O Retorno da Ex do CEO

POV David

Batidas leves na porta me fizeram voltar à realidade mais uma vez.

— Vá embora! — gritei, irritado. — Não quero falar com ninguém.

— Por que você está tão irritado? — perguntou Chiara, ao abrir a porta.

— Não quero conversar… — grunhi.

— Calma, amigo, não se estresse tanto. Acho que você precisa de uma boa massagem.

Chiara foi para trás da mesa e, ficando atrás da cadeira, começou a massagear meus ombros tensos.

— Relaxe, amigo! — ela disse, apertando meus músculos.

Fitei o reflexo dela no espelho à minha frente. Embora fosse bonita, com seus cabelos castanhos caindo sobre os ombros, ela não me atraía.

— Brigou com sua esposa? — perguntou Chiara.

— Não quero falar sobre isso.

Levantei-me bruscamente, peguei meu sobretudo marrom-escuro e saí do escritório rapidamente.

— Espero que você não perdoe Verônica se ela estiver com outro homem. — Chiara acrescentou enquanto me seguia.

Entrei no elevador privativo e dei uma última olhada na mulher parada no corredor, sem dizer nada.

— Posso ir com você para te apoiar?

— Não! — Grunhi.

Apertei o botão e as portas se fecharam. Passei as mãos pelos cabelos antes de sair para o estacionamento e ir direto ao meu Porsche preto, onde o motorista me aguardava.

POV Verônica

Durante a noite, não havia estrelas quando o Audi A1 vermelho estacionou em frente ao enorme portão da mansão Caccini Jackson. Pressionei o botão para ligar o para-brisa e secar as primeiras gotas de chuva que começaram a cair sobre o vidro do carro. Minha mente e meu coração estavam conturbados. Meus olhos cor de âmbar se detiveram no retrovisor quando avistei o Porsche preto, que parou logo atrás.

Meu coração saltou ao ver meu marido sair do carro. Ao chegar mais perto, ele cerrou a mão direita e bateu na janela do Audi. Logo, segurei o envelope com o exame de gravidez e em seguida, acionei o botão, abaixando o vidro.

— Oi, querido! — minha voz titubeou quando o cumprimentei.

— Saia do carro, Verônica. — As três palavras de ordem estavam carregadas de fúria.

Eu ainda segurava o envelope na mão trêmula quando abri a porta e desci devagar. Subitamente, meu braço foi agarrado pela mão comprida de David.

— Onde estava? — Seu olhar gélido me perscrutou.

— Fui à casa de Chiara.

— Não minta para mim! — A voz profunda berrou. — A Chiara foi ao meu escritório pouco antes de eu sair.

Outro carro preto parou. Os seguranças, que passaram a tarde me seguindo, saíram do automóvel. David fez sinal para seu assistente, que se aproximou.

— Onde ela estava, Leonardo? — Ele sibilou a pergunta entre os dentes.

— A sua esposa saiu da mansão de Mark Santoro pouco antes de voltar para casa.

Meu olhar voou até encontrar o belo rosto do homem comprido. Mirei na mandíbula apertada do meu marido.

— Vamos conversar em particular, querido.

— Nunca mais quero falar com você, some daqui! — David mandou, assumindo sua habitual postura autoritária.

Era assim que ele agia com os funcionários, mas nunca me tratou daquela maneira.

— Posso explicar tudo, meu amor.

— Estou farto das suas mentiras! — Ele soltou meu braço. — Saia logo daqui antes que eu faça algo do qual vou me arrepender. — David cerrou os punhos ao lado do corpo, esforçando-se para manter o controle.

Um clarão riscou o céu, fazendo-me encolher. Tampei os ouvidos quando o som do raio ressoou como um monstro enfurecido.

— Estou grávida! — Disse eu em voz alta enquanto mostrava o envelope que segurava.

— Procure o seu amante, esse filho não é meu. — A raiva era tanta que ele se recusou a acreditar.

Dando-me as costas, ele entrou no meu Audi, deixando-me para trás. Equilibrando-me no salto, corri com a intenção de alcançá-lo, mas acabei tropeçando nos próprios pés e caí no chão.

— David, por favor, vamos conversar — minha voz chorosa pediu.

— Você me traiu com o meu pior inimigo, Verônica. — Ele comprimiu o olhar. — Não há mais nada para conversar.

A chuva estava ficando cada vez mais forte. Gotas pesadas caíam sobre o meu rosto oval. A água escorria pelas minhas mechas loiras escuras. Apressando-me, levantei e passei a mão, puxando o tecido para ajustar o vestido preto da Gucci.

David entrou no Audi vermelho e fechou a porta do automóvel. Olhou para o lado quando comecei a bater com a palma da mão aberta na janela do lado do motorista. Continuei pedindo para deixar eu entrar e explicar tudo, mas era tarde demais. Ele não estava disposto a me dar uma chance.

— Venha, senhora! — Leonardo tentou me ajudar. — Quer uma carona?

— As minhas coisas ficaram lá dentro, tenho que pegar as minhas roupas e os meus documentos.

— Senhora, eu tenho permissão para lhe dar uma carona, quanto ao restante, o advogado vai entrar em contato para resolver essas questões.

Depois que o Audi e o Porsche preto passaram, o portão fechou. Nem ao menos pude pegar a bolsa que ficou no banco do carona do carro. Restava-me apenas o resultado positivo de gravidez na mão que não parava de tremer.

— Senhora, quer que eu a leve até a casa do senhor Santoro? — Leonardo perguntou.

Exausta, limitei-me a concordar com a cabeça. Sentei no banco de trás do carro, onde o assistente de David assumiu a direção. Sem saber o que fazer, passei a mão no rosto para secar as lágrimas.

“Como tudo virou de ponta a cabeça daquela maneira?” indaguei-me no meu subconsciente. “Eu só queria fazer tudo certo desta vez”, murmurei para mim mesma.

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POV David

Antes de voltar para casa, eu descobri que Verônica passou na joalheria para pegar o dinheiro das joias de volta. Tinha que tomar o carro antes que ele fizesse o mesmo com o Audi. Mantendo minha postura firme, pisei no acelerador no momento em que o portão abriu.

Minha fisionomia inescrutável misturou-se ao clima mórbido daquela noite. Meu olhar taciturno fitou Verônica pelo retrovisor antes de cruzar os portões da minha propriedade. A dor da traição deixou-me ainda mais frio e rancoroso.

Chiara tinha razão quando disse que eu precisava viajar para relaxar um pouco, Era melhor viajar para Miami e ficar um tempo por lá até que Verônica sumisse de vez da minha vida.

Após deixar o Audi na garagem junto aos meus outros carros, fui direto para minha casa onde fui recebido por minha governanta.

— Boa noite, senhor Caccini, a sua esposa ainda não chegou para falar o que devo preparar para o jantar.

— Não faça nada! — respondi grosseiramente. — A partir de hoje, a Verônica não entra mais nessa casa. Entendeu?

Dona Giuseppina, passou a mão do lado de seus cabelos grisalhos preso num coque ao menear a cabeça em concordância;

— O senhor deseja algo para beber?

— Uísque sem gelo, — pedi antes de rumar até a escada em passadas largas.

Eu estava chegando ao meu quarto no segundo piso da casa quando meu celular vibrou no bolso do meu blazer. Assim que peguei, atendi.

— O que foi, Leonardo?

— A sua esposa voltou para a casa do Mark Santoro.

— Ela não é mais a minha esposa, entendeu? — Esbravejei.

— Sim, chefe.

Ao entrar no quarto, eu olhei para o rosto tenebroso do homem refletido no espelho.

— Vá buscar a Chiara e traga para cá. Vou levá-la a um evento da empresa hoje a noite.

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