O Reencontro do Amor Perdido

A dor aguda no meu rosto me despertou.

Não era a dor da facada que me matou, mas a dor da lembrança.

Eu renasci.

Voltei para o dia em que minha vida desmoronou, o dia em que minha irmã, Mariana, me fez o pedido que destruiu tudo.

Na minha vida passada, eu recusei.

Ela, em um acesso de fúria, pegou um bisturi da minha própria mesa, destruiu meu rosto e depois cravou a lâmina no meu abdômen.

Eu morri no chão frio da minha clínica, vendo meus pais observarem a cena sem mover um músculo para me ajudar.

Eles só se importavam com a Mariana, a filha que prometia a eles uma vida de luxo.

Mas agora, eu estava de volta. O cheiro de antisséptico da minha clínica, a luz do sol entrando pela janela, tudo era real.

Meu rosto estava intacto. Meu corpo, sem feridas.

Eu estava viva.

A porta da minha sala se abriu com um estrondo.

Era ela. Mariana.

Ela usava um vestido caro, o cabelo perfeitamente arrumado, e um sorriso venenoso nos lábios.

"Sofia, minha querida irmã, preciso da sua ajuda."

Sua voz era doce, mas eu sabia o veneno que se escondia por trás.

Eu respirei fundo, controlando o tremor nas minhas mãos. Desta vez, seria diferente.

"O que você quer, Mariana?"

Ela se sentou na cadeira à minha frente, cruzou as pernas e me olhou como se eu fosse uma simples ferramenta.

"Eu quero que você me transforme nela."

Ela jogou uma revista na minha mesa. A capa estampava a foto de um casal. O homem era o Sr. Rocha, o magnata do café, um dos homens mais ricos e poderosos do país. A mulher ao seu lado era a sua esposa, a Sra. Rocha.

"Eu quero o rosto dela, Sofia. Exatamente igual. Cada detalhe."

A voz dela era firme, cheia de uma obsessão doentia.

Na minha vida passada, eu tentei argumentar. Tentei avisá-la do perigo.

"Mariana, isso é loucura. O Sr. Rocha não é um homem com quem se brinca. Ele é conhecido por ser implacável. Se ele descobrir, ele vai te destruir. Vai destruir todos nós."

Eu disse as mesmas palavras, como um eco do passado.

Ela riu, um som frio e cortante.

"Não seja tola, Sofia. Ele nunca vai descobrir. Você é a melhor cirurgiã plástica do país. Você pode fazer isso."

"E a verdadeira Sra. Rocha? O que você fez com ela?"

Um brilho cruel passou pelos olhos dela.

"Ela está tirando umas férias prolongadas. Não se preocupe com ela. Apenas faça o seu trabalho."

Sequestro. Chantagem. Mariana era capaz de tudo.

Eu me lembrei da dor. Lembrei-me do sangue. Lembrei-me do olhar vazio dos meus pais.

A raiva subiu pela minha garganta, quente e amarga.

Mas eu a engoli.

Desta vez, eu não iria recusar. Desta vez, eu ia dar a ela exatamente o que ela queria.

Eu peguei a revista, olhei para a foto da Sra. Rocha e depois para Mariana.

"Tudo bem," eu disse, minha voz surpreendentemente calma.

"Eu vou fazer a cirurgia."

Mariana sorriu, um sorriso de vitória. Ela não esperava que eu cedesse tão fácil.

"Eu sabia que você entenderia, irmãzinha. Nossos pais vão ficar tão felizes. Finalmente, teremos a vida que merecemos."

Ela não fazia ideia. Ninguém fazia.

O plano já estava se formando na minha mente. Um plano de vingança.

Eu faria a cirurgia. Eu a transformaria na cópia perfeita da Sra. Rocha.

E então, eu assistiria de camarote enquanto o mundo dela, construído sobre mentiras e crueldade, desabava.

Enquanto isso, as notícias já começavam a se espalhar.

A Sra. Rocha, esposa do magnata do café, desapareceu.

A polícia estava investigando, mas não havia pistas.

O Sr. Rocha ofereceu uma recompensa milionária por qualquer informação. Ele apareceu na televisão, o rosto impassível, mas os olhos queimando de uma fúria contida.

"Quem quer que tenha levado minha esposa," ele disse, a voz baixa e perigosa, "vai pagar. Eu vou encontrá-los, e não haverá misericórdia."

Na minha clínica, Mariana assistia à notícia com um sorriso satisfeito.

"Ele a ama tanto," ela suspirou, sonhadora. "Ele vai me amar assim também."

Eu olhei para ela, para a sua completa falta de empatia, para a sua ganância sem limites.

"Você não tem medo, Mariana? Do que ele pode fazer?"

Ela se virou para mim, a expressão endurecendo.

"O medo é para os fracos, Sofia. E eu não sou fraca. Agora, pare de falar e comece a trabalhar. Quanto mais rápido eu tiver esse rosto, mais rápido nossa nova vida começa."

Eu assenti, pegando meus instrumentos.

"Sim, Mariana. A cirurgia vai começar."

Minhas mãos não tremiam mais. Estavam firmes.

A vingança é um prato que se come frio, e a minha estava prestes a ser servida.

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