O Resgate da Herdeira Amada

A primeira a quebrar o silêncio foi a Sra. Silva.

Ela se levantou do sofá, o rosto uma máscara de ultraje.

"Quem você pensa que é para falar assim na minha casa? Você é a nova babá? Está demitida!"

Eu ri na cara dela.

"Primeiro, eu acabei de chegar, então tecnicamente não posso ser demitida. Segundo, você não me paga. O sistema paga."

Ela franziu a testa, confusa. "Sistema? Do que esta louca está falando?"

O Sr. Silva, um homem de aparência severa com uma barriga proeminente, finalmente se pronunciou.

"Olha aqui, mocinha. Nós damos um teto, comida e educação para a Ana Paula. Ela nos deve respeito e gratidão. E você, como empregada desta casa, também."

Eu cruzei os braços.

"Dão? Vamos falar sobre o que vocês 'dão'."

Caminhei até a mesa de centro, pegando um porta-retratos com a foto de Juliana em Paris, em frente à Torre Eiffel.

"Juliana viaja para a Europa nas férias. Onde Ana Paula passou as últimas férias?"

Silêncio.

"Juliana usa roupas de grife que custam mais do que o meu aluguel. A roupa da Ana Paula parece ter vindo de uma doação de caridade."

A Sra. Silva ficou vermelha. "Isso não é da sua conta! Nós damos a ela uma mesada generosa!"

"Ah, é mesmo?" eu disse, um sorriso se formando no meu rosto. "Que ótimo. Então vocês não se importarão de me mostrar os extratos bancários que comprovem essas transferências generosas para a conta da Ana Paula, certo?"

O casal se entreolhou, o pânico começando a aparecer em seus olhos.

"Nós... nós damos em dinheiro vivo," gaguejou o Sr. Silva.

"Claro que dão," eu disse, meu tom cheio de sarcasmo. "Ana Paula, você pode me dizer quanto você recebeu de mesada este mês?"

Todos os olhos se voltaram para Ana, que se encolheu sob o peso da atenção.

Ela sussurrou, tão baixo que quase não ouvi.

"Eu não tenho uma conta bancária. E... eu não recebo mesada."

A Sra. Silva explodiu.

"Sua ingrata! Depois de tudo que fizemos por você! Está mentindo para colocar a babá contra nós! Você é manipuladora igual à sua mãe biológica!"

Ela avançou em direção a Ana, a mão levantada, pronta para bater.

Dessa vez, eu não apenas a parei. Eu me coloquei totalmente na frente de Ana, meu corpo servindo como um escudo.

"Encoste um dedo nela," eu disse, minha voz baixa e perigosa. "E eu juro que sua cara de socialite vai precisar de mais plástica do que o seu cartão de crédito pode pagar."

Pedro, o irmão falso que até então estava quieto, se levantou. Ele era um jovem mimado, com o mesmo ar arrogante de Juliana.

"Quem você pensa que é pra ameaçar minha mãe?"

Ele tentou me empurrar para o lado para chegar até Ana.

Eu não me movi um centímetro. Em vez disso, agarrei seu braço e o torci ligeiramente para trás, o suficiente para causar dor.

Ele gritou. "Ai! Me solta, sua bruxa!"

"Bruxa?" Eu sorri. "Você ainda não viu nada."

Soltei-o com um empurrão que o fez tropeçar e cair de volta no sofá.

Virei-me para o Sr. e a Sra. Silva, que me olhavam com uma mistura de medo e ódio.

"Vamos deixar uma coisa bem clara."

Minha voz ecoou na sala silenciosa.

"Vocês tiraram Ana Paula de um ambiente simples, onde ela pelo menos não era maltratada, e a trouxeram para esta jaula de ouro para servir de saco de pancadas emocional para seus filhos mimados."

"Vocês a humilham."

"Vocês a negligenciam."

"Vocês a privam do básico enquanto cobrem Juliana de luxos."

"Vocês se dizem 'pais', mas a única coisa que deram a ela foi dor e sofrimento."

"A partir de hoje, isso acaba. Eu estou no comando da vida da Ana Paula. E a primeira ordem do dia é: vocês vão pagar por tudo que devem a ela. Com juros."

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