meu telefone vibrou. Era uma mensagem do Diogo.

"A minha mãe foi aí? Desculpa por isso. Fica no apartamento o tempo que precisares. Apenas assina os papéis quando chegarem."

A sua consideração era quase pior do que a raiva. Tornava tudo mais real, mais final.

Peguei numa mala e comecei a fazer as malas. A minha sogra tinha razão. Eu não pertencia mais ali.

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